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ACERVO DA COLUNA
20 | Apr | 2026

O Carrasco - Governo mira nas distribuidoras

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GOVERNO MIRA NAS DISTRIBUIDORAS

O governo federal intensificou a pressão sobre as distribuidoras de combustível ao exigir que revelem semanalmente suas margens brutas de lucro. A medida visa garantir que os preços mais baixos dos combustíveis cheguem ao consumidor final. A resistência das empresas em divulgar essas informações levanta suspeitas sobre práticas de preços abusivos e falta de transparência no setor.

FALTA DE CLAREZA

As distribuidoras de combustível estão considerando rejeitar a subvenção de R$ 4 bilhões do governo, em um movimento que pode ser visto como um desprezo à responsabilidade social. A recusa em aceitar ajuda financeira, enquanto se opõem a medidas de transparência, sugere falta de compromisso com a redução dos preços aos consumidores e o bem-estar econômico do país.

A FALSA PRIORIDADE

A cobiça da Uber e da 99 parece não ter fim. Após um início de serviço revolucionário, as gigantes do transporte seguem inventando maneiras criativas de esvaziar o bolso do cliente. A novidade da vez é a "taxa de prioridade", que promete conectar o motorista mais rapidamente — por um preço extra, é claro. Na prática, a tal prioridade apenas canibaliza o uso normal do aplicativo: quem não paga o "pedágio" da conveniência vê a busca por uma corrida virar uma eternidade. Desse jeito, com o cronômetro girando e o saldo descendo, vai acabar sendo mais vantajoso e barato voltar a esticar o braço para um táxi.

"KISS & PAY I"

O sistema Kiss & Fly no Salvador Bahia Airport está mais para um "beijo da morte" no bolso do trabalhador. Enquanto o CEO da VINCI Airports, Julio Ribas, jura que o modelo não tem finalidade arrecadatória, a Associação Geral dos Taxistas (AGT) denuncia exigências irreais, como um caução de R$ 100 mil. A partir de 1º de junho, o cronômetro será implacável: passou de 10 minutos no meio-fio? A "facada" é de R$ 18,00. É a institucionalização do "quem não paga, não trabalha" em um terminal que parece priorizar a cancela sobre o serviço público.

"KISS & PAY II"

A decisão de cobrar pelo uso rápido das áreas de embarque e desembarque levanta um alerta técnico: risco real de estrangulamento no acesso ao terminal. Especialistas em mobilidade e profissionais do transporte apontam que a limitação de tempo, combinada com cobrança, tende a desorganizar o fluxo, afastar motoristas de aplicativo e pressionar ainda mais um sistema viário já saturado em horários de pico. A medida também abre questionamentos sobre sua razoabilidade, diante da ausência de práticas semelhantes em outros grandes aeroportos do país. No campo institucional, o tema já mobiliza autoridades: Júnior Muniz discute o caso na Assembleia, os vereadores Daniel Alves e André Fraga na Câmara de Vereadores de Salvador, enquanto Sargento Isidório leva o assunto ao Ministério Público.

DEVASTAÇÃO AMBIENTAL

A região de Brotas está em pé de guerra contra a retomada das obras do empreendimento Reserva Cidade Jardim, sob responsabilidade das empresas AG Service e Villas Construtora. O local da discórdia é conhecido como “Fonte do Governo”, considerado um dos últimos pulmões verdes do bairro e que abrigaria nascentes ainda intocadas, caso o TJ-BA não decretasse inconstitucional a lei municipal que institui Área de Preservação Permanente (APP) naquela região. Além do grito contra a devastação ambiental, lideranças comunitárias denunciam perseguição por parte das empresas. O Carrasco pergunta: as autoridades vão assistir de braços cruzados ao sufocamento do que resta de verde em Brotas ou vão agir antes que a última nascente vire concreto? Sob o argumento de proteger o meio ambiente, a deliberação do tribunal por apertada maioria de um voto terminou por permitir um grave dano reverso.

