O Carrasco - A novela mexicana do ferry-boat vai virar série de reportagem
A NOVELA MEXICANA DO FERRY-BOAT VAI VIRAR SÉRIE DE REPORTAGEM
Vem aí uma série de reportagens sobre o Ferry-Boat de Salvador, um dos modais importantes e debatidos da Bahia. O especial vai revisitar promessas, reajustes tarifários e desafios que seguem na rotina de milhares de usuários. Também mostrará os bastidores das concessões, empresas que atravessaram diferentes governos, grupos que seguem vencendo e os figurões que sempre circularam por trás dessa história. Uma série objetiva sobre passado e presente de um sistema estratégico.
O FLOP DO KISS & FLY I
Desde que a cobrança do Kiss & Fly foi anunciada para o Aeroporto Internacional de Salvador, o A TARDE vem trazendo grandes reportagens que relatam a insatisfação de passageiros e motoristas. As reclamações que vão desde cobranças inesperadas, tempo insuficiente para embarque e desembarque e a sensação de estar sendo penalizado por parar poucos minutos. Além disso, A TARDE segue na tentativa frustrada de não ter retorno da Vinci, empresa que administra a operação do Terminal, que não esclareceu questões que confirmem a legalidade da cobrança e que vão desde desde as cláusulas contratuais, definição sobre o valor cobrado, consulta à Anac, entre outros pontos que, sem resposta, enfraquecem a execução do que já está sendo chamado pelos baianos de "Pay & Cry".
O FLOP DO KISS & FLY II
Com o impacto negativo da ação, o deputado federal Leo Prates (Republicanos) apresentou o Projeto de Lei nº 1879/2026, que proíbe a cobrança de qualquer tarifa em áreas de embarque e desembarque em aeroportos de todo o país. A proposta garante gratuidade para veículos que realizam parada rápida no meio-fio, além de assegurar isenção para motoristas de aplicativo em efetiva prestação de serviço. O texto estabelece um tempo mínimo de tolerância de 10 minutos, podendo chegar a 20 minutos em situações justificadas, como necessidade de acessibilidade ou organização de bagagens. O projeto também determina que concessionárias adaptem seus sistemas para identificar automaticamente veículos em serviço, garantindo a isenção sem burocracia.
TAXA DA DISCÓRDIA EM PAUTA
As reações políticas em torno do Kiss & Fly chegaram à Câmara Municipal de Salvador, onde o presidente Carlos Muniz apresentou o Projeto de Lei nº 108/2026, que ainda depende de tramitação. Na Assembleia Legislativa da Bahia, os deputados Diego Castro e Júnior Muniz anunciaram levar o tema à Comissão de Defesa do Consumidor. O deputado João Carlos Bacelar acionou a Agência Nacional de Aviação Civil, que ainda não apresentou posicionamento.
”MEU” AMBIENTE
O Carrasco descobriu que entre a promotora com nome de flor e a vereadora com nome de rio, houve aliança para “fazer florescer” um cadastro de atingidos. Chamaram de apoio institucional; soou mais como irrigação de palanque. Quando o desastre vira vitrine, o interesse público afunda primeiro. A canoa já nasceu furada — e ninguém embarcou. No fim, a correnteza levou a ideia: muito alinhamento, pouca entrega e credibilidade em baixa.
ASAS SALGADAS
Empresários e turistas reclamam, com razão, dos valores abusivos das passagens aéreas de Salvador para destinos internos na Bahia. Voar para Ilhéus, por exemplo, tem custado mais caro que cruzar o país, com bilhetes passando dos R$ 900. A falta de concorrência, com apenas quatro grandes companhias atuando no país, criou um cenário onde sobra a sabedoria arrecadatória das empresas e falta respeito ao bolso do baiano. Livre mercado para alguns parece ser apenas liberdade para cobrar quanto quiser.
CENTAVOS QUE PESAM NO BOLSO
Para surpresa de absolutamente ninguém, a Acelen anunciou mais um reajuste no preço da gasolina na Bahia, o oitavo desde o acirramento dos conflitos no Oriente Médio. Desta vez, o "presente" foi um aumento de R$ 0,39 por litro repassado às distribuidoras, uma alta salgada de 10,2%. Enquanto o cenário internacional serve de justificativa, o motorista baiano segue pagando uma das gasolinas mais caras do país. Fica a pergunta que não quer calar: onde é que essa escalada de preços vai parar?
CAFÉ AMARGO
O TCM está de olho na na prefeitura de Barra da Estiva, sob a gestão do prefeito Wilson do Café (PSD), pois ele tentou dar um "drible" jurídico para barrar uma denúncia de irregularidades em um pregão eletrônico, mas o órgão negou a liminar. A acusação levanta uma mistura indigesta: indícios de "cartas marcadas" no edital, regras que mudam conforme o ‘freguês’ e falhas na análise de recursos. Se tiver borra nesse café, a conta vai chegar amarga para o gestor.
CONTA NÃO FECHA
O Tribunal de Contas também resolveu passar o pente fino em um negócio milionário em Mirangaba. O alvo é um contrato de R$ 7,1 milhões firmado em 2017 com um escritório de advocacia para recuperação de valores do antigo Fundef. O órgão não engoliu a justificativa de "notória especialização" para a dispensa de licitação e quer saber se o dinheiro da educação serviu para fins menos nobres. O escritório terá que explicar o "milagre" dos honorários astronômicos.
