Resenha rubro-negra - Que situação...

Publicado sexta-feira, 29 de abril de 2022 às 06:01 h | Atualizado em 28/04/2022, 20:50 | Autor: Angelo Paz | Jornalista | [email protected]
Fabiano Soares esbanjou confiança em um elenco que só tem respondido negativamente jogo a jogo
Fabiano Soares esbanjou confiança em um elenco que só tem respondido negativamente jogo a jogo -

Como é de conhecimento de todos, a crise na Toca é enorme, da parte esportiva à financeira. E essa semana ambos os pontos ficaram ainda mais evidentes para os rubro-negros. Após perder a terceira partida em três jogos pela atual Série C, o clube anunciou o novo executivo de futebol, Rodrigo Pastana, profissional que acumula passagens por diversos clubes brasileiros, atritos com jogadores e dirigentes, e também êxitos, como fez questão de frisar ao citar os cinco acessos no currículo, sendo dois da Série C para a B e três da B para a A. Vamos na sequência: Barueri (2008), Criciúma (2012), Figueirense (2013), Paraná (2017) e Coritiba (2019).  

Sua missão agora é reconduzir um time que parece perdido cada dia mais. Para ser exato, que está na 18º colocação da Série C, cinco pontos atrás do Paysandu, oitavo,  último da zona de classificação à segunda fase da competição, que nesta primeira fase é de tiro curto. Sua principal decisão até aqui ocorreu antes mesmo da chegada a Salvador, com a contratação do técnico Fabiano Soares, pouco conhecido pelo grande público da bola, mas que esbanjou confiança em um elenco que só tem respondido negativamente jogo a jogo. “Estou seguro de que vamos começar a ganhar a partir de sábado”, projetou em sua apresentação no Barradão, onde estreia amanhã contra o Manaus.  

Uma confiança que vem da ideia de implementar um jogo ofensivo, agressivo, completamente diferente do perfil de Geninho, que há dois meses também chegou confiante em reverter a situação. Não durou mais do que quatro jogos. Soares chega precisando lidar com um histórico de demissões do clube, que trocou de treinador 12 vezes nos últimos três anos. E, obviamente, para escapar dessa arapuca, precisa tirar leite de pedra, mesmo sem tempo para implementar o tal modelo de jogo que tanto confia.  

O treinador iniciou a carreira em 2008 e tem como seu principal momento a passagem em 2017 pelo Atlhetico-PR, do qual acabou demitido com a marca de ter tido o pior aproveitamento entre os técnicos que haviam comandado o clube paranaense naquela década: 42,8%, frutos de 10 vitórias, sei empates e 12 derrotas. Como chega em um time com 0% de aproveitamento, vai precisar se superar e muito nessa árdua missão de recolocar o Vitória na Série B em 2023.  

Para tal, o treinador chega engajado no discurso do já mencionado Rodrigo Pastana, que em sua apresentação também usou uma frase de efeito, ao destacar que o Vitória precisa “mostrar quem é a equipe grande da Série C”.  Um grande repleto de problemas. De ordem do elenco, que é o que lhe cabe, precisa reajustar um grupo que conta com 39 jogadores, mais de três times. Ao todo, o clube contratou 25 jogadores para a temporada, incluindo Jadson, que vive impasse sobre sua saída do clube desde o início dessa semana. Dispensas e contratações ainda estão entre as missões de curto prazo para o gestor.  

Por falar em curto prazo, 58% da dívida do Vitória é de curto prazo (R$ 160 milhões do total de R$ 272 milhões), de acordo com o balanço publicado pelo clube na última terça-feira. Isso significa que o Vitória precisa pagar esse montante em até um ano. A questão é que o clube, segundo o balanço, só tem R$ 8,2 milhões. Uma situação que se deteriorou, significativamente, no ano de 2021, quando houve um salto de 126% da dívida de curto prazo:  de R$ 71 para R$ 160 milhões. Um rombo de R$ 42 milhões que levou a empresa responsável pela auditoria a indicar “a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do clube”. A situação é grave. Muito grave. Em todos os aspectos.  

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