CALOTE NO RIO VERMELHO

A boemia do Rio Vermelho ganhou um capítulo amargo. Uma tradicional casa noturna de Salvador, ponto carimbado da juventude soteropolitana, fechou definitivamente as portas sob uma nuvem de polêmicas. Nas redes sociais, o coro dos funcionários é um só: um grande calote aplicado pela proprietária do espaço. O banquete de promessas vazias servido a quem realmente fazia a pista ferver deixou um gosto ruim na noite de Salvador. Onde antes havia música, agora só resta o silêncio de quem trabalhou e não viu a cor do dinheiro.

NA COMPANHIA DO MEDO

Os funcionários do Santander na Bahia convivem com o medo como rotina. Além do temor da demissão, afinal, o banco fechou oito agências no estado só no último ano, surge também o pavor da insegurança física: algumas unidades de rua simplesmente retiraram a porta giratória. O Sindicato dos Bancários denuncia que, enquanto o banco destina milhões para patrocinar eventos de luxo, ignora o colapso mental dos trabalhadores, diagnosticados com ansiedade e síndrome do pânico. No Santander, a "prioridade" parece estar no marketing, e não na vida de quem de fato veste a camisa.

COMPROVAÇÃO MUSICAL

O sucesso estrondoso do show do Guns N’ Roses em Salvador comprovou a tese de que a capital baiana é a cidade de todos os ritmos. Com a Arena Fonte Nova lotada para o rock, cai por terra, finalmente, o preconceito musical que ainda teimava em rotular a cidade como "monotemática". Salvador mostrou que tem espaço para o axé, para o pagode, arrocha e para os solos de Slash com a mesma intensidade. Que venha o próximo mega show internacional para enterrar de vez as críticas infundadas.

NEGÓCIO DA MORTE

O prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), resolveu transformar o descanso eterno em artigo de luxo. Após um "pacote de maldades" tributário, a gestão municipal agora apresenta a "inflação do cemitério". A estratégia é perversa: inflar os preços a níveis impagáveis para a população carente e, em seguida, abrir um chamamento público de R$ 370 mil para credenciar funerárias que atendam aos pobres. O governo Eduardo Hagge inviabiliza o enterro particular para criar dependência do Estado e transferir dinheiro público para o setor privado. Enquanto isso a população de Itapetinga clama pro retorno do ex-prefeito Rodrigo Hagge.

FREIO DE MÃO

A farra dos combustíveis em Caetanos chegou aos ouvidos do TCM. O órgão suspendeu o pregão do prefeito Edas Justino (PCdoB), que pretendia torrar R$ 4 milhões em frota. O edital proibia a "taxa administrativa negativa", impedindo descontos reais e atropelando a economicidade. Justino tem 20 dias para explicar o inexplicável ou limpar o edital de mimos para empresas selecionadas.

TRATORES NA AREIA

Por falar na região de Camaçari, a orla de Barra do Jacuípe virou terra de ninguém. Moradores do Aldeias do Jacuípe estão em polvorosa com tratores nivelando dunas e destruindo a restinga sob o manto do "desenvolvimento". A Sedur de Camaçari e a Suofis até embargam, mas o estrago é rápido e o processo administrativo anda a passo de cágado. Enquanto isso, o Litoral Norte vê sua biodiversidade comprometida. A lei em Camaçari vale para todos ou Jacuípe virou condomínio de quem grita mais alto?

O ROMBO DE MILHÕES

O ex-prefeito de Caetité, Aldo Gondim, ganhou um problema de R$ 74 milhões com o Ministério Público da Bahia. O órgão ingressou com ação de improbidade acusando o ex-gestor de uma "mágica fiscal" entre 2017 e 2020: a omissão de dados de servidores e subdeclaração de remunerações no FGTS e Previdência. O que parecia uma "aliviada" nas contas da prefeitura na época, revelou-se um buraco previdenciário profundo. Em Caetité, a fatura chegou com muitos zeros e pode custar os direitos políticos de Gondim, que ficará inelegível.

