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O Carrasco
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ACERVO DA COLUNA
16 | Mar | 2026

O Carrasco - Cartel I

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CARTEL I

Ficou mais do que evidente que a engrenagem de aumento dos combustíveis em Salvador não começa na bomba — começa antes, na cadeia de distribuição. Mesmo sem anúncio oficial de reajuste nas refinarias, as distribuidoras repassaram aumentos que rapidamente chegaram aos postos, produzindo um efeito dominó no preço da gasolina e do diesel na capital. O movimento sincronizado levanta suspeitas sérias sobre a atuação das grandes distribuidoras, que concentram o abastecimento do mercado e acabam ditando o ritmo — e o valor — que chega ao consumidor final. No fim da cadeia, os postos apenas reproduzem um preço que já chega inflado.

CARTEL II

Já passou da hora de uma fiscalização mais dura e transparente sobre essa etapa da cadeia, onde muitas vezes os reajustes nascem e se espalham sem a devida explicação pública. O soteropolitano segue pagando a conta de uma dinâmica de mercado pouco clara, onde poucos decidem e milhões pagam.

RÁPIDO COMO QUEM ROUBA

O velho ditado dos nossos avós parece feito sob medida para o comportamento do setor: qualquer tensão internacional no mercado do petróleo vira justificativa instantânea para reajustes no Brasil. A guerra no Oriente Médio mal aparece no noticiário e os preços já disparam na distribuição. De repente, o país revive um fantasma da década de 1980, quando os preços mudavam mais rápido que o relógio. O Procon pede explicações, o governo tenta aliviar com cortes tributários, mas o consumidor continua refém de uma cadeia onde os aumentos chegam com velocidade impressionante — e as reduções, quando ocorrem, caminham a passos de tartaruga. No final, o roteiro se repete: a geopolítica acontece a milhares de quilômetros de distância, mas quem sente o impacto imediato é o bolso do brasileiro.

MENOS CONFETES, MAIS REPARAÇÃO

Para uma empresa cujo negócio principal é produzir pigmento branco, a Tronox parece estar se tornando mestre em outra tonalidade: o verde-conveniência. O cumprimento estrito de condicionantes de licenciamento ambiental, ou seja, o mínimo que se espera de quem extrai riqueza do solo, é vendido como um ato de benevolência corporativa. Recuperar o que se degradou não é um bônus; é reparação. Comemorar aniversário com "mostra de medidas" é como um médico celebrar o próprio parabéns mostrando fotos de pontos bem dados em um paciente que ele mesmo operou. Menos confete, mais fiscalização. Afinal, para quem fabrica dióxido de titânio, esconder as manchas sob uma camada de tinta branca é a especialidade da casa.

ASSOMBRAÇÃO DAS BETS

Uma nova ameaça ronda as eleições no Brasil este ano. Nos bastidores de Brasília, é dado como certo que as casas de apostas digitais vão financiar em peso candidaturas de seu interesse. A "bancada das bets", que já tem representantes na Câmara e no Senado, só tende a aumentar. Só taxar não adianta; é preciso uma legislação específica e rígida sobre o dinheiro vindo das apostas. Até quando as bets vão ficar livres, leves e soltas com a blindagem que o Congresso Nacional vem oferecendo? O jogo agora é outro, e o prêmio pode ser a própria democracia.

BANQUETE EM ITAPETINGA

Enquanto o cidadão comum de Itapetinga luta para fechar as contas do mês, nos bastidores da Câmara Municipal o apetite dos excelentíssimos parece não ter fim. Circula nos corredores um Projeto de Resolução — apelidado por fontes internas de “pura sacanagem” — que visa criar um vale-refeição de módicos R$ 2.500 para cada um dos 15 vereadores. Se a moda pegar, o "lanchinho" parlamentar custará R$ 450 mil por ano. Somado ao já polêmico vale-combustível de R$ 1.500, cada edil terá um "plus" de R$ 4 mil mensais em penduricalhos, além do salário de R$ 13,4 mil. O ministro Flávio Dino (STF) já mandou o recado: benefício sem lei formal é prato cheio para a ilegalidade.

PERIGO NA VEIA

A saúde em Santo Estevão parece ter entrado no prazo de validade vencido. Uma denúncia grave de negligência no Hospital Municipal deixou a população em choque: um paciente recebeu soro vencido desde o dia 21 de fevereiro. O produto foi administrado no dia 23 e a "justificativa" da equipe foi ainda mais criativa: a tese de que o insumo é seguro por até 30 dias após o vencimento. Alô, Vigilância Sanitária! Desde quando norma técnica virou sugestão de embalagem? A pressão agora recai sobre o prefeito Tiago da Central.

MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO

A gestão de Bira da Barraca em Mata de São João descobriu uma fórmula matemática que desafia a lógica. Dados cruzados revelam um fenômeno: a cidade tem mais eleitores do que habitantes. Enquanto o IBGE aponta uma população de 42.566 pessoas, o TRE registra 42.622 eleitores aptos. Ou seja, 100% da população vota e ainda sobram "fantasmas". O absurdo aumenta quando olhamos para o Censo Escolar 2025, que registra quase 10 mil alunos entre 0 e 14 anos. Menores de idade estariam votando por lá ou o milagre é puramente político?

BATATA TÁ ASSANDO

O prefeito de Itapé, Reinaldo das Batatas (Avante), pesou a mão na autopromoção e queimou o filme com o Ministério Público (MP-BA). O órgão emitiu recomendação formal para que ele pare de usar pesquisas de satisfação como palanque. O MP foi claro: prefeitura não é perfil de influenciador. Postagens que misturam resultados de gestão com fotos pessoais nas redes oficiais têm cinco dias para sumir. Exaltar autoridade com dinheiro do contribuinte é infração grave. Se Reinaldo não separar o "CNPJ" do seu "CPF" político, a conta chegará salgada.

ROLO COMPRESSOR

A gestão de Ricardo Maia (MDB), em Tucano, ganhou um prato indigesto no TCM. A empresa Fields Tactical Partners Ltda. denunciou que a prefeitura "limou" a competitividade em um pregão para merenda escolar ao desclassificar sua proposta sem análise técnica devida. A empresa apresentou o menor preço, mas foi cortada sob alegação de inexequibilidade, sem que a prefeitura checasse a viabilidade do valor. Se provado o "rigor excessivo" para descartar o menor preço, o prefeito pode terminar o ano com sanções no currículo. O Carrasco está de olho!

A LOIRA COBIÇADA

A segunda vaga na chapa majoritária virou aquele convite de aniversário que ninguém sabe se foi enviado, se caiu no spam ou se foi desmentido por conveniência. É o "confirma, mas não espalha; desmente, mas mantém o interesse" mais confuso da história recente da Governadoria. No centro desse turbilhão está a poderosa da ALBA, Ivana Bastos (PSD). Enquanto o PT tenta lhe oferecer o bilhete premiado da chapa, ela reage com firmeza: não quer a glória da vice-governadoria. Ivana parece ter descoberto o segredo que muitos fingem ignorar: para que ser coadjuvante de luxo no Centro Administrativo (CAB) se você pode ser a dona da chave da Assembleia Legislativa?

POLÍTICA SEM RANCOR

O ministro Rui Costa (PT) resolveu abrir o coração sobre o vice-governador Geraldo Júnior (MDB). Em um rompante de sinceridade, Rui carimbou Geraldinho com o selo de "desleal". O que chamou atenção foi a fala de que "não guarda mágoas". É comovente, não é? A gente quase consegue imaginar o "Correria" anotando o nome de Geraldo em um caderninho de orações em vez de sua famosa lista de pendências políticas. Acreditar que Rui Costa não guarda mágoas de uma deslealdade é como acreditar em Papai Noel no Carnaval de Salvador.

PULSO FIRME

Apesar do clima de alvoroço em torno do nome que irá compor a chapa de Jerônimo Rodrigues como vice-governador, o ex-deputado federal e ex-ministro Geddel Vieira Lima praticamente deu tapa na mesa ao cravar que a vaga de Geraldo Júnior (MDB) é inegociável. “Na história de minha vida não tem deslealdade escrita no meu livro e não serei desleal com meu partido. Não deixarei de defender um quadro que tem sido leal ao governador, que tem sido leal ao partido enquanto instituição, por causa de tititi ou por causa de mau humor de alguém”, se reportando ao ministro Rui Costa, que teria rotulado como uma deslealdade o famoso episódio da mensagem de “viralizar” encaminhada equivocadamente em um grupo de WhatsApp pelo vice-governador do estado.

CLIMA DE DESCONFIANÇA

Pegou muito mal uma suposta declaração do vereador Ivan Cordeiro (PL), presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, de que teria disposição para apoiar a reeleição do presidente Lula. Filiado ao partido de Bolsonaro, Cordeiro teria comentado que se o Governo Federal transformar o campus da UFBA na cidade numa reitoria própria, com autonomia administrativa e um orçamento independente, o apoio ao projeto petista nacional não estaria descartado. Outro ponto que gerou desconfiança nos caciques do PL na Bahia teria sido a aproximação de Ivan Cordeiro com a base governista de Jerônimo Rodrigues, a qual o presidente da Câmara jura ser apenas em prol da criação de uma região metropolitana envolvendo 36 municípios, projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia. Essa movimentação, para além de gerar desconfiança de seus aliados, é considerada um suicídio político para Ivan, que estaria atuando fora da quadra ideológica de centro e de direita. Pelo jeito a sua sucessão na Mesa Diretora vai ficando cada vez mais difícil.

