Fim da 6x1 preocupa entidades baianas
Confira a coluna Made in Bahia

O debate sobre o fim da escala 6x1 — modelo em que se trabalha seis dias com um de descanso — ganhou força no Brasil sob o argumento de melhoria da qualidade de vida. Ninguém discute a importância do bem-estar e da saúde mental para os trabalhadores baianos. No entanto, ao analisar seus efeitos práticos, especialmente na economia baiana, surgem preocupações relevantes que não podem ser ignoradas. A proposta, embora bem-intencionada, pode gerar impactos negativos significativos sobre setores estratégicos como comércio, turismo e serviços.
Na Bahia, a dinâmica econômica é fortemente sustentada por atividades intensivas em mão de obra e com funcionamento contínuo, sobretudo em regiões turísticas como Salvador, Porto Seguro e o litoral norte. A redução obrigatória da jornada semanal sem um ganho proporcional de produtividade nem compensações, tende a elevar custos operacionais. Pequenos e médios empresários — que já enfrentam margens apertadas — seriam os mais penalizados, podendo ser forçados a contratar mais funcionários ou reduzir horários de funcionamento, o que compromete diretamente a competitividade.
No comércio, especialmente o varejo, a escala 6x1 permite maior flexibilidade para atender picos de demanda, principalmente em finais de semana e feriados, períodos essenciais para o faturamento. Com o fim desse modelo, há risco de queda nas vendas, aumento de filas, piora na experiência do consumidor e, consequentemente, redução do volume de negócios. Isso pode afetar não apenas os empresários, mas toda a cadeia produtiva que depende do giro do comércio.
O setor de turismo, um dos pilares da economia baiana, também pode sofrer impactos diretos. Hotéis, bares, restaurantes e serviços de entretenimento funcionam em regime praticamente ininterrupto. A limitação da escala pode gerar aumento de custos trabalhistas, repasse de preços ao consumidor e perda de competitividade frente a outros destinos turísticos nacionais e internacionais que operam com maior flexibilidade. Em um mercado altamente sensível a preço, isso pode reduzir o fluxo de visitantes.
Além disso, o setor de serviços, que representa parcela expressiva do PIB baiano, depende de disponibilidade constante de mão de obra. A mudança pode gerar gargalos operacionais, queda de eficiência e até estímulo à informalidade. Portanto, embora o objetivo de melhorar as condições de trabalho seja legítimo, a extinção da escala 6x1, sem uma transição planejada e medidas compensatórias, pode produzir efeitos adversos relevantes. Na Bahia, onde a economia depende fortemente de setores que exigem flexibilidade operacional, poderá resultar em menor crescimento, redução de empregos formais e perda de dinamismo econômico.
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