LEVI VASCONCELOS
Até parece que o MST está para Lula como os acampados para Bolsonaro
Cenário do momento ilustra bem a configuração da máxima: extremista, direitista ou esquerdista


Até parece que o Movimento dos Sem Terra, o MST, se aquietou na era Bolsonaro e na volta de Lula entrou em cena com todo gás. O cenário do momento ilustra bem a configuração da máxima: extremista, direitista ou esquerdista, não por acaso rima com terrorista.
Fica nítido que o MST, à esquerda, reedita os acampamentos bolsonaristas, à direita, ambos os lados praticando atos em nome da política que acabaram e acabam mais parecendo atos de banditismo.
Não por acaso, ontem na Assembleia, no encontro dos produtores rurais que protestavam contra as invasões do MST o ex-deputado João Roma foi efusivamente aplaudido quando anunciado. Óbvio. Ele é quem mais encarna o bolsonarismo, que significa o antipetismo.
Radicalismo —E sabe como o MST respondeu, sabendo que teria esse evento ontem na Alba? Com três invasões, em Juazeiro, Jaguaquara e Guaratinga, o primeiro no norte, o segundo no meio do caminho entre norte e sul e o terceiro no sul.
Por que será, Lula via Rui Costa não está dando a devida atenção ao MST como dizem? E João Pedro Stédile, o líder nacional do MST não foi para a China como convidado de Lula? Ou simplesmente Stédile e cia acham que com o PT no poder fica mais fácil agir (leia-se invadir)?
Seja lá o que for ou como for, esse tipo de situação é ruim para o rumo da civilidade na convivência social e política. Só faz aguçar o ódio, um sofrimento para nós, que assinamos e carimbamos as palavras de Caetano Veloso: ‘Não gosto de radicais. E para não dizer que não sou radical em nada, sou radicalmente contra radicais’.
Osmar volta para o banco
O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana fará hoje (16h), no Bradesco da Rua Conselheiro Franco, um ato de reintegração do bancário Osmar Ferreira, 81 anos, preso e algemado na agência do Banco da Bahia (hoje Bradesco), onde trabalhava 59 anos atrás por agentes da ditadura militar.
Hoje será a reintegração determinada pelo Superior Tribunal do Trabalho 50 anos depois que o grupo Tortura Nunca Mais entrou na justiça.
Pablo está correndo atrás
O deputado Pablo Roberto, do PSDB, traçou uma agenda para visitar os quatro principais prefeitos dos 15 que o partido dele elegeu em 2020 para traçar linhas de ação visando a disputa da Prefeitura de Feira de Santana ano que vem.
Os alvos: Suzana Ramos, de Juazeiro, Genival Deolino, de Santo Antonio de Jesus, João Gualberto, de Mata de São João, e Alberto Castro, de Dias D’Ávila. Pelo menos rende mídia.
Comendas a gatos e afins
No sexto mandato de deputado estadual, trajetória iniciada em 2003, a 20 anos, Paulo Rangel (PT) tirou o pé fora ontem na sessão da Alba quando se falou na concessão de uma Comenda 2 de Julho, a mais alta condecoração da casa.
— Estão banalizando essas homenagens. Qualquer hora dessas vamos comprar comendas e medalhas na feira livre. Quando eu cheguei aqui não era assim, agora entregam a qualquer um.
Iemanjá na encosta do Rio Vermelho, boa ideia
Dizem que boa governança é aquela que baixa as más estatísticas. É o caso da chuvarada que aconteceu nos últimos dias em Salvador, ninguém morreu, o que, aliás, já acontece a mais de dois anos na capital baiano, situação que resulta dos trabalhos da Prefeitura de Salvador e também do governo do Estado numa série de providências que tem a contenção de encostas como um dos seus pilares.
A encosta do Rio Vermelho ontem entregue por Bruno Reis, prefeito de Salvador, traz uma novidade: a bela imagem cravada no cimento de uma Iemanjá negra. Se a moda pegar, trabalhos de contenção vai salvar vidas e também dar retorno imediato ao governante. Uma boa, não?