OTTO MUDO, IVANA CALADA

O senador Otto Alencar (PSD) e a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos, estiveram perfeitamente entrosados na última semana quando o assunto foi a vice de Jerônimo Rodrigues. Ou melhor: a ausência dela. Nos corredores do TCM-BA ou em outras agendas, a tática dos pessedistas para fugir do tema foi uníssona: "Eu tô na muda, fiz uma cirurgia. Quando o passarinho tá na muda, não canta". Pelo visto, o silêncio no PSD é cirúrgico e ensaiado, deixando para o governador a tarefa de adivinhar quando o bico pessedista voltará a abrir.

O COMBO DE OTTO

Por falar em Otto, o senador tem apostado todas as fichas no crescimento do PSD, que já é a maior sigla do estado para as eleições de outubro. Nos últimos dias, o senador tem filiado deputados estaduais, federais e nomes com alto potencial de votos. O plano de expansão de Otto, que ainda deve abocanhar a vaga de vice na chapa governista, é escancarado: ele quer consolidar o PSD como o verdadeiro "dono da bola" na Bahia, preparando o terreno para 2026.

CASA NOVA

Parece que Angelo Coronel e família finalmente encontraram um novo quartel para marchar. Após diálogos com praticamente todos os partidos de oposição a Jerônimo Rodrigues, com a escolha afunilando entre Podemos e Republicanos, a decisão pesou em favor do último. Agora, acomodado entre os "caciques" ligados à Igreja Universal, resta saber qual será o real tamanho do ex-PSD na nova casa: se ocupará um posto de comando com o destaque de sempre ou se será apenas mais um fiel no altar da legenda.

APOSTA DE RISCO

Já que o assunto é o Podemos, Raimundo da Costa dobrou a aposta ao deixar o partido, mesmo que ainda não saiba com quem vai marchar, para se filiar ao disputadíssimo PSD. A questão é que, em uma eleição com tendência de salto no quociente eleitoral, Raimundo corre o risco de "rodar". Se for usada a mesma estratégia dos dois últimos pleitos, quando se elegeu como o menos votado entre os 39 eleitos no estado, a conta pode não fechar desta vez. O Carrasco acompanha atento para ver se a sorte do deputado continua intacta.

DOBRADINHA CLANDESTINA

Voltou a ganhar força a "dobradinha clandestina" pensada por prefeitos que planejam apoiar Rui Costa (PT) e Angelo Coronel (Republicanos) para o Senado. Sob anonimato, alguns membros da base já sinalizam uma eleição muito mais dura para Jaques Wagner (PT) na corrida pela segunda cadeira. Se essa estratégia municipalista sair do papel e ganhar corpo na campanha, o "Galego" terá que suar a camisa para não ser atropelado pelo pragmatismo do interior.

MEU PARTIDO É O CONSELHO

Adolfo Menezes tratou de deixar claro ao seu partido, o PSD, que não tem a menor intenção de ser vice em chapa majoritária. A ideia fixa continua sendo a mesma: esperar a indicação para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) ainda este ano. Para garantir que o espólio político permaneça em casa, ele já prepara o terreno para sua esposa, Denise Menezes, que se mostra disposta e pronta para ocupar sua cadeira na ALBA.

RATINHO JÚNIOR E O PL

Esta semana, Ratinho Júnior recebeu um ultimato do PL nacional para abrir mão da pré-candidatura à Presidência e apoiar Flávio Bolsonaro. Após receber a oferta da vice do senador como "prêmio de consolação", o governador do Paraná negou a investida. A resposta veio em tom de ameaça: o risco de o PL buscar um novo palanque no estado, isolando o gestor.

EM DEFESA DA AMÉRICA LATINA?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu líderes da América Latina para tratar do “Escudo das Américas”. A proposta, que exclui Brasil, Colômbia, México e Uruguai — governados pela esquerda —, tem como objetivo oficial combater cartéis de drogas e afastar inimigos do continente. A aliança militar deixa no ar a possível intervenção de Washington em território brasileiro, onde os investimentos chineses são alvos de relatórios no Congresso americano.

ENQUADRADA

A enquadrada da semana vai para o prefeito de Cândido Sales, Maurílio Lemos das Virgens (PSD), que confundiu a prefeitura com seu álbum de família. Por isso mesmo, o TCM-BA acatou denúncia por propaganda pessoal indevida após o gestor estampar a própria face até nos carnês de IPTU. Transformando a máquina pública em comitê eleitoral, o "Doutor" foi punido com uma multa de R$ 2 mil. Saiu barato pela vitrine, mas a mancha no currículo administrativo por ferir o princípio da impessoalidade não sai nem com reza braba. A prefeitura é do povo, não é espelho de Narciso.

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