LEVI VASCONCELOS
Negromonte Jr diz que é Lula lá e cá, o que o partido quiser ele segue
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste sábado


O deputado federal Mário Negromonte Jr foi consagrado ontem presidente do PP baiano, em clima festivo na convenção partidária. E tem uma missão: retomar o protagonismo perdido quando o hoje deputado federal João Leão rompeu com o governo.
E como vai ficar o partido, a favor ou contra o governo?
Com a palavra, Mário Jr:
— Lá em Brasília não temos problemas, eu já votei em Lula. Aqui vamos reunir o partido e decidir em conjunto. Da minha parte antecipo, o que a turma decidir, eu vou topar seguir.
Depois das eleições o PP se dividiu em três bandas, a de Leão, que foi Bolsonaro lá e ACM Neto cá, a de Negromonte, que é Lula lá e Neto cá, e a de Ronaldo Carletto, que foi Lula lá e Jerônimo cá. Deu a coluna do meio, Carletto não gostou, foi para o Avante.
sempre poder —O PP, convenhamos, sempre foi um partido que tem particular apetite pelo poder, seja de quem for o comando. No caso baiano, a era do PT já caminha para os 20 anos, levando em conta os oito anos de Jaques Wagner e os oito de Rui Costa, mais Jerônimo.
Boa parte dos deputados do PP, como Eduardo Salles, Niltinho e Nelson Leal, engordaram eleitoralmente no apoio aos governos do PT. Dizem alguns deles que não tem por que brigar se muitas obras foram compartilhadas. Pelo humor dos seis integrantes da bancada na Alba, o destino é o apoio a Jerônimo.
Em suma, no que depender dos deputados estaduais, o apoio a Jerônimo é líquido e certo.
Avante de Carletto briga para ocupar o lugar que era do PP
O Avante que só tinha o Sargento Isidório e abrigou o ex-deputado Ronaldo Carletto e cia, está muito bem e ainda vai se fortalecer mais segundo as projeções do secretário da Agricultura Tum, que ano passado tentou eleger-se deputado federal pela legenda, sem sucesso.
Ele contabiliza a adesão de mais três deputados estaduais, quando a janela partidária abrir (em abril de 2026): Laerte de Vando, hoje no PSC, Nelson Leal, que é do PP e Binho Galinha, do Patriotas, e mais de 40 prefeitos.
— Até o fim do ano seremos o terceiro partido da base do governo. Teremos aí em torno de três deputados federais, sete estaduais e 60 prefeitos.
Os partidos mais fortes da base governista até o ano passado eram PT, PSD e PP, que tinha o vice-governador, João Leão. O MDB, que hoje tem o vice Geraldo Júnior, também quer o lugar, se pintar.
Zé Cocá ainda é interrogação
Dizem que na lista dos queimados com Rui três nomes lideram a ponta e um deles seria Zé Cocá, prefeito de Jequié, que é do PP e ano passado seguiu o partido apoiando ACM Neto, deixando Rui, que o tinha como aliado, de lado.
O deputado Hassan, que é do PP e amigo carne e unha com Cocá, apoia o governo. E conversa para Cocá voltar?
— Não houve. Mas creio que na hora oportuna haverá.
Base de Bruno para 2024 é mais fraca que a de 2020
Deputados na Assembleia avaliam que em 2024 o prefeito de Salvador, Bruno Reis, vai ter uma base de partidos no apoio bem menor do que em 2020.
Bruno se elegeu contando com 17 partidos. Deles, dez morreram ou se incorporaram em federações. E alguns, como o PSDB, ainda são apoio incerto para as eleições de 2024.
Só olhando a olho nu, Bruno perdeu o MDB, o Solidariedade, o Cidadania, o PV (se incorporou a PT e PCdoB numa federação) e o PSC. Isso, segundo os políticos, significa menos tempo de rádio e tevê, algo que nas grandes e médias cidade pesa muito, e menos dinheiro também. As urnas dirão até onde vai o estrago.