CONJUNTURA POLÍTICA
O tamanho da crise de Flávio Bolsonaro
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira


As pesquisas Datafolha e AtlasIntel em campo depois dos áudios divulgados entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro consolidou o tamanho da crise no bolsonarismo. Os danos à candidatura de Flávio ainda estão em fase de mapeamento e projeção de cenários. No Datafolha, o senador caiu de 35% para 31% na intenção de votos do primeiro turno, enquanto Lula subiu de 38% para 40%. A diferença percentual saltou para 9 pontos percentuais. O problema de Flávio está onde a pré-campanha apostava para crescer: entre evangélicos, onde caiu de 49% para 42%; entre jovens adultos de 25 a 34 anos, que recuaram 11 pontos; no Sul, de 48% para 35%; e entre bolsonaristas que se declaram moderados, grupo que despencou de 53% para 40% em uma semana.
A AtlasIntel também mostrou que entre os eleitores evangélicos, a queda de Flávio foi de 14 pontos percentuais, de 65,4% em março para 50,9% em maio. No mesmo período, Lula subiu de 14% para 25% entre esses eleitores. Trata-se de um segmento sobre o qual a candidatura de Flávio construiu parte relevante do seu capital político em relação ao campo lulista. A série da AtlasIntel no segundo turno simulado mantém Flávio com 41,8% contra 48,9% de Lula, ou seja, Flávio caiu 6 pontos, uma perda de 12% do seu eleitorado.
A verdade é que as conversas entre Flávio e Vorcaro impactaram eleitores convictos e pragmáticos e também a tese oportunista de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro representaria um bolsonarismo mais moderado e “republicano”, uma linha de argumento do grupo de ACM Neto em legitimar a sua aliança com Flávio Bolsonaro na Bahia nas eleições de 2026. Vale ainda lembrar que o cerco ao Senador Ciro Nogueira nas investigações da PF sobre o Banco Master nas últimas semanas arrasta para o caos a Federação União Progressista (União Brasil e PP) liderada pelo senador do Piauí.
Soma-se a isso, que o Datafolha ainda registrou um novo cenário de aprovação e desaprovação de Lula, que agora estão empatadas em 48%, depois de meses com a desaprovação dominando. No Datafolha, a avaliação positiva do presidente Lula subiu de 30 para 32% e na AtlasIntel, a avaliação negativa caiu quase 3 pontos, isto é, dois sinais de que pode estar em curso uma tendência de melhora do governo a curto prazo.
A hipótese é que a batalha aberta do governo dentro e fora das redes sociais nas últimas semanas criaram um ambiente favorável ao governo exatamente quando a oposição está mergulhada em uma crise sem precedentes, lembrando que a direita convergiu para legitimar a longo prazo a liderança da família Bolsonaro no campo de oposição ao lulismo e agora se vê sem grandes alternativas. Afinal, como confiar em um pré-candidato a presidente íntimo da maior fraude bancária da história do Brasil?
*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]