Esquadrão de Aço - Duas caras

Já está claro, com quase um quarto da Série B concluído, que o Bahia tem apresentado duas caras bem distintas. Uma quando atua na Fonte Nova, e tem 100% de aproveitamento em quatro partidas, e outra longe de Salvador, com apenas 26,7%, com um triunfo e quatro pontos em cinco rodadas. Tudo isso já vem sendo falado há algum tempo e ganhou ainda mais destaque após a derrota contra a Tombense, na pior atuação da equipe nesta competição. Como no futebol há uma forte tendência ao personalismo, é comum ouvir que os times de Guto não vão bem fora de casa. Infelizmente, essa é uma característica histórica do Bahia, com algumas temporadas de exceção, e não vai apenas na conta do treinador.
O desempenho do Esquadrão como visitante em Brasileiros com Guto no comando realmente não é animador, com apenas 22,3% dos pontos disputados em 31 jogos. Fora do Bahia, entretanto, as equipes treinadas por ele não costumam ter desempenhos tão ruins fora de casa. Desde 2012, ao todo, o treinador ganhou 37,9% dos pontos em Brasileiros das duas principais divisões. Mais especificamente, em 65 partidas de cinco edições da Série B, o aproveitamento de Guto é de 49,23%. O desempenho geral dele é superior ao total do Bahia desde 2001 nas Séries A e B, com 29,4% de aproveitamento, provenientes de 72 triunfos, 87 empates e 184 derrotas. Esse desempenho histórico tricolor é, portanto, pouco superior aos atuais 26,7%.
Tudo dito, isso não tira a responsabilidade de Guto, para que corrija os problemas e faça com que o Bahia melhore o desempenho fora de casa, sem perder o poderio na Fonte. Em algumas temporadas de exceção, o Tricolor teve destaque como visitante, o que serve de inspiração. O melhor aproveitamento do clube longe de Salvador em Brasileiros desde 2001 foi no acesso para a Série A em 2010, com 50,8% dos pontos, essenciais para o retorno à elite. Com Renato Gaúcho, foram três triunfos e três derrotas e, com Márcio Araújo, seis triunfos, dois empates e cinco derrotas.
Se o desempenho do Bahia como visitante historicamente costuma ser desanimador, é importante enaltecer a capacidade de Guto de reforçar uma das características tradicionais do clube, que é ser muito forte em seus domínios. Até hoje, ao todo, nas Séries A de 2017, 2018 e 2021 e nas Séries B de 2016 e 2022, o Bahia tem 77,4% de aproveitamento como mandante com Guto no comando, em 31 partidas. Já o clube tem 59,1% dos pontos disputados como mandante nas duas principais séries do futebol brasileiro desde 2001, com 173 triunfos em 347 partidas. Por enquanto, com quatro dos próximos cinco jogos sendo disputados ao lado do torcedor, a expectativa é que o Esquadrão mantenha o bom retrospecto e os 100% de aproveitamento, contra Criciúma, Sport, Chapecoense e Novorizontino.
E a volta de Rodallega no jogo de sábado, contra o Criciúma é uma das notícias que servem para dar confiança na manutenção do desempenho como mandante. O time tem conseguido se segurar no G-4, mesmo com a ausência do principal jogador na temporada. Mesmo assim, o artilheiro, com 12 gols no ano, vem fazendo muita falta, mesmo quando os resultados são bons. O retorno dele pode potencializar também as qualidades dos outros atacantes do grupo.
Não querendo ser chato, é preciso se preparar para a possibilidade de que ele não volte imediatamente com o mesmo nível das atuações do primeiro trimestre do ano, já que não atua desde o dia 8 de abril, quando se lesionou na estreia da Série B, com triunfo diante do Cruzeiro. É preciso paciência, mas deixando um pouco a razão de lado, a torcida é para que ele retorne voando e já volte a balançar as redes, ajudando em um triunfo no sábado.
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