Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ARTIGOS
COLUNA

Artigos

Por José Medrado*

Artigos
ACERVO DA COLUNA
Publicado | Autor:

A rainha baiana

Confira artigo de José Medrado

Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email
Homenagem r na Câmara dos Vereadores à mãe Carmen do Gatois e post-mortem à veneranda mãe Menininha
Homenagem r na Câmara dos Vereadores à mãe Carmen do Gatois e post-mortem à veneranda mãe Menininha -

Na última segunda-feira, 29, convite recebido, fui a uma grande homenagem que a vereadora Marta Rodrigues fez passar na Câmara dos Vereadores à mãe Carmen do Gatois e post-mortem à veneranda mãe Menininha. Festa de beleza intraduzível, por força da história, da tradição e sofrimento daquele povo resistente, de santo e de força. Surpreendido, fui convidado a proferir uma saudação, a pedido da homenageada, anunciou a inspirada vereadora da iniciativa. Subi ao púlpito, não era meu lugar de fala, era daquela boa gente, certamente, todas descendentes de escravizados que precisaram esconder suas crenças (daí o tal sincretismo) para reverenciar as suas divindades. Ao ver aquela onda branca, mulheres em sua grande maioria coroadas pelos seus turbantes, as minhas palavras se embaralharam, pois a emoção veio com uma indignação cheia de revolta. Não tinha o que falar, mas perguntar por quê? Por que tanta perseguição, por que tanta maldade àquela boa gente que só quer reverenciar o seu sagrado? Dei um murro no púlpito, quase que suplicando que eles não deixassem de lutar, de firmar o seu lugar.

Amo a família da Yalorixá Carmen do Gantois, guardo verdadeiro afeto pelas filhas Ângela, Neli e o seu genro Carlos. Uma onda de fraternidade me tomou ao ver aquela mulher, que segue o legado da mãe resistente, e triunfa. Mostrava as suas honrarias, proclamadas pela vida e seus feitos. Agitava com galhardia o reconhecimento. A plateia lotada com seus cantos e ritmos, exaltava a sua rainha: mãe Carmen do Gatois. As senhorinhas cantavam seus louvores, penso que em yourubá, e dançavam com graça, leveza e eu me perguntando: por quê? Por que não se respeita? É nossa tradição, é também a nossa história. Senti-me, como sempre nesses ambientes, abraçado e cheio de afeto.

Tudo sobre Artigos em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Não falo, de forma alguma, que as pessoas precisam seguir esta ou aquela religião, não se trata de proselitismo, muito menos de indução à crença, seja qual for. Falo simplesmente de respeito, do reconhecimento do direito cidadão de cada um ter a sua crença ou não. Falo da necessidade de se consolidar o respeito pelo diverso, pelo diferente, no ideal de cidadania. Há sim um país adoecido, com as suas feridas expostas e não podemos deixar esses desrespeitadores confortáveis com suas sanhas de racismo, inclusive religioso à conta do tal é assim mesmo. Não. Respeito se aprende, vão dizer os mais velhos, desde casa, mas se não for assim, que seja pela ação dos Tribunais, fazendo-se crer que não há terra sem lei, no mundo real, nem no virtual, e que essas sacerdotisas têm o direito de envergar seus mantos e transitar pelas ruas e avenidas sem com que pessoa alguma atravesse o olhar, ou muito menos fale criminosamente algum despautério.

*José Medrado é Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Relacionadas:

Assine a newsletter e receba conteúdos da coluna O Carrasco