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ARMANDO AVENA

A pandemia e a destruição criadora

Armando Avena
Por Armando Avena
| Atualizada em
"Pandemia e as medidas restritivas introduziram na economia uma inovação perversa" | Foto: Chris Delmas | AFP
"Pandemia e as medidas restritivas introduziram na economia uma inovação perversa" | Foto: Chris Delmas | AFP - Foto: Chris Delmas | AFP

O capitalismo tem como base a concorrência entre empresas e beneficia aquelas mais aptas e que se adaptam melhor às crises. A pandemia e as medidas restritivas geraram uma crise econômica que atingiu a todos, mas uns sofreram mais que outros. No sistema capitalista, a crise é sempre um processo de “Destruição Criativa”, para usar a expressão do economista Joseph Schumpeter. É destruição porque muitas empresas vão à falência nesse processo, mas é criativa porque muitas outras sobrevivem, seja porque não foram tão afetadas, reduziram custos ou reformularam sua produção e sua inserção no mercado.

Schumpeter argumenta que a inovação tecnológica e o empresário inovador são a essência do capitalismo. Quando um empresário inovador, em busca de lucrar mais, introduz uma inovação tecnológica ou um novo método de produção, ele gera uma crise, pois torna-se mais competitivo e destrói as empresas que não têm recursos ou tecnologia para seguir o mesmo caminho. É simples perceber isso: a introdução da tecnologia dos aplicativos tipo iFood, Uber, Airbnb aumentou drasticamente a competitividade nesses setores, e as empresas precisam inovar seu produto ou serviço, senão vão quebrar. Esse é o processo de crise e renovação, a destruição criadora: muitas empresas quebram, mas as que ficam serão mais competitivas.

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Pode-se fazer uma analogia com a Covid-19, pois a pandemia e as medidas restritivas introduziram na economia uma inovação perversa, que suprimiu a normalidade dos mercados e fez com que alguns setores sofressem uma ruptura extrema enquanto outros ficaram neutros ou se beneficiaram do processo. Basta ver que os empresários ligados ao turismo, ao setor de serviços e ao setor educacional, por exemplo, sofreram muito mais do que os do agronegócio ou do setor imobiliário. E então começa a destruição criadora, dentro de cada setor e na economia como um todo. É justo que os setores mais afetados busquem a proteção do Estado, pelo menos enquanto durar a pandemia.

Mas a crise muda o normal, cria um “novo normal” e, para enfrentá-lo, será necessário agir como um empresário schumpteriano capaz de reformular seu negócio, reduzir custos, mudar de ramo se necessário, criar sinergias, introduzir tecnologia e novos produtos, novas formas de produção, novos modelos de organização ou abrir novos mercados. Falar é fácil, diria o leitor, afinal após 15 meses de pandemia, de abre e fecha da economia, as empresas chegaram ao limite e descapitalizadas sequer conseguem pensar em investir. É verdade, mas, apesar disso, a destruição criadora está em curso, basta ver que a quantidade de empresas que fecharam é menor do que aquelas que estão sendo abertas. É duro, mas é próprio do capitalismo.

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