Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > CONJUNTURA POLÍTICA

CONJUNTURA POLÍTICA

Disputa eleitoral nos territórios baianos

Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira, 18

*Cláudio André de Souza
Por Cláudio André de Souza
| Atualizada em
Urna eletrônica
Urna eletrônica -

Ao analisarmos os dados eleitorais da série histórica na Bahia e os resultados do segundo turno para governador e presidente em 2022, o presidente Lula venceu nos 27 Territórios de Identidade da Bahia no segundo turno de 2022. Todos eles, com média de 72,9% e piso de 55,6% no Extremo Sul, o território que menos votou no presidente. Nos 22 territórios em que Jerônimo Rodrigues venceu, a média de Lula foi de 75%, 14,3 pontos acima do governador, o que dá uma dimensão do problema que ACM Neto enfrenta desde a pré-campanha.

O ex-prefeito de Salvador venceu em 5 dos 27 territórios. Em apenas um deles, o Metropolitano de Salvador, a margem foi expressiva: 61,3% com 22,6 pontos de vantagem sobre Jerônimo. Nos outros quatro, a margem média foi de 2,3 pontos, o que equivale, na prática, a vitórias que qualquer variação de conjuntura pode levar a um equilíbrio na disputa eleitoral. O Território Metropolitano concentra 24,4% do eleitorado baiano, o que resta a Neto fora da capital é uma base mais propensa ao voto que cobre apenas 16,8% dos eleitores do estado. Os 22 territórios perdidos para o petista respondem por 58,8% do eleitorado, com margem petista média de 20,7 pontos.

Tudo sobre Conjuntura Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Com este mapa do voto, para ACM Neto governar a Bahia, precisará reverter pelo menos seis desses territórios e enfrentar a natureza do lulismo baiano como preditor eleitoral. Nos territórios onde Lula superou 78%, Jerônimo ultrapassou os 65%. Na Bacia do Paramirim, Lula alcançou 82%, Jerônimo obteve 67,3%. No Semiárido Nordeste II: 81,2% e 64,9%. Em Itaparica: 80,8% e 66,1%. Já nos territórios onde Lula ficou abaixo de 62%, ACM Neto venceu e o interior baiano vota a favor em um viés sedimentado em cinco mandatos petistas consecutivos, não apenas contra um adversário, o que configura o lulismo na Bahia como um fenômeno de representação política.

Esta radiografia de Lula e Jerônimo na Bahia é o que ajuda a explicar a estratégia em torno de mais uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP) da chapa petista nos territórios. O erro central de ACM Neto, por sua vez, foi dar largada em seu programa de governo bem longe da Bahia, em Goiás e São Paulo, ou seja, uma estratégia exógena para uma disputa que se decide nos territórios, sendo os quatro maiores em proporção de eleitores, o Metropolitano de Salvador (24,4%), o Portal do Sertão (6,4%), Sudoeste baiano (5,1%), Litoral Sul (4,9%) e Sisal (4,4%).

Diante de uma disputa contra a hegemonia do lulismo, ACM Neto nunca esteve tão perto do bolsonarismo, o que dificulta a sua pré-campanha em aumentar a força na relação com o interior. Vai bastar vencer nas grandes cidades para ganhar as eleições ou dependerá de um trabalho mais forte no interior e nos principais territórios?

*Professor adjunto de Ciência Política da Unilab e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

ACM Neto Bahia Jerônimo Rodrigues Lula

Relacionadas

Mais lidas