Disputa 2026 é o velho Lula contra o velho Bolsonaro travestido com o nome de Flávio
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo, 15

No marketing político se faz principalmente três tipos de pesquisas, a quantitativa, ou quanti, a mais comum, a que mostra intenções de voto e rejeições; a qualitativa, nas quais são expostos pontos positivos e negativos dos candidatos; e as de profundidade, nas quais se busca uma compreensão aprofundada de uma questão.
Uma olhadinha numa quali de 2026 comparada com uma do mesmo período de 2022 constata, sem maiores relambórios, que é quase mais do mesmo. Mudam dois fatos: antes Lula era oposição após ter sido presidente dois mandatos. E o adversário dele era Jair, agora Flávio, mas ambos Bolsonaro.
Herança maldita –Hoje Lula tem como pontos positivos o combate à fome e à pobreza e o sucesso na política externa. Como negativa, a corrupção que aflorou com o Mensalão e depois com a Lava Jato, mais a dificuldade na articulação política com o Congresso.
Esse item emerge na cena como uma herança maldita da era Bolsonaro, o Jair, que se dizia contra o toma lá dá cá, e teve que jogar o jogo que não sabia jogar se arreganhando todo, o que resultou num crescimento das emendas parlamentares de R$ 5 milhões para R$ 50 milhões, obra de Arthur Lyra, deputado paraibano que era o presidente da Câmara.
Por conta da tal herança ele não esteve bem avaliado nos dois primeiros anos do governo, até que, ano passado, Donald Trump, o presidente dos EUA, baixou o tarifaço que o fez conquistar pontos positivos pela forma da reação.
A mesma questão internacional que o ajudou agora é uma ameaça, também provocada por Trump. A guerra por ele deflagrada contra o Irã bateu forte nos combustíveis e isso pode resultar em inflação, especialmente com a alta nos preços dos alimentos.
A questão em aberto que pode influenciar cá: até onde isso vai chegar?
Herança bendita –Já Flávio tem de positivo ter herdado e incorporado bem o legado político do pai, que agregou a extrema direita e a direita num mesmo pacote. É o filho mais velho de Jair Messias, e esbanja a lealdade familiar, o que lhe dá a condição de candidato competitivo mesmo contra Lula.
Tem também de bom a capacidade de articulação no Senado, mas também aí começa o seu cabedal de desvantagens quando afasta da possibilidade de aliança setores que não engolem o discurso histriônico que muitas vezes parece raivoso.
Na Bahia – Historicamente o sul do país sempre ostentou uma postura colonialista com o Nordeste. O pessoal do Agro não gosta de Lula por conta das invasões do MST e da postura pró-indígena na eterna disputa por terras, mas tem também o lado dos abençoados contra os paus de araras.
As pesquisas apontam que essa discriminação se dá dentro do próprio PT, já que nos dois primeiros mandatos de Lula o Nordeste dava os votos, mas quem dava as cartas eram os petistas sulistas, mais os paulistas.
É por isso que Rui Costa na Casa Civil recebe tanta porrada. Lula sempre olhou para os nordestinos e por isso sempre venceu cá. Os feitos mais visíveis estão no campo da educação, com a expansão de universidades (a Bahia ganhou mais cinco).
Embora os aliados de ACM Neto digam que os feitos já esgotaram o potencial, a configuração política girou. Agora é esperar.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Ursicino, o humor
Ursicino Queiroz, médico, prefeito de Santo Antônio de Jesus, líder do grupo Jacú, que duelava com o Beija-Flor do também ex-prefeito Renato Machado, tinha um estilo bem visível, sempre estrilando bom humor por onde andava, o tempo todo.
Ele foi depois deputado federal e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, sempre carregando o mesmo jeito. E eis que lá um dia, em visita ao bairro de São Benedito, em Santo Antônio, entrou numa mercearia para lanchar, avisou aos acompanhantes.
– Olhem vocês a regra do ‘comecom’, a de comer comedido, uma lei nossa.
Todo mundo entrou, se fartou, ele chegou no caixa, pagou a conta, na hora do troco, a moça falou:
– Dr. Ursicino, eu vou ter que ficar lhe devendo 20 centavos...
E ele:
– Peraí, minha filha, não é assim não. Eu vou chamar o tabelião, registrar em cartório e você assina, ok?
A moça entrou no rolê:
– Eu só espero que o senhor não me cobre juros.
Gargalhada geral.
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