Roberto Muniz, um estranho no ninho, diz que quase nada mudou

Olhando de relance a representação política baiana, Roberto Muniz (PP), que ao lado de Otto Alencar (PSB) e Lídice da Mata (PSB) forma o trio de senadores baianos, parece um estranho no ninho num ambiente político tão conturbado como o de agora.
Ele é um engenheiro que trabalhava em construtoras guinchado para a política por João Leão. Foi vice de Lauro de Freitas, depois prefeito, secretário de Estado (governo César Borges), deputado estadual e em 2010 pegou o boné, voltou para a vida empresarial, o que aliás, mais se encaixa no perfil dele.
De pára-quedas — Roberto saiu da política, mas deixou um pezinho lá. Entrou na chapa de Jaques Wagner como suplente do senador Walter Pinheiro. Tocava a vida como presidente executivo da Associação Nacional das Empresas Concessionárias de Água e Esgoto, quando Pinheiro virou secretário e ele desceu de pára-quedas no Senado.
Focou o mandato em fazer projetos. Em seis de abril último, chegou a se despedir com festas e pompas. Não sabia que Pinheiro permaneceria secretário e ele senador. E como Muniz vislumbra o cenário político?
— Da hora que eu assumi até hoje quase nada mudou. Nós temos 30% da população querendo Lula, outros 30% querendo matar Lula e o resto querendo matar os dois lados. É um cenário ruim.
No fim do mandato Muniz diz que voltará à vida empresarial. Será?
O chocolate baiano vai indo
Marcos Lessa, o organizador do Festival Internacional do Chocolate da Bahia, diz que caminha para a 10ª edição do evento (de 18 a 22 de julho, em Ilhéus) com uma satisfação especial, o grande avanço em número de marcas.
— Começamos com uma meia tala, porque produzia o chocolate, mas não o cacau. Agora temos 70, algumas já vendendo pelo país afora.
O chocolate é visto como o futuro da região cacaueira baiana (sem coronéis).
Itamari quer mais fábricas
Paloma Uzêda (PSL), prefeita de Itamari, região cacaueira, perto de Gandu, município dos mais pobres, com R$ 1,5 milhão de arrecadação, mais de 60% com gastos de pessoal, diz quer lá tem uma fábrica de chocolate que emprega 25 pessoas.
— É muito bom, mas é pouco. Precisaríamos ter algumas mais.
Ou seja, como salvação do cacau, a era do chocolate ainda é tímida. Está no começo, mas está andando.
O BRT e o Clube do Automóvel
Aliados de ACM Neto estavam ironizando o fato da OAB-Ba se reunir para discutir o BRT, que está no olho de uma polêmica por conta de supostas agressões ambientais. Diziam que ‘parecia o Clube do Automóvel contra os ônibus’.
Se é que o é, embutida na polêmica está uma questão política: a briga de Neto é com a alta classe média, onde ele sempre colheu os seus melhores dividendo eleitorais. E é briga boa.
Em Juazeiro, um olhar sobre deficientes pobres
Paulo Bonfim (PCdoB), o ex-garçom do Boi Preto que virou prefeito de Juazeiro, arranjou um jeito diferenciado de fazer política habitacional: executa um projeto que reforma casas de deficientes físicos paupérrimos.
— Começamos em abril e já fizemos duas, uma de uma casa que tinha duas crianças com paralisia infantil e outra de uma deficiente visual. A ideia é fazer quatro por mês até o fim do mandato.
Por fim, diz que o custo da obra tem limite, não mais que R$ 22 mil. E se a população focada acabar, partirá para outro segmento de pobreza extrema para tocar o programa.
De uma coisa ele pode ficar certo: por falta de clientela é que não vai parar.
POLÍTICA
COM VATAPÁ
Caso abafado
Rio Real, lá no nordeste baiano, município da divisa com Sergipe, tem como prefeito Antonio Alves dos Santos (PP), o Carroça, já no segundo mandato. Ele subiu na vida trabalhando com laranjas (as de verdade e não as das falcatruas escancaradas pela Lava Jato). De início, carregando numa carroça, o que lhe valeu o apelido tão bem acolhido, para ele, ‘um orgulho’. Hoje é um dos grandes produtores e dono de uma boa fatia no mercado nacional, São Paulo incluso.
Lá um dia ele encontrou um amigo jornalista. Conversa vai, conversa vem, ele propôs:
— Vá a Rio Real, você é meu convidado, com tudo pago e o direito de entrevistar quem quiser sobre o que quiser. A única coisa que vão dizer de mim é que eu gosto de uns birinaites e eu lhe antecipo que é verdade.
O jornalista que também é chegado contrapropôs:
— Ok. Me convide também para os birinaites que eu abafo o caso.
Funcionou. O caso até hoje estava abafado.
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