Mulheres pedem respeito. As agressões são tenebrosas

Quando se trata de defender políticas do gênero ou as agressões cotidianas, elas deixam as diferenças de lado e viram uma só voz

Publicado quarta-feira, 13 de julho de 2022 às 05:00 h | Atualizado em 13/07/2022, 05:24 | Autor: Levi Vasconcelos
Deputadas Ivana Bastos, Jumari Oliveira, Olívia Santana e a vereadora Ana Vitória
Deputadas Ivana Bastos, Jumari Oliveira, Olívia Santana e a vereadora Ana Vitória -

As 10 mulheres deputadas estaduais hoje na Bahia são de esquerda, centro e direita, mas quando se trata de defender políticas do gênero ou as agressões cotidianas contra elas, deixam todas as diferenças de lado e viram uma só voz 

A indignação com o caso do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, filmado estuprando uma paciente na sala de parto, chocou o país pelo acúmulo de estupidez num mesmo ato.

Elas evocam dados tenebrosos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No Brasil, ano passado 56 mil e 98 mulheres foram estupradas, algo espantoso, um estupro a cada 10 minutos. O número de feminicídios também é aterrorizante: 1.319 no ano passado, um a cada sete horas.

Machismo —Se o cenário é esse, por que as mulheres, tão estimuladas que são, não participam mais da política, a fim de virar o jogo em que elas só perdem? A deputada Ivana Bastos (PSD) é curta e certeira:

— Vivemos num país ma- chista. E ainda teremos longa estrada até superar isso.

Olívia Santana (PCdoB) vai na mesma pegada:

— As mulheres sempre foram, secularmente, relegadas a segundo plano. Só tiveram direito a voto no Brasil a partir de 1932. Há  enorme descompasso também com os partidos, que só priorizam os homens.

Jusmari Oliveira, que junto com o marido é produtora de soja no oeste da Bahia, ela que já foi prefeita de Barreiras, diz que a discriminação é  visível, embora faça uma ressalva com o agronegócio.

— O Agro está saindo disso. Vemos muitas mulheres administrando fazendas, mas não passa daí. No conjunto, a discriminação é total. Eu, como prefeita de Barreiras, sofri horrores só por ser mulher.

Sexismo —Ana Vitória, 23 anos, advogada, vereadora em São Felipe, no Recôncavo, apesar da pouca idade fala do assunto como conhecedora.

— Antigamente a moça que estudava era vadia, mocinha mal afamada. Passava-se a ideia de que a mulher é para criar filhos e tratar o marido como se fosse uma mãe, sem falar que só nos olham  com o  olhar sexista

O detalhe é que as mulheres que estão na política têm uma consciência tão marcante que das 10  deputadas estaduais hoje na Bahia , três são do PT de Lula, uma, Talita Oliveira, do PL de Bolsonaro. Mas quando o assunto é mulher, elas jogam as diferenças de lado e o discurso é único.

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