LEVI VASCONCELOS
Marco das Terras Indígenas, uma nova guerra entre a coroa e o cocá
Confira a coluna de Levi Vasconcelos desta quarta-feira


Dizem lá em Porto Seguro que a lição primeira do colonizador português foi bem explícita: ladrão tem bom gosto. Ou seja, só pega o filé. Essa máxima, que permeou a história do Brasil nos primeiros tempos, foi reeditada ontem na Câmara dos Deputados, na apreciação e votação do Marco Temporal das Terras Indígenas.
O tal Marco, um projeto de lei, estabelece que só são reconhecidas como terras indígenas aquelas ocupadas pelos índios até a Constituição de 1988. Naquela época o Brasil tinha 216 etnias indígenas descobertas ou reconhecidas. Hoje são 305. Aí o pau quebrou, a esquerda a favor dos índios, perdeu. A direita contra ganhou.
Cavernas —A deputada Célia Xakriaba (PT–DF) bradou que ‘antes da coroa aqui já estava o cocá’. Giovani Cherini (PL-RS) dizia que as terras indígenas eram maiores do que Alemanha, Espanha e Áustria juntas, o equivalente a 14% do Brasil.
A esquerda batia que a tal lei repetia a estratégia do colonizador, assassina, genocida. A deputada Caroline de Toni (PL-SC) rebatia que ‘assassino é Maduro”.
Embora a Câmara tenha aprovado o projeto, que tramita desde 2009, por 283 votos a favor contra 155, mesmo que o Senado carimbe, a história não acaba aí. A esquerda bateu forte de que o tal projeto é inconstitucional. Ou seja, vai para o STF.
Aliás, convém ressalvar que o tom dos debates ontem foi raivoso, como sempre foi, vezes genocida, que vem lá dos tempos das cavernas e até hoje persiste, até agora, sempre a coroa vencendo a turma do cocá.
Em Feira, Binho Galinha diz que vai ficar com Jerônimo
Se se perguntar em Feira de Santana quem é KLeber Cristian Escolano de Almeida, ninguém sabe. Mas quem é Binho Galinha, Deus e o mundo apontam: é o homem ligado à indústria dos jogos de azar que ano passado se elegeu deputado estadual pelo Patriotas.
Agora a pergunta é direta para o próprio Binho: e quem ele vai apoiar em Feira nas eleições do próximo ano?
— Fecho com o governo, apoio Jerônimo.
— Tô falando lá em Feira.
— Também sobre isso, vou conversar com Jerônimo.
Ora, em Feira o deputado Zé Neto (PT) que já se lançou, e Jerônimo, que morava lá por ser professor concursado da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), têm sido presença constante e intensiva, conversando com todos.
Na banda do prefeito Colbert Martins, se movem Zé Ronaldo (UB) e o deputado Pablo Roberto (PSDB).
Adolfo quer a transparência
Adolfo Menezes (PSD), presidente da Assembleia, abriu a sessão de ontem dizendo aos colegas que semana passada tomou conhecimento do levantamento da Transparência Internacional Brasil que coloca a Bahia em 10º lugar em matéria de transparência entre os 27 legislativos estaduais.
— No próximo ano estaremos entre os 5. Tem coisas que eu nem sabia que era preciso, como a Ouvidoria. Vamos implantar.
Codevasf vai à Alba falar de sonho, o Canal do Sertão
Marcelo Moreira, presidente da Codevasf, é a estrela principal do encontro que a Comissão de Infraestrutura realiza hoje para discutir o Canal do Sertão, a transposição na banda sul do Rio São Francisco, passando por mais de 300 kms em 44 municípios do semi-árido baiano, obra sempre prometida, nunca realizada, justo por isso hoje oscilando entre a esperança e a descrença.
Wilson Mascarenhas, ex-prefeito de Várzea da Roça e um dos grandes arautos da causa, bota muita fé na reunião de hoje:
— É um momento decisivo. Tenho convicção absoluta de que nos próximo 100 anos não haverá nada tão importante no sertão. Lula teve mais de 80% dos votos lá. Tá na hora de pagar.