LEVI VASCONCELOS
Ciro Nogueira, o do bem bom em família, agora prega moral, sem ter
Ministro emerge na cena política brasileira como exemplo do político que olha primeiro para o umbigo


Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, senador pelo Piauí licenciado e presidente nacional do PP , emerge na cena política brasileira como grande exemplo do político que sempre olha primeiro para o umbigo, mas ainda sai arrotando falácias em favor do coletivo.
Ontem, ele fez troça nas redes sociais sobre a suposta nomeação de Fernando Haddad como substituto de Paulo Guedes na Economia. As palavras dele: “Sai Paulo Guedes, entra Haddad? Mais ou menos como sai o Neymar, e entra o Seu Boneco. Seleção sim, Tabajara? Ninguém merece!”.
Este ano, Ciro Nogueira não foi candidato a nada. Pegou o partido dele, o PP, botou a serviço de Bolsonaro, licenciou-se do Senado e cedeu lugar à 1ª suplente. Sabe quem? A mãe dele, D. Eliane Nogueira. Disso resulta que ele ficou ministro e a mãe senadora, nada disputou este ano, mas ficou por cima.
Com o PT—Mais que isso, Nogueira é um bolsonarista ortodoxo, mas recém-convertido. Em 2018, ele disputou a reeleição ao lado de Wellington Dias, que venceu a disputa para o governo, hoje é senador eleito e também um dos ministeriáveis do time de Lula no Nordeste. Ciro não foi candidato, mas apresentou um, Sílvio Mendes (UB), tentando derrubar o grupo do ex-aliado Wellington, que tinha como candidato Rafael Fonteles (PT), um desconhecido.
Como ACM Neto na Bahia, Sílvio liderou as pesquisas até a boca da eleição, como a do Paraná, divulgada em 25 de setembro, dando 45,1 contra 34. Perdeu no 1º turno de 57,17% contra 41,62, mas Ciro está aí, e o PP dele se chegando a Lula.
Em todos os tempos houve candidatos com zero voto
Cinco vereadores foram empossados ontem em Muquém do São Francisco, o que representa a maioria, já que a Câmara tem 9.
Todos os cassados são do PSB, aliados da prefeita Mara Rios (PT). Foram substituídos, empossados anteontem, por dois do PP, dois do PV e dois do PL.
Eles foram acusados de ter fraudado a cota de gêneros. Ou seja, no time de mulheres que disputaram uma vaga na Câmara, cinco tiveram zero voto.
Entre os cassados está Alisson Sélis, o mais votado do município, com 599 votos e entre os novos está Marcilene, do PL, com apenas 146. É o que suscita a interrogação de um deputado federal que anda pelo pedaço. ‘Se fez justiça? Não parece’.
O argumento tem lógica: desde que existe eleições, em todos os tempos, sempre teve candidatos com zero voto.
O bom humor de Ubaldino
Mesmo tendo sido derrotado na tentativa de conquistar o quarto mandato de deputado estadual, Carlos Ubaldino, que é pastor da Assembleia de Deus, não perde os humores pelos corredores da Assembleia. Interpelou um grupo com jeito de quem fala sério:
— E você sabe por que está chovendo demais lá em Porto Seguro?
— Não. Por que é?
— Porque Cabral descobriu e esqueceu de cobrir.
Tiago se diz pronto para mais 4 anos na oposição
Eleito pelos jornalistas que cobrem a Assembleia como um dos quatro destaques parlamentares deste ano, o deputado Tiago Correia (PSDB), marido da empresária Ana Coelho, que foi a candidata a vice de ACM Neto, apesar da derrota na majoritária não tem muito do que se queixar este ano:
— Tô pronto para encarar mais quatro anos de oposição. Alguém veio me perguntar se eu poderia apoiar o governo. Só se ele rebolar muito.
Tiago se elegeu vereador em Salvador em 2016 e em 2018 ficou na suplência de deputado com 4.494 votos. Assumiu porque Leo Prates (PDT) se afastou para virar secretário da Saúde e depois se efetivou com a cassação de Marcel Moraes. Este ano surfou nas urnas. Teve 71.986 votos.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Toque zero
Hamilton Celestino, o Tito, jornalista do bom, amigo também do bem, primo de Samuel Celestino, foi militante do velho Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, como chamavam, assim que viu o golpe militar de março de 1964 emplacar, por via das dúvidas arrumou as malas e se mandou para Moscou, onde se sentia mais seguro.
E la estava ele quando viu chegar outro baiano, muito conhecido do Partidão, o velho Gregório, 66 anos, morador de Simões Filho. Naquele tempo, chegou na União Soviética vinda do 3º mundo, a pessoa tinha que fazer uma bateria de exames para aferir supostas doenças venéreas, o que inclui o exame de toque, na próstata.
Gregório pulou fora:
— Nunca deixei essas baixezas comigo. imagine agora que sou avô. Se é obrigado, volto para o Brasil Prefiro a tortura dos militares.
Rolo criado, o problema foi parar no Politiburo, a instância maior do Partido Comunista russo. E de lá saiu a solução: “Fica sem o exame, mas também proibido de manter relações sexuais enqunto lá estiver”.
Gregório topou. E ficou.