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Por Armando Avena

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Publicado quinta-feira, 09 de abril de 2026 às 6:21 h | Autor: Armando Avena - A TARDE

Uma nova Salvador está surgindo

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Uma nova Salvador está surgindo, e é preciso começar a planejá-la. Essa nova cidade começou a surgir com a construção das redes integradas de transporte urbano, o metrô, o BRT e agora o VLT, e com a implantação de um eixo transversal, ligando a península soteropolitana de leste a oeste, e composto por duas vias estruturantes, a Av. 29 de Março e a Av. Aliomar Baleeiro (antiga Estrada Velha do Aeroporto).

Com isso, Salvador, que sempre cresceu de norte a sul, acompanhando a orla, tem agora um eixo longitudinal que integra o miolo de Salvador à Orla Atlântica, à região da BR 324 e ao restante da cidade. E esse novo reordenamento urbano se consolida com a inauguração do Terminal Rodoviário de Salvador, em Águas Claras.

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A transferência da rodoviária deslocou um equipamento estratégico da cidade para a região de Águas Claras e, assim, toda aquela região deixa de ser apenas residencial e passa a concentrar fluxos metropolitanos e intermunicipais e garante a integração modal, pois a rodoviária se articula com a Estação Águas Claras, do metrô, a Av. 29 de Março, o VLT e formando um hub de transporte multimodal.

Com isso, está criada uma nova centralidade, como dizem os urbanistas, que poderia chamar-se Polo Águas Claras – Cajazeiras. Bairros como Valéria, Fazenda Grande II, Fazenda Grande IV, Castelo Branco, Cajazeiras e outros compõem essa nova centralidade urbana e abriga uma população de 500 a 600 mil pessoas, considerando o entorno, com o tamanho de uma cidade média como Aracaju ou Florianópolis.

Antes, esses bairros eram isolados, fortemente dependentes da BR-324, e os deslocamentos para a orla eram longos e indiretos. Com a mudança estrutural na mobilidade urbana em Salvador, foi criado um eixo transversal moderno, com conexão viária com a BR 324, a Av. Paralela e a orla Atlântica, e com ligação ao sistema do metrô. Houve uma reorganização na cidade que reduziu o isolamento histórico do “miolo” de Salvador, aproximou social e economicamente essas áreas a orla e criou uma nova centralidade residencial e comercial, que fez do eixo uma área de expansão imobiliária.

Mas essa nova Salvador não pode ser deixada apenas nas mãos da expansão imobiliária; é preciso que haja planejamento urbano, algo essencial, mas que está meio fora de moda. A Câmara de Vereadores, a Prefeitura de Salvador e o governo do Estado necessitam com urgência ordenar o crescimento da nova Salvador.

Em termos urbanísticos, pode-se dizer que foi quebrada a lógica radial de Salvador (centro–subúrbio) e criada uma lógica transversal, mais moderna e integrada, e isso repercute em todo o estado, dado que Salvador é o centro econômico e social da Bahia.

Em artigo recente, o ex-secretário de planejamento Waldeck Ornélas analisou a formação dessa nova centralidade metropolitana na região de Águas Claras e mostrou como a Via Metropolitana pode ser um novo eixo logístico alternativo, que interliga Salvador à BA-526 (estrada CIA-Aeroporto) sem passar pela BR-324 e contornando a congestionada Estrada do Coco, na altura da cidade de Lauro de Freitas.

No artigo, Waldeck mostra que já existe a proximidade funcional entre a Via Metropolitana e a Avenida 29 de Março e, se houver um encadeamento viário claro e hierarquizado entre as vias, estará configurado um eixo logístico alternativo que conecta Salvador ao sistema logístico estadual.

A necessidade de planejamento urbano, territorial e logístico também é imperiosa no chamado Sistema Viário do Oeste, um sistema de vias que inclui a ponte Salvador-Itaparica, novas avenidas, duplicações de rodovias e acessos e ligações estratégicas. Mas o tema merece um artigo específico.

O fato é que desenham-se para o futuro de Salvador três grandes eixos logísticos: o tradicional corredor industrial da BR-324; o eixo transversal recente, que articula o miolo à orla e à estrada CIA-Aeroporto; e o novo vetor oeste, associado à ponte Salvador–Itaparica. Todos eles precisam ser acompanhados por um processo amplo de planejamento territorial e urbano.

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