No caso de Brasília, Rui até que está certo. Ele só não devia falar
Confira a coluna de Levi Vasconcelos desta terça-feira

Rui Costa levou bordoadas de todos os lados por ter dito que ‘Brasília é uma ilha da fantasia’ e que as pessoas lá deveriam ‘passar debaixo de viadutos para ver as favelas’. O governador Ibaneis Rocha reagiu na baixaria: ‘Idiota”.
Rui falou num evento em Itaberaba e a coisa bateu forte lá no Planalto Central por uma razão elementar: ele não é um qualquer, é o ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República.
Ou seja, tem o que chamam na ciência política de lugar de fala poderoso. E justo por isso talvez fosse melhor ficar calado, mas só por isso. Olhando Brasília entre o aeroporto e a Esplanada dos Ministérios é isso mesmo que enquadra o ponto de vista da quase totalidade dos nossos digníssimos representantes.
No umbigo —De Brasília parece que os políticos estão ilhados, sem preocupação de vislumbrar qualquer coisa no horizonte que não seja o próprio, os seus interesses políticos.
Não veem a pobreza, nem de longe enxergam as centenas de pessoas que estão espalhadas pelo centro de São Paulo com a cracolândia e também muitos outros pontos do Brasil como o Centro Histórico de Salvador.
Pior que isso, o tecido social brasileiro dá sinais terroristas quando os tiroteios espoucam pelos quatro cantos sem que haja sequer uma discussão séria sobre o assunto.
Pelo contrário, em Brasília também há sempre alguém disposto a disparar na guerra do jogo político. É por aí que Rui não devia ter falado. O grito de Ibaneis ganha força.
Bahia Farm abre com Lula lá, mas o momento não está bom
Lula vai hoje para a abertura da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, a maior feira do agronegócio no Nordeste e uma das maiores do Brasil, e Jerônimo já foi desde ontem. Mas para além das questões políticas, o momento não é bom para o agronegócio lá.
O jornalista Carlos Sampaio, do Jornal Expresso, diz que a segurança em torno do presidente é forte e o clima tranquilo, mas uma série de fatores estão contribuindo para esfriar a coisa. Veja as pontuações que ele faz:
1 — Os organizadores estão esperando em torno de R$ 8,9 bilhões de negócios, mas o mercado não está bem. A soja, que ano passado custava R$ 180 a saca está em R$ 110. O milho que estava a R$ 80 está em R$ 40.
2 — O La Niña está saindo de cena para entrar o El Nino. Isso quer dizer água pouca.
Só vai restar rezar.
Semana fica mais curta
Habituados a sempre intensificar os trabalhos em Salvador às terças e quartas, deputados na Assembleia dizem que esta semana será pouco produtiva.
A presença de Lula em Luís Eduardo Magalhães é um dos fatores. A base governista vai toda para lá. E depois de amanhã tem o feriado.
Vítor Bonfim (PV) diz que esse mês a coisa está mais travada. ‘Até porque o forró já está pintando por aí’.
Na questão ambiental, o Leandro toma o discurso
Jerônimo participou de uma caminhada sábado em Paratinga para marcar a passagem do Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco, amplamente festejada.
Nos atos que lembraram a data ao longo do Vale, foi dito que o Velho Chico até hoje espera os programas de revitalização prometidos e nunca cumpridos desde o primeiro governo de Lula, quando começou a transposição.
Aliás, o deputado estadual Paulo Rangel (PT), que é de Paulo Afonso e ligado à Chesf, diz que ficaria muito satisfeito se o Brasil adotasse o modelo dos EUA para cuidar dos seus rios.
— Lá quem toma conta é o Exército. E o resultado é excelente.
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