LEVI VASCONCELOS
Medo na Bahia é que Trump acabe com os chineses na ponte
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste sábado, 30


Ao decretar que organizações criminosas como o PCC e Comando Vermelho são entidades terroristas, Donald Trump, o presidente dos EUA, se acha no direito de botar tropas no Brasil.
E já que Trump se julga o juiz do mundo, não estaria por trás disso a pretensão de jogar areia em conexões que o Brasil tem com os chineses, como na ponte Salvador-Itaparica?
A conversa aí vem no furdunço que a decisão de Trump gerou, não só no Brasil, mas mundo afora, e também na nossa Ilha de Itaparica, onde o papo rolou.
Trump já falou em anexar a Groenlândia, o Canal do Panamá, sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e inferniza a vida em Cuba, além de ter provocado a guerra contra o Irã. Por aí, chegar na ponte não seria nada fora do tom.
NO MÉXICO – Mas no México, onde desde o início do ano passado os EUA formalizaram algo similar, as incursões até agora se deram na banda financeira, com a fiscalização em bancos para correr atrás das movimentações de cifras das organizações criminosas.
Aliás, quem instigou Trump a tomar a atitude com o Brasil foi Flávio Bolsonaro. Quis forjar um fato maior do que o escândalo do Dark Horse, e conseguiu. Mas, da vez que Trump mexeu com o Brasil tentando atingir Lula, com o tarifaço, acabou ajudando. Cá, este ano tem eleição. Que Trump gostaria de ver Flávio no Planalto, é certo. O que é duvidosa (e muito) é a capacidade dele como cabo eleitoral.
Ditinho e Duda, a briga pelo espólio político de Alan Sanches
Duda Sanches (PSDB), vereador em Salvador, espalhou outdoors em Santo Antônio de Jesus parabenizando a cidade pelo aniversário, ocorrido ontem.
E, ontem mesmo, postou vídeo nas redes dizendo que a prefeitura mandou arrancar todos. E sem citar nomes, mas ‘a força do dinheiro’, credita o feito a Ditinho da Avip, pré-candidato a deputado federal.
O pano de fundo é a disputa pelo espólio político do ex-deputado Alan Sanches (PSDB), falecido em janeiro. Ele tinha fortes ligações com Santo Antônio e de lá um acordo segundo o qual sairia para federal e Ditinho estadual, ambos com apoio do prefeito Genival Deolino (PSDB).
Morreu, Ditinho passou a ser federal, e Duda também quer disputar o espaço do pai, federal também. A briga aí vem no rastro da disputa do espólio de Alan.
Cocá e Werner, comes e bebes
Jornalistas que cobrem a Alba notaram um detalhe.Na festa da entrega da Comenda 2 de Julho a Zé Cocá, anteontem, teve mesa farta após a solenidade, na hora do coquetel. Já ontem, na de Marcelo Werner, tudo não passou de água e cafezinho. Dizem lá que a coisa fica por conta do empenho do deputado anfitrião junto ao comando da Casa. O de Cocá foi Hassan Youssef (PP), já o de Werner foi Matheus Ferreira (MDB).
Marcelo Werner, titular da SSP-BA, é condecorado
Em solenidade presidida pela presidente da Alba, deputada Ivana Bastos (PSD), Marcelo Werner, secretário de Segurança Pública da Bahia, recebeu, ontem, a Comenda 2 de Julho. iniciativa do deputado Matheus Ferreira (MDB). Lá estavam representantes de todas as forças de segurança do estado. Ele falou sobre a decisão dos EUA que considera o PCC e o CV organizações terroristas.
– Qualquer decisão dos EUA não pode afetar nossa soberania. Espero que a colaboração internacional contra organizações criminosas prevaleça. Inclusive, na nova legislação de combate a facções, fui um crítico por achar necessário uma renovação legislativa para enfrentarmos de forma mais efetiva essas organizações e a criminalidade violenta.
POLÍTICA COM VATAPÁ
O Nero baiano
Carlos Alberto Simões, o Beto Simões, deputado estadual de dois mandatos (1987 a 1995), lá um dia surpreendeu os colegas, ao entrar no plenário da Assembleia com um corte de cabelo todo diferente, penteado pracaju, algo muito parecido com o estilo adotado por imperadores da Roma antiga.
Quando adentrou o plenário, Nobelino Dourado estava na tribuna discursando. Se espantou, parou, olhou, cumprimentou:
– Diga aí, Nero!
Simões nada disse, sentou calmamente, o também colega Galdino Leite sentou ao lado, encostou, cochichou:
– Beto, você sabe quem foi Nero? Abriu a barriga da mãe para ver de onde veio, incendiou Roma e promovia bacanais de homem com homem, mulher com mulher, uma orgia total que até hoje é famosa entre historiadores.
Em plena sessão, Beto levantou, olhou para a tribuna, disparou:
– Nobelino, Nero é a pqp!
Gargalhada geral.
COLABOROU: MARCOS FREITAS