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ARMANDO AVENA

Mercado não quer golpe e já precificou Lula

Empresariado, pelo menos os racionais, não apostam em golpe de estado ou coisa semelhante

Armando Avena
Por Armando Avena
Fator Lula já está nas estratégias das empresas brasileiras
Fator Lula já está nas estratégias das empresas brasileiras -

Os ataques golpistas aos prédios públicos brasileiros não tiveram qualquer impacto no mercado financeiro e de investimentos e a explicação é simples: o mercado não quer golpe, nem um novo ciclo de instabilidade política, e já precificou Lula. Precificar no jargão da Bolsa de Valores significa que já está contabilizado na estratégia de negócios determinado evento e a valorização, o custo ou o prejuízo que ele pode trazer. E o fator Lula já está nas estratégias das empresas brasileiras. O empresariado, pelo menos os racionais, não apostam em golpe de estado ou coisa semelhante, e todas as associações empresariais do país apressaram-se em condenar os atos terroristas do último domingo. A condenação reflete o interesse do empresariado em voltar à normalidade, já que a instabilidade política é ruim para os negócios e para a economia.

E, convenhamos, nenhum empresário – a não ser os aloprados e aqueles poucos que se tornaram radicais políticos ou resolveram financiar os atos terroristas – seria crédulo o suficiente para acreditar que um grupo de radicais, mobilizados pelo pagamento de comida, transporte e diárias e sem apoio de qualquer força política expressiva, fosse capaz de derrubar os poderes constituídos da República. Na verdade, esse movimento terrorista teve o condão de unir o país e os poderes constitucionais e fortaleceu o presidente eleito.

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O fato é que o empresariado brasileiro não pensa em golpe de estado e o mercado já precificou a era Lula. Isso não significa que os empresários e o mercado fecharam com o presidente eleito, mas sim que está em curso todo tipo de negociação e de pressão que, através dos meios constitucionais, são utilizados pelos setores econômicos para defender seus interesses. Tampouco significa que Lula vai voar em céu de brigadeiro, pelo contrário, a luta política será renhida e o governo terá de fazer concessões, pois o Congresso Nacional é o desaguadouro de todos os pleitos da sociedade, mas a luta terá de se dar no âmbito político e ser mediada pelo Poder Judiciário. É assim que funciona a democracia.

O mercado já precificou Lula e incluiu no seu planejamento estratégico a possibilidade de uma política fiscal mais frouxa, mas seus agentes estão a todo momento alertando o governo sobre os perigos de abrir a torneira dos gastos ou de voltar atrás em conquistas já consolidadas, como a reforma trabalhista e a reforma previdenciária. E basta um pouco de atenção para ver que a imprensa – que os radicais bolsonaristas dizem ser sempre a favor de Lula – já criticam abertamente determinadas posições econômicas do governo. E é possível ver que o empresariado já tem interlocutor no governo e discute com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, como dinamizar os setores econômicos e como evitar que medidas prejudiciais à economia sejam adotadas. É assim que funciona a democracia e será através dela que a esquerda e a direita terão de se manifestar.

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