ACM Neto larga na frente

Publicado segunda-feira, 06 de dezembro de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 03/12/2021, 19:07 | Autor: *Cláudio André de Souza

Quinta passada, 2, num Centro de Convenções de Salvador lotado para o lançamento de sua pré-candidatura ao governo baiano, o ex-prefeito ACM Neto (DEM) deu mais um passo na estratégia política minuciosamente elaborada que antes passou pela fusão do DEM com o PSL num novo partido, com reserva de um fundo eleitoral de cerca de R$ 320 milhões, e pelas visitas a diversos municípios importantes do estado para movimentar a sua base e abrir conversa com os grupos políticos locais, algo essencial para que as disputas municipais não atrapalhem a corrida ao Palácio de Ondina.

As conversas de Neto com os pré-candidatos a presidente deixam em aberto a formação de seu palanque no estado. Com Bolsonaro, passou a trabalhar para abrir espaço ao seu lado para os aliados do presidente e para que o presidente não emplaque o Ministro João Roma como candidato bolsonarista no estado. Com indícios de que teremos a disputa estadual mais acirrada do Brasil, uma terceira via na Bahia só se viabiliza operando uma clivagem eleitoral e partidária significativa. Na política, quase sempre, somar é melhor que dividir.

Além da agenda com visitas de lideranças políticas a seu gabinete, ACM Neto tem cuidado pessoalmente da tarefa de estudar quais são os principais problemas do estado, o que passa pela geração de pesquisas qualitativas e quantitativas periódicas. Apesar disso, no evento da semana passada, faltaram análises diretamente relacionadas a cada região do estado. Neto escolheu reiterar, de forma generalizada, o legado negativo dos 15 anos de governo petista na Bahia, em especial os resultados pífios na educação e na segurança pública.

Na extensa fala de Neto para centenas de apoiadores e lideranças, ficou clara a moderação quanto ao antipetismo. Sinais de republicanismo? Também. Mas trata-se de um cálculo político; sua vitória em 2022 depende da atração de aliados locais (nos municípios) e de partidos que marcharam, até aqui inclusive, apoiando os governos petistas.

Ponto alto do evento, com grande repercussão na imprensa e nas redes sociais, na falta de um candidato a presidente forte na Bahia para caminhar desde já ao seu lado: a pré-campanha de Neto repaginou o jingle “ACM meu amor”, que marcou a campanha de ACM em 1990, quando se elegeu governador da Bahia depois da derrota acachapante nas eleições de 1986 para Waldir Pires. Para se contrapor à força de Lula no eleitorado baiano, o ex-prefeito resgata no jingle o legado do avô, unindo a trajetória dele à sua. Se o velho carlismo autoritário se metamorfoseou em pós-carlismo sob a liderança eleitoral e partidária de Neto sob os ventos da democracia, as próximas eleições serão o maior teste do “novo carlismo” nos últimos anos.

*Cláudio André de Souza é professor Adjunto de Ciência Política da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e um dos organizadores do “Dicionário das Eleições” (Juruá, 2020). E-mail: [email protected]

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