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Atriz baiana ganha protagonismo na celebrada série Cangaço Novo

Ana Tereza Mendes articula criação, pesquisa e coletivo

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*

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Ana Tereza Mendes em 'Cangaço Novo'
Ana Tereza Mendes em 'Cangaço Novo' - Foto: Divulgação

Antes das câmeras e dos palcos, foi na feira de rua de Irará, no interior da Bahia, que Ana Tereza Mendes começou a exercitar o olhar de atriz. Entre comerciantes, transeuntes e familiares, aprendeu a observar o mundo, um aprendizado que ainda hoje orienta seu ofício em cena.

“Eu carrego as reminiscências da minha terra. As ruas e os seus personagens sempre foram um palco aberto; só depois entendi que a minha primeira escola de atuação foi a feira de Irará”, afirma.

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Atriz, artista, nordestina, sertaneja, Ana Tereza chega a um novo momento da carreira ao integrar a segunda temporada de ‘Cangaço Novo’, série do Prime Video que se consolidou como um dos principais títulos recentes do audiovisual brasileiro.

Se na primeira temporada sua participação foi mais pontual, é nos novos episódios que sua personagem, a investigadora Diana, ganha fôlego dramático e maior projeção.

Inserida em uma trama marcada por assaltos, corrupção e violência no sertão fictício de Cratará, Diana se move entre a rigidez da função policial e os dilemas éticos que atravessam o exercício da justiça.

“Diana é uma mulher forte, que acredita verdadeiramente no seu trabalho. Em um ambiente predominantemente masculino, essa força me inspira e me faz sentir orgulho de interpretá-la”, diz a atriz.

A construção da personagem, segundo ela, passou por um mergulho no contexto da narrativa, somado à preparação de elenco e à experiência direta com o território onde a série é filmada.

O destaque na nova temporada, que sucede o reconhecimento da série em premiações como o Grande Otelo, marca não apenas maior visibilidade, mas um ponto de virada na sua carreira.

“Cangaço Novo representa aquilo de mais primoroso no audiovisual brasileiro. Não digo isso só pelos prêmios, mas como atriz, artista, nordestina, sertaneja. É uma força descomunal, que marca a história do nosso audiovisual”, afirma.

Ana Tereza Mendes
Ana Tereza Mendes | Foto: Divulgação

Palco, pesquisa e coletivo

A trajetória de Ana Tereza Mendes foi construída, sobretudo, nos palcos baianos. Com mais de 13 anos de carreira, ela acumula passagens por cerca de 15 espetáculos e por diferentes processos formativos que ajudaram a consolidar uma atuação marcada pelo rigor e pela investigação contínua.

Formada pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde hoje cursa doutorado em Artes Cênicas, a atriz estrutura seu trabalho a partir de um princípio que define como central: “Criar, atuar e pesquisar são o tripé do meu fazer artístico”.

A dimensão acadêmica, nesse sentido, não se dissocia da prática, mas a alimenta, especialmente em uma pesquisa voltada à sustentabilidade dos grupos teatrais na Bahia.

Entre os trabalhos que considera decisivos na formação estão montagens como ‘Morte e Vida Severina’, com direção de Érico José e direção musical de Luciano Salvador Bahia, e ‘Os Cegos’, dirigido por Vinicius Lirio. “Foi um espetáculo em que fui desafiada do início ao fim, onde aprendi a importância do treinamento cotidiano”, lembra.

Ao longo do percurso, também destaca encontros com nomes como Raimundo Matos, Hebe Alves, Jacyan Castilho e o preparador de elenco Luiz Mário Vicente, com quem mantém um diálogo artístico contínuo.

Paralelamente, o trabalho no Chegança Atelier Cultural – coletivo fundado por Ana Tereza e pela atriz Manu Santiago, em 2018 – se firma como eixo estruturante de sua trajetória. Voltado à criação teatral e à arte-educação para crianças e jovens, o grupo articula prática artística e impacto social.

“O Chegança é minha casa, minha escola. Ele me permite criar, estudar, investigar e, principalmente, o autoconhecimento”, afirma. Com o coletivo, Ana Tereza segue em circulação com o espetáculo ‘Histórias do Mundão’, indicado ao 28º Prêmio Braskem de Teatro, além de desenvolver projetos formativos.

Uma cena que se amplia

A presença de Ana Tereza Mendes em Cangaço Novo também reflete um momento de expansão do audiovisual nordestino, que tem alcançado maior projeção sem abrir mão de narrativas enraizadas em seus territórios.

Com elencos majoritariamente regionais e histórias atravessadas por questões locais, produções recentes vêm consolidando uma cena que combina densidade estética e alcance ampliado.

Nesse contexto, a atriz integra uma geração que transita entre linguagens e sustenta sua produção em múltiplas frentes, do teatro de grupo à pesquisa acadêmica, do trabalho comunitário ao audiovisual. A passagem para o streaming, longe de representar ruptura, amplia esse campo de atuação.

Para os próximos anos, o movimento segue nessa direção. Além da continuidade com o Chegança, Ana Tereza participa das filmagens do documentário Marcha Picada, dirigido por Anderson Soares.

“O caminho que exploro é o da aprendizagem. Cada trabalho, cada encontro, são aulas que me moldam e me mantêm em processo”, diz.

A partir das reminiscências de Irará e dos novos circuitos de circulação, a trajetória de Ana é um percurso em expansão, fiel às origens, mas aberto às possibilidades de uma cena que, cada vez mais, se projeta para além de seus próprios limites.

Ao fim, Ana faz jus à etimologia de sua terra – associado, na origem tupi, ao que nasce com a luz do dia –, sua arte segue se renovando a cada amanhecer.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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