A história que está aí: campanha presidencial virou baixaria total
Brasil vive nos últimos tempos situações atípicas

2022 já tem um capítulo reservado na história. Vai ser o ano da maior baixaria numa disputa presidencial, mais ainda, com a pauta sendo ditada pelo presidente da República e seus seguidores.
É aí que entra o amigo Jorge Valentino, há mais de 20 anos morador do Porto, em Portugal, que pergunta: como pode um cidadão com um perfil que sempre premiou o ódio e os xingamentos no trato com a vida chegar a ter o maior cargo de um país?
Convenhamos, meu preclaro. O Brasil vive nos últimos tempos situações atípicas. Em 2018 Bolsonaro, com um partideco, o PSL, apenas 8 segundos de tempo de rádio e tevê levou uma facada a um mês da eleição, ganhou as atenções de todas as mídias, 24 horas por dia, sem abrir a boca e por motivo justo. Chegou lá. Agora presidente, usa o poder sem pudor, até para invadir festas religiosas e transformar atos solenes em comício que acabou badernado.
Aparecida —Jorge se diz perplexo com ‘a invasão’ da festa de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. E também com o crescimento da xenofobia, cá contra nordestinos, lá contra brasileiros em geral.
Ele, que é baiano de Salvador, nordestino portanto, diz temer pela falta de opções futuras, já que lá em Portugal a xenofobia e o racismo contra brasileiros são frequentes e crescentes.
Acalme-se, Jorginho, não há nada tão ruim que não possa ser pior. Você já viu um deputado xingando o arcebispo (Dom Orlando Brandi) e o Papa de vagabundo? É o fundo do poço na política, mas é isso.
Zé Ronaldo larga coordenação para correr atrás do prejuízo
Quando Zé Ronaldo foi rifado da vice de ACM Neto, disseram lá em Feira de Santana que a indicação dele como coordenador da campanha foi prêmio de consolação. Ontem, quando anunciou que deixa a função para ‘se fixar mais em Feira’, deixou claro o rumo óbvio, não é rompimento e sim estratégia.
E será mesmo, ou ele está jogando a toalha? Quarta-feira última um jornalista feirense top já dizia:
— Lá vem bomba por aí. Zé Ronaldo vai largar a coordenação da campanha de ACM Neto. Até o fim de semana vai acontecer.
Aliás, os confrades feirenses dizem que Ronaldo tem tudo para ficar insatisfeito. Neto ganhou lá, mas apertado, 40.555 (42,87%) contra 135.134 (41,21%) de Jerônimo. De quebra, Zé Chico (UB) e Carlos Geílson (SD), candidatos a federal e estadual por ele apoiados, perderam.
Lista da OAB sem surpresa
A lista de seis nomes que os advogados ligados à OAB-Ba elegeram para enviar ao TJ a fim de escolher o novo desembargador não teve maiores surpresas.
Germana Pinheiro, Carina Cangussu, Josemita Rebouças, Carlos Magnavita, Antonio Adonias e Vivaldo Amaral eram nomes já muito citados. A lista segue para o TJ, que elege três e manda o governador escolher um, no fim o voto que prevalece.
Ivana Bastos quer ser a 1ª mulher a presidir Alba
Após ter sido a mais votada, com 118.417 sufrágios, nas eleições deste ano, a deputada Ivana Bastos (PSD) também quer ser protagonista de outro fato relevante na política baiana, tornar-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa.
A eleição será em 2 de fevereiro do próximo ano, logo após a posse dos eleitos deste ano, mas desde já ela dá o lembrete:
—Apenas nosso nome está à disposição.
Ivana é muito amiga do colega Adolfo Menezes, o atual presidente, que já admitiu a disposição de tentar novo mandato . Otto Alencar, senador reeleito, presidente do PSD, resolve o caso. Os dois são amigos dele.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Esquerda e direita
Contam que Juan Domingo Peron, então ex-presidente da Argentina, passava conselhos para a filha, Isabelita, que estava em vias de assumir a Presidência da República:
“Minha filha, em política fale muito sobre coisas, pouco sobre pessoas e nunca sobre você”.
A história aí foi contada por Fernando Morais na Folha de São Paulo, dizendo ter sido evocada por Ulysses Guimarães, arauto da luta contra a ditadura militar e presidente da Assembleia Nacional Constituinte que promulgou a Constituição de 1988, que ainda vigora.
Ele contou isso para reverenciar as artimanhas do jogo político visando ampliar as suas chances de mais acertos.
E por aí contam que lá um dia ele ia saindo da Esplanada dos Ministérios, no primeiro cruzamento o motorista parou e perguntou:
— Esquerda ou direita, Dr. Ulysses?
Parou, pensou, mandou:
— Sinaliza à esquerda, mas dobre à direita.
Naquele tempo o que contava era a habilidade.
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