Qual a sua preferência partidária?
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira, 13

A preferência partidária é um dos conceitos centrais da ciência política para compreender o comportamento no ambiente eleitoral. Diferente da intenção de voto, que oscila ao sabor da conjuntura, a preferência partidária mede a identificação afetiva e simbólica do eleitor com uma determinada organização partidária, sendo que o conceito sugere que essa identidade funciona como âncora cognitiva que orienta escolhas mesmo em cenários truncados de incerteza.
No Brasil, a ausência de partidos programáticos robustos dificultou por décadas a formação de lealdades estáveis, exceto a força histórica contínua do PT, um player por décadas nas eleições presidenciais. Para as eleições deste ano, PT e PL consolidaram-se como os dois únicos partidos com identidade eleitoral de massa, um fenômeno alocado no perfil das lideranças de ambos os partidos (Lula e Jair Bolsonaro) em torno do voto presidencial.
A pesquisa Datafolha de dezembro de 2025 confirmou o PT como o partido preferido de 24% dos brasileiros, mantendo liderança ininterrupta desde o final dos anos 1990. O PL alcançou 12%, seu maior patamar histórico desde 1989, impulsionado pela filiação de Bolsonaro em 2021. Um segundo levantamento do instituto revelou que 74% dos brasileiros se identificam com um dos dois campos políticos: 40% alinham-se ao lulismo/petismo e 34% ao bolsonarismo. Chama a atenção os eleitores “sem torcida” e pragmáticos, um desafio de como serão tocados pela polarização.
A pesquisa Ipsos-Ipec de março de 2026, confirmou a liderança petista: PT com 27% e PL com 19%, sendo que 32% dos brasileiros declararam não ter preferência por nenhum partido, o maior grupo isolado da pesquisa, o que aponta para o fato que os eleitores "órfãos" de uma relação mais sólida no âmbito partidário decidirão quem será o próximo presidente eleito brasileiro. A Quaest usa metodologia semelhante, mas busca agregar a análise diretamente no campo ideológico. Em março deste ano, 33% do eleitorado se identificava como lulista ou de esquerda não lulista, 32% independente e 33% eram eleitores de direita não bolsonarista ou identificava-se com o bolsonarismo.
A nossa hipótese é que a força do lulismo e do petismo funcionam como fenômeno combinado diante de uma densidade militante mais orgânica e engajada, para além das redes sociais e mais próxima do chão da sociedade, exatamente a barreira estrutural que levará o bolsonarismo a ser testado nestas eleições, no tocante a consolidar o PL como uma máquina partidária eficiente com vida própria no mundo das ideologias políticas. Neste quesito, o PT é o único partido longevo na nossa democracia e que prioriza as disputas presidenciais desde 1989, o que explica a identidade e a preferência partidária entre os eleitores.
Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]
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