Editorial - Apoio em rede
Confira o editorial de A TARDE desta segunda-feira

Torna-se a cada avanço da ciência e dos saberes do afeto, como o da psicanálise, mais difícil sustentar a ideia de um grupo humano autoproclamado “normal”, por supostas vantagens de mobilidade, percepção e raciocínio.
O debate, visando combinar a melhor forma de relacionamento entre todas e todos, aceitando-se diferenças – estas sim “normais” –, tem a oportunidade de avançar hoje, quando se comemora o Dia Nacional das Apaes, em referência à abertura da primeira unidade do país, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1954.
Embora carregue no nome a carga pesada do predicado “excepcionais”, há muito ultrapassado, “Apae” é como se convencionou nomear a associação de pais e amigos de quem tem alguma distinção cognitiva ou de sensibilidade.
A premissa de cada pessoa ter um jeito de ser único e escasso, desiludindo o pretexto de um padrão, é defendida por esta gente, com apoio de docentes e profissionais de saúde. Eles atuam no firme propósito de fomentar cuidado, assistência e, sobretudo, a construção da autonomia para a vida das pessoas com deficiência intelectual e múltipla.
Na Bahia, seguindo a trilha da matriz de Salvador, criada em 3 de outubro de 1968, já chega a cerca de 80 o número de filiais com o objetivo de reconhecimento e admiração, pois são vitórias diárias sobre condições adversas e difíceis.
São 23 milhões de atendimentos por ano para 1,6 milhão de filiados em todo o país, em 2.249 Apaes com o mesmo propósito de espalhar o bem, mas para tanto, torna-se indispensável o apoio, além do afetivo, o financeiro, de modo que mais e mais pessoas possam ser impactadas pelos projetos e ações dessa rede.
Quem se acha completo, em estado pleno de Narciso, pode assustar-se, honestamente, se enxergar ao espelho, a principal das deficiências, a da falta de compaixão, mas é muito fácil evitar a tristeza de sentir-se um “anormal”.
Basta procurar caminhos para doação no site apaebrasil.org.br, visando conjugar junto a quem precisa o verbo existir – universal e intransitivo, pois uma ou outra “alteração” não faz ninguém melhor ou pior, e sim a grandeza do coração.