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O homem do ano - O médico

Publicado sábado, 17 de outubro de 2020 às 06:03 h | Atualizado em 16/10/2020, 16:46 | Autor: Jackson Noya Costa Lima
Jackson Noya Costa Lima | Foto: Arquivo Pessoal
Jackson Noya Costa Lima | Foto: Arquivo Pessoal -
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Fui assinante da revista americana TIME, durante muito tempo. Todos os anos, no final de dezembro, é eleito o Homem do Ano, para destacar o homem, mulher, ou entidade, que houvesse se destacado em áreas como a política, ciência, movimentos sociais, artes, dentre outras. Muitas celebridades mundiais foram escolhidas.

Em 2020, os Médicos e as equipes de saúde, por causa da pandemia, foram amplamente exaltados como heróis, principalmente aqueles que ficaram na linha de frente da COVID-19.

No Dia do Médico, devemos ficar felizes por estarmos bem avaliados. Mas nem sempre foi assim. Lembro que nos anos 70 e 80, o jornal O Pasquim, se referia à nossa categoria, como a “máfia de branco”. Ao longo dos anos, assistimos ao crescimento de processos contra médicos, muitos devidos a conjunturas alheias às suas vontades, alimentados pela propaganda negativa em várias mídias.

A relação médico-paciente praticamente desapareceu. Agora é Médico – Empresa de Saúde (pública ou privada) - Paciente. É comum eu perguntar a alguns pacientes internados quem é o seu médico, e eles responderem: “Não sei, cada dia passa um diferente para me atender”; isso devido aos grupos assistenciais serem empresas de especialistas, e/ou outras associações corporativas.

A pandemia acelerou a tendência mundial da telemedicina. Se por um lado a tecnologia ajuda a ampliar o alcance da medicina, por outro, contribui para tornar a relação médico-paciente ainda mais distante.

Nos Estados Unidos, a gigante de vendas Amazon está entrando na área de saúde, usando a Inteligência Artificial. A Walmart, em hipermercados, oferece check-up a U$ 75,00, enquanto você vai às compras, com resultados em 1 hora. Em São Paulo, consultas virtuais já são oferecidas a R$ 35,00.

Dificilmente seremos os mesmos daqui para frente. No futuro próximo, as máquinas assumirão grande parte do nosso trabalho. Quem sabe até com mais eficiência. Mas nada substituirá o toque das mãos, o contato físico e a proximidade, tão importantes para o ato de curar, a alma e o corpo. Temos a humanidade, o coração e a compaixão que o bom médico aprende na escola médica e desenvolve ao longo da vida com a experiência cativante da profissão.

Ser médico é compreender que somos relevantes no processo de cura. Que devemos continuar a estudar para sempre, a questionar as verdades temporárias, a enfrentar as dificuldades e a buscar, permanentemente, nos aproximar do ser humano à nossa frente.

Essas condutas manterão acesa a chama do nosso ideal, com uma consciência viva, plena e necessária para prestar a melhor ajuda possível, em qualquer situação.

Viva o dia 18 de outubro! Nosso dia. O Dia do Médico – O Homem do Ano 2020.

*Jackson Noya Costa Lima é Médico Clínico Geral e Professor de Medicina da UFBA

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