BANQUETE SOB SUSPEITA
O prefeito de Queimadas, Ricardo Lopes (PSD), e seu secretário de Educação ganharam uma dor de cabeça indigesta. Um pregão de R$ 3,3 milhões para merenda escolar está sob suspeita de ignorar os pilares da nova Lei de Licitações. A denúncia aponta falta de transparência e rigor documental na fase preparatória. A "farra dos alimentos" pode acabar indigesta para a gestão se a documentação que, dizem as más línguas, sumiu, não aparecer logo.
TIRO SAI PELA CULATRA
A tentativa de melar o concurso público da Prefeitura de Jequié bateu na trave no TCM. O órgão negou a suspensão do certame, alegando falta de "recheio" nas provas, mas as queixas contra a banca IDIB e a gestão do ex-prefeito Zé Cocá continuam ecoando: problemas técnicos, mudanças em resultados e erros no chamamento. Cocá segue focado na disputa pela vice da Bahia, mas esse "fantasma" do concurso pode o assombrar no futuro.
COLAPSO DA SAÚDE
O bicho está pegando na Capital do Oeste. Enquanto o prefeito Otoniel Teixeira tenta manter a pose, a saúde pública de Barreiras parece respirar por aparelhos. O cenário é horrível: profissionais vinculados à UNIBRASIL somam quase 60 dias sem receber. Do administrativo aos médicos, o sentimento é de indignação. Denúncias no Legislativo apontam que, enquanto quem trabalha fica no prejuízo, a prefeitura infla a folha com "gerentes de postos" usados como moeda de troca política.
ALENCAR VS OLIVEIRA
A temperatura subiu em Simões Filho com o duelo entre os deputados Eduardo Alencar (PSD) e Kátia Oliveira (União). O irmão do senador Otto Alencar resolveu visitar as obras do Estado para rebater as críticas da colega, que alega lentidão nas escolas. Com o cronograma debaixo do braço, Eduardo cravou que as instituições estão na reta final. "Fatos contra discursos", disparou, acusando Kátia de usar a educação como palanque.
TEM FIADOR
Bolsonarista ferrenho, o prefeito de São Gonçalo dos Campos, Tarcísio Pedreira não larga a mão do agora governista Marcinho Oliveira (PDT) como fiador da sua gestão. O pedetista, aliado de Jerônimo Rodrigues (PT), vira e mexe atende aos pedidos do prefeito, que tenta se equilibrar como liderança de oposição enquanto recebe as benesses do governo estadual via emenda. Será que o prefeito não sabe para que lado sopra o vento?
O REI ESTÁ NU
Sobre a derrota do governo em emplacar Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal — a primeira rejeição em 132 anos — o fato caiu como uma bigorna no colo do presidente Lula. O resultado histórico é, sem dúvidas, um dos maiores fracassos das passagens do petista pelo Planalto. Agora, Lula terá que lamber as feridas e recalcular a rota até as eleições, redesenhando urgentemente sua relação com um Congresso Nacional que provou não aceitar mais imposições sem o devido "pedágio" político.
NEM XANDÃO QUERIA
O assunto Messias ainda vai render muito pano pra manga. Os 42 votos contrários à indicação dele ao STF dizem muito sobre o atual cenário político e quase nada sobre o currículo do advogado-geral da União. Messias pagou o pato por um governo sem articulação mínima com o Congresso. Além da resistência declarada do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), as más línguas sopram que a rejeição teve o dedo invisível (mas pesado) do ministro Alexandre de Moraes.
ALIANÇA IMPROVÁVEL
Moraes, ou melhor, o "Xandão", teria articulado os pedidos de Alcolumbre na campanha pelo "não" a Messias, enviando recados diretos a senadores que possuem processos pendentes no Supremo. O resultado foi uma aliança para lá de improvável: o relator do inquérito das fake news e da trama golpista jogando no mesmo time da tropa bolsonarista no Senado — aquela mesma que não se cansa de pedir o seu impeachment. Na política, o inimigo do meu inimigo é, pelo visto, meu melhor cabo eleitoral.
E AGORA, LULA?
Agora, ou o presidente Lula chama o Legislativo para uma conversa séria, ou o resto do mandato será um calvário. Em um ano em que o governo precisa destravar pautas populares para agradar o eleitorado, ficar de braços cruzados enquanto o Senado impõe derrotas humilhantes é pedir para governar por decreto. O Planalto precisa descer do salto e entender que a contagem de votos não aceita desaforo.
RENAN SANTOS É O NOVO ENÉAS?
Terceiro colocado de forma surpreendente na pesquisa AtlasIntel para o Planalto, Renan Santos (Missão) já rende comparações com figuras folclóricas da política, como o saudoso Enéas Carneiro. O nacionalismo se mistura com propostas que beiram o devaneio e o inconstitucional. Resta saber se o líder do MBL vai repetir o feito histórico de Enéas e consolidar essa terceira via baseada no choque ou se será apenas um soluço estatístico em uma das eleições mais polarizadas da história.
ENQUADRADA
O selo semanal do Carrasco vai para a queridinha dos gramados. A Crefisa, famosa por estampar sua marca no futebol, agora estampa as páginas negativas da mídia e fina na mira do Ministério Público Federal (MPF). O órgão instaurou inquérito civil para investigar supostas práticas abusivas contra aposentados e pensionistas do INSS. A situação é tão grave que o próprio INSS já suspendeu cautelarmente o contrato com a instituição após uma enxurrada de denúncias do Procon e da OAB. Se as irregularidades forem confirmadas, o prejuízo não será apenas na imagem, mas no bolso e na Justiça. Com o dinheiro de quem trabalhou a vida inteira, não se brinca!
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