Vendas de motos crescem 30% e batem recorde no país
Mercado de duas rodas aumenta no trimestre; Nordeste ocupa o segundo lugar em vendas

As vendas de motocicletas seguem aquecidas e o resultado do primeiro trimestre superou as expectativas, com alta de 21,4% na comparação com o mesmo período do ano passado (327.139 unidades). De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foi o melhor resultado para os três primeiros meses do ano, desde 2014, que contabilizou 412.173 motocicletas vendidas.
Já o levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), aponta que o setor de motos fechou o primeiro trimestre com o melhor resultado dos últimos 10 anos, contabilizando um crescimento de 29,97% em relação mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e março, 357.062 motocicletas foram emplacadas no Brasil. A alta é de 38% quando comparado o período pré-pandemia.
Em março, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 152.450 unidades. O volume é 11,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado (136.350 motocicletas) e 25,3% maior em relação a fevereiro (121.703 unidades). Ainda segundo a Abraciclo, esse foi o melhor resultado para o mês desde 2012 (179.451 motocicletas) e o melhor desempenho em meses consecutivos desde novembro de 2013 (156.044 unidades).
Na Bahia, executivos das principais revendas da Honda e Yamaha celebram os bons resultados e mantêm alta a expectativa para o próximo trimestre. Por conta do aquecimento da demanda, os estoques não estão muito altos e ainda há fila de espera para alguns modelos. “Os estoques já estão se regularizando na maioria dos modelos, mas não em todos, as scooters e as motos de alta cilindrada, que possuem mais tecnologia, ainda sofrem com a falta de componentes eletrônicos produzidos na Ásia”, explica o sócio diretor do Grupo Motofácil (Yamaha), Cláudio Cotrim.
“Consequentemente, ainda temos fila de espera nesses modelos, destinados a um público consumidor mais exigente, que utiliza o seu veículo de forma mista, com o trabalho e o lazer”, explica. Cotrim destaca que “as fábricas estão chegando ao seu limite máximo de produção, e a vazão destes produtos está suprindo uma demanda reprimida, que perdura desde a pandemia de 2020”.
“A dúvida agora é se o mercado continuará consumindo com a mesma voracidade de março, algo que já não está se refletindo em abril, então a tendência natural é a regularização dos estoques, com os clientes voltando a encontrar motocicletas para pronta-entrega e um melhor preço, provocado pelo aumento da oferta”, pontua.
No primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2022, o Grupo Motofácil registrou um crescimento de cerca de 35% no seu resultado. “Celebramos a inédita superação da marca das 700 motos 0 Km entregues em março de 2023. Este recorde tem um simbolismo diferente para a nossa equipe, não só pelo número alcançado, mas pela confiança do nosso time, que agora foca na incrível marca das 1000 motocicletas faturadas em um único mês”, conta. “A Yamaha foi a marca de motocicletas do Brasil que mais cresceu no trimestre, fruto de uma gestão focada na melhoria contínua dos produtos e no melhor atendimento aos nossos clientes”.
“Para o mês de abril, estamos percebendo uma queda nas vendas, um maior número de fichas de financiamento reprovadas, e uma análise mais reticente dos clientes. Com o crescimento do grau de endividamento da população, em paralelo à alta taxa de juros, o cliente está fazendo mais conta, analisando mais”, explica Cotrim.
Embora não revele os números, o diretor comercial do Grupo Motopema (Honda), Kidy Cordeiro, afirma que o grupo bateu recorde de vendas no primeiro trimestre. “Continuamos com uma venda muito forte na modalidade de consórcio, porém, observamos grande crescimento do financiamento e um grande interesse dos bancos nesse segmento”, comenta.
“Tivemos um crescimento fantástico e sustentável, acreditamos que o produto motocicleta continuará crescendo e se consolidando como uma solução para os problemas diários de deslocamento que temos nos grandes centros do Brasil”, afirma Cordeiro.
“Acredito que em abril devemos ter uma retração em relação a março, devido aos feriados e por ser um mês mais curto, porém, acreditamos em um crescimento em relação ao mesmo mês do ano passado”, completa.
Liderança
Os dados da Fenabrave apontam que a Honda mantém a liderança, por mais de 50 anos. A fabricante japonesa vendeu no trimestre 252.141 unidades, fechando uma participação de 70,62%. No entanto, a Honda perdeu quase 8% de seu mercado desde a pré-pandemia, suas vendas no trimestre cresceram 22,90% ante 2022 e 23,94% em relação ao período pré-pandemia.
De acordo com os dados da Fenabrave, compilados pelo consultor Marcelo Cavalcante, em artigo da Move News, “a Yamaha foi justamente a marca que absorveu parte do mercado da Honda, sua participação no trimestre fechou em 19,28%, a melhor dos últimos 10 anos, suas vendas totais anotaram um crescimento de 36,27% em relação ao ano anterior e 93% na comparação com o período pré-pandemia”. A liderança na venda de motos eletrificadas é da Voltz.
“Os modelos mais vendidos no Brasil são disparados os da linha CG (Star/FAN/Titan), esses modelos proporcionam uma grande economia de combustível, baixo custo de manutenção e baixo custo de aquisição, são modelos ideias para o uso diário e os mais buscados por quem usa a motocicleta de forma profissional”, explica Kidy Cordeiro, do Grupo Motopema (Honda).
“Outra linha que vem crescendo muito são os modelos scooters, motocicletas práticas para quem busca a moto como uma alternativa para deslocamentos diários, sem abrir mão de conforto e design mais moderno; nesta linha os modelos mais vendidos são a PCX e a Elite”, comenta. Ele esclarece que embora os volumes de produção estejam altos, o contínuo crescimento da demanda faz com que para alguns modelos ainda haja fila de espera.
Nordeste
Em termos porcentuais, a região Norte foi a que registrou o maior crescimento no primeiro trimestre, segundo a Abraciclo. Foram emplacadas 45.736 motocicletas, volume 50,2% maior que o registrado no mesmo período do ano passado (30.444 unidades).
Já em números absolutos, a liderança é do Sudeste (137.923 motocicletas licenciadas e 38,6% total do mercado). Em segundo lugar, ficou a região Nordeste (105.667 unidades e 29,6% do mercado), seguida pelo Norte (45.736 motocicletas e 12,8%), Centro-Oeste (34.728 unidades e 9,7%) e Sul (33.155 motocicletas e 9,3%). Para o presidente da Abraciclo, Marcos Antonio Bento, a indústria deve conseguindo o equilíbrio entre a oferta e a demanda nos próximos meses.
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