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LEVI VASCONCELOS

Cássio, o penta em Tóquio, um cego de boa visão

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Por Levi Vasconcelos
Cássio Reis, com a família em Ituberá, a madrasta Rosângela, a mulher Girlene, a filha Liz e o pai José Ramos: a família feliz | Foto: Levi Vasconcelos | Ag. A TARDE
Cássio Reis, com a família em Ituberá, a madrasta Rosângela, a mulher Girlene, a filha Liz e o pai José Ramos: a família feliz | Foto: Levi Vasconcelos | Ag. A TARDE - Foto: Levi Vasconcelos | Ag. A TARDE

Cássio Lopes dos Reis, ou Cássio Reis, 32 anos, um dos três baianos (os outros são Jefinho e Guegueu) que conquistaram em Tóquio o pentacampeonato no Futebol de 5 das Paralimpíadas, é também protagonista de uma boa história, a do cego que tem visão.

Brincadeira nada, é coisa séria. Cássio teve um problema de catarata num olho aos quatro anos, perdeu a visão. O outro, lá um dia bateu na ponta de uma mesa e ficou cego de vez.

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Morando em Salvador, sob os cuidados do Instituto dos Cegos, entrou na seleção do Futebol de 5, já campeão com ele no time em Londres (2012) e Rio (2016). Ano passado correu para Ituberá, sua terra, com a mulher, Girlene Ramos, a filha Liz e o filho Caiky, de 13 anos, fugindo da pandemia. E aí começa novo capítulo.

Vereador — Em Ituberá aproximou-se de Reges Aragão Santos, o Reges (PP), candidato a prefeito que acabaria vencendo. Foi cantado e cedeu para candidatar-se a vereador, topou. A notícia correu, o ataque também. Alguém disparou:

— Se quem enxerga já não faz nada, imagine um cego lá!

Rosângela Ché, madrasta e pessoa com que ele se afina 100% para carimbar seus atos pessoais, agradeceu:

— Muito obrigada, amigo! Você acaba de nos dar o slogan da nossa campanha: é cego, mas tem visão.

Colou. Teve 260 votos pelo PV, o último colocado, mas ganhou. O amigo Régis o convidou para ser secretário de Desenvolvimento Social, Esporte e Juventude.

— Ele disse a mim que eu era uma escolha inteira e pessoal dele, ninguém me indicou. E eu disse a ele que só aceitaria se Rosângela fosse comigo. É a minha parte que enxerga o papel.

Cássio tem o segundo grau e sempre focou os seus esforços para a área esportiva. Mora com o pai e família e diz que a história dele agora prossegue como um novo capítulo. Ano passado a pandemia e a Olimpíada com o tem ou não tem, sugou o tempo. Agora, entra em campo o secretário.

Inclusão — Cássio sentou na cadeira de secretário após a volta de Tóquio, carreatas, festas e chuva de homenagens dos conterrâneos baianos em geral e ituberaenses em particular, na segunda-feira passada.

Mas já sabe o que vai fazer: botar gás nas políticas de inclusão esportivas de carentes em geral e deficientes em particular, o que aliás, implica em também brigar para mudar preconceitos.

— É lamentável quando olham o deficiente com pena. O que nós queremos é respeito. Vamos lutar para abrir oportunidades.

Para tanto, alimenta algumas conversas com gente como Ricardinho, ex-craque do Corinthians que toca o projeto Maestro da Bola, que ele pretende estar e puxar.

Mas a história prossegue com novos capítulos à vista. E em 2024 Cássio estará nas Paralimpíadas de Paris:

— Só faltam três anos. Tenho 32 e me sinto muito bem. Paris que me aguarde.

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