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MÍDIA

Visita de Uri Geller a Salvador rendeu até música dos Novos Baianos

As supostas habilidades paranormais do israelense naturalizado inglês atraiu um público numeroso na capital baiana

Cleidiana Ramos
Por Cleidiana Ramos
No TCA, Uri Geller fez número de levitação com ajuda do público. Data: 31/8/1976
No TCA, Uri Geller fez número de levitação com ajuda do público. Data: 31/8/1976 - Foto: Cedoc A TARDE

Cleidiana Ramos

Para o Carnaval de 1977, o grupo Novos Baianos lançou um compacto, a mídia analógica que hoje pode ser comparada a um single em plataformas de streaming. Era uma forma de apostar em uma canção com potencial para viralizar. A escolha do grupo que era expert em experimentações foi a canção Pra lá de Uri Geller e dá uma medida do que foi a passagem do autointitulado paranormal pela capital baiana em agosto do ano anterior por meio de uma promoção de A TARDE em parceria com a TV Itapoan.

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A letra da música, de autoria de Luiz Galvão e Pepeu Gomes, é uma excelente peça de humor sobre as habilidades que tornaram Uri Geller famoso:

Você já tá muito pra lá de Uri Geller/você muito pra lá...

Pule meu nêgo! Pula minha nêga!

Que as cadeiras da mulata já estão tortas, tá tá tá tá tá.

E o carnaval são três dias num segundo/e puri, purinquanto, Uri, Uri, Uri.

Entorta faca, garfo e colher/e ainda espalha que é louco por mulher!(bis)

Uri Geller era um fenômeno de mídia já no início da década de 1970 e, óbvio em meio a muitas polêmicas. Sua habilidade mais conhecida era a de entortar garfos e colheres supostamente com o poder da mente, mas também reivindicava poderes de telepatia e de telecinese, ou seja, fazer objetos voltarem a funcionar sem tocar neles, especialmente os relógios.

Sua ascensão foi no contexto de popularização da parapsicologia, um campo dedicado a estudar esses fenômenos e que no Brasil teve como maior expoente o padre Oscar Quevedo. E em meio a muitas polêmicas entre ditos paranormais e céticos, a indústria cultural esteve fortemente atuante. Ainda hoje há ecos desses embates, afinal um dos sucessos da atualidade é a série Stranger Things, produção da plataforma de streaming Netflix. O pano de fundo da história é o poder da paranormalidade para influenciar até na geopolítica, aliás algo que Uri Geller garante, em seu perfil oficial, que fez com serviços prestados à CIA e ao FBI.

A passagem de Uri Geller por Salvador e as polêmicas em torno da paranormalidade estão em destaque na edição de A TARDE Memória dessa semana. A TARDE Memória é um projeto de conteúdo multimídia em canais do Grupo A TARDE, como A TARDE FM (às sextas-feiras), Portal A TARDE e Jornal A TARDE (aos sábados). As histórias de A TARDE Memória são baseadas em peças do acervo do Cedoc A TARDE.

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