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LEVI VASCONCELOS

Da Suiça para a Bahia, questão de excesso lá e cá, no sentido inverso

Andreas Reichmuth, 59 anos, suiço de Lucerna, especialista em auditorias financeiras passou a estar regularmente ao Brasil

Levi Vasconcelos
Por Levi Vasconcelos
Andreas Reichmuth, 59 anos, suiço de Lucerna
Andreas Reichmuth, 59 anos, suiço de Lucerna -

Nas rodinhas de conversas entre nós a Suiça, o pequeno país europeu, pouco maior que Sergipe, 8,6 milhões de habitante, que engloba parte da cadeia montanhosa dos Alpes, é sempre citado como modelo top da civilidade que almejamos. Tudo certinho, respeito pleno entre os convivas, mais suicídios do que homicídios.

Mas Andreas Reichmuth, 59 anos, suiço de Lucerna, especialista em auditorias financeiras passou a estar regularmente ao Brasil, de início forçado agora por opção (nada de trabalho, ressalte-se), diz que essa história não é bem assim. E explica:

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— Duas razões principais. Primeiro, o clima. Lá a temperatura chega a 32 graus negativos, bem pior do que uma geladeira cá. E aqui posso andar de sandálias e bermuda a qualquer hora. E segundo porque lá é tudo muito certinho. Me sinto como num museu. Aqui, não. É tudo à vontade, uma beleza.

contraponto —Andreas diz que enche a paciência a proibição de qualquer tipo de barulho depois das 10 ou ser proibido de lavar carro aos domingos. Estender uma camisa numa janela? Nem pensar.

Ele ressalva que o Brasil era o único país latino-americano que não cogitou estar. Lá pelos anos 2000 estava na Bolívia quando o governo expulsou os estrangeiros, dando prazo curto para eles cairem. Veio para cá às Pressas, passou por Rio e São Paulo, não gostou. Foi a Porto Seguro, decidiu chegar mais ao norte, amancebou-se com Iracy, baiana de Valença, agora tem casa no Guaibim, onde mora.

— No sul do Brasil é mais Europa. Aqui é mais África, me sinto bem melhor.

Eis aí mais uma das ironias da vida. Eles lá, pecam pelo excesso de zelo. Nós cá, pela escassez do dito cujo. Andreas diz que o ideal é os dois se encontrarem no meio. termo.

Bom, mas muito longe

Da sua passagem por Porto Seguro Andreas Reichmuth diz fazer absoluta questão de uma ressalva:

— O lugar é muito bom de se estar, de se viver. ´Mas é longe de tudo. Eu sei que para a maioria é isso que faz a diferença, mas para mim virou um problema.

Além disso, constatou que mais ao norte era mais perto e mais África.

No futebol, céu e inferno

Apaixonado por futebol, Andreas Reichmuth, há mais de 15 anos em terras baianas, diz não entender que a Suiça, cinco vezes menor do que a Bahia, já botou a seleção do país na sua quinta Copa do Mundo consecutiva. E aqui Bahia e Vitória vivem essa penúria.

— Não dá para explicar.

Obs: a Bahia é cinco vezes maior, mas a população lá é oito milhões e cá 15 milhões.

Na Alba, o jogo trincado

A escassez de deputados na Assembleia, inclusive nas sessões híbridas, presenciais e on line, tem uma explicação bastante lógica, a luta pela sobrevivência.

O placar no início do governo de Rui Costa era de 42 a 18 da oposição. Agora está de 32 a 28, mas se diz que das urnas sairá um cenário bastante trincado. Pelas ausências, a situação é única.

O vice de ACM Neto, entre Marcelo Nilo e Edylene

Diz ACM Neto que vai encomendar uma pesquisa qualitativa para definir o vice e por aí, aliados dele dizem que a vereadora Edylene Ferreirinha, de Serrinha e dos Republicanos, emerge com força na disputa com os deputados federtais Marcelo Nilo e Márcio Marinho, ambos Republicanos, e Zé Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana .

Quinta última em Iaçu, com Edylene na caravana, Neto bradou a alto e bom som:

— As mulheres vão mandar no governo!

Os aliados de Neto presentes citaram Edylene como ‘altamente competitiva’. Ela é presidente da União dos Vereadores da Bahia.

O burro da trilha

Conta Sebastião Nery que Marcos Vasconcelos, arquiteto e jornalista, cronista dos jornais O Globo, Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa (morreu em 1989, aos 55 anos, de câncer), sempre visitava sua terra Ubá, em Minas Gerais, também terra de Ari Barroso, compositor, autor de ‘Aquarela do Brasil‘.’

E foi numa dessas incursões a terra natal que lá um dia ele se bateu com um monte de trabalhadores equipados com pás, picaretas, carros de máo e enxadas abrindo uma estrada.

— Qual é o tamanho dessa estrada?

— É bem grandinha doutor. Ela persegue o vale, retorce naquela serra, quebra a gralha da esquerda, enfia em frente até chegar a Ponte Nova, ajeitando os baixos e as cabeceiras.

— Vocês têm engenheiro?

— Não. Aqui a gente solta o burro na frente e o caminho que ele escolher é o melhor, sem discussão.

— Me diga uma coisa. E quando não tem burro, como é que vocês fazem?

— Ah, doutor. Aí não tem jeito. Temos que chamar o engenheiro.

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