BANHO DE ÁGUA FRIA

Em Ilhéus, o clima esquentou para o ex-prefeito e pré-candidato a estadual, Mário Alexandre, o Marão. O TCU condenou o novo membro do Avante a devolver R$ 1,5 milhão aos cofres federais. O motivo? Falta de comprovação do destino de recursos enviados para socorrer vítimas das chuvas de 2023. Para piorar, Marão foi condenado à revelia, ou seja, nem apresentou defesa. Tentar uma vaga na Assembleia Legislativa com esse rombo de credibilidade é como tentar nadar contra a correnteza.

DRIBLE DAS COOPERATIVAS

O SindilimpBA jogou água na fervura da prefeitura de Itaguaçu da Bahia. O sindicato conseguiu na Justiça a impugnação do edital de limpeza urbana por um "atalho" que já virou o terror dos gestores: a tentativa de contratar cooperativas para serviços de mão de obra subordinada. Para o sindicato, o modelo é precarização pura e ignora a Lei 12.690/2012 e os alertas do TCU. Deixar cooperativa varrer rua com vínculo de subordinação é fraude trabalhista com carimbo oficial. Itaguaçu terá que explicar se quer cidade limpa ou direitos "sujos".

DEBATE DE GENTE GRANDE

Pela primeira vez em muito tempo, a Bahia terá candidatos ao Senado realmente competitivos em todas as frentes. Embora a dupla petista de ex-governadores, Rui Costa e Jaques Wagner, carregue certo favoritismo, ninguém pode subestimar a relevância de João Roma (PL) e a musculatura política do senador Angelo Coronel (Republicanos). Um debate entre esses quatro nomes teria tudo para ser um programa de alto nível técnico e político. Fica a dica para as emissoras: o povo quer ver esse embate de gigantes.

SE É PARA MUDAR...

Mal esfriou a cadeira de Angelo Coronel no grupo governista e ele já está em clima de lua de mel com os ex-adversários do PL. O senador não fez cerimônia e já deixou claro: vai votar em Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência. Mudou de lado com a agilidade de um veterano e sem olhar pelo retrovisor. No tabuleiro de Coronel a regra é clara, aqui se faz aqui se paga: bateu, levou!

SUMIÇO ESTRATÉGICO

Num passe de mágica, as cadeiras do plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) estão se tornando peças de museu, livres de qualquer presença humana em dias de sessão ordinária. Dizem que o baixo quórum é reflexo antecipado do ano eleitoral, a velha desculpa de praxe, embora a campanha só comece oficialmente em julho. No fim, quem paga essa conta cara é o povo baiano, que assiste ao esvaziamento do debate público. Em outubro, o troco deve vir nas urnas, no rufar dos "pirililis".

ELEGANTE E SUTIL

O Plenário Orlando Spínola foi palco de um fenômeno que desafia as leis da física: a "presença-ausência". O deputado Bobô (PCdoB), em um lance digno dos seus tempos de craque, conseguiu a proeza de estar e não estar ao mesmo tempo durante a votação do reajuste dos professores. Enquanto a pauta ficava no vácuo por falta de quórum, o líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), tentava emplacar um "gol de mão" no legislativo para salvar a votação. Mas não contavam com a astúcia da presidente Ivana Bastos (PSD), que manteve o apito rigoroso e não validou a jogada ensaiada. Dessa vez, não teve elegância sutil.

TRÊS PARA DOIS

Por falar em PCdoB, a expectativa mais otimista do partido é eleger três nomes para a Câmara dos Deputados: Daniel Almeida, Olívia Santana e Alice Portugal. No entanto, a matemática partidária pode não fechar. Se em 2022 a dobradinha entre Olívia e Alice rendeu vitórias para a ALBA e Brasília, desta vez o cenário é de "fogo amigo". Há quem aposte que uma pode desidratar a outra, deixando uma das vagas pelo caminho junto com Daniel. Outros sugerem que as duas avançam, mas o veterano Daniel Almeida pode acabar ficando de fora da foto oficial. No ninho comunista, a conta é de chegar.

DUELO NAS REDES

A campanha eleitoral nem começou e a polêmica sobre o uso das redes sociais para "moer" adversários já está de volta ao centro do tabuleiro. Uma postagem do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), ligando Lula (PT) ao narcotráfico, tornou-se alvo de inquérito aberto pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. O detalhe que apimenta o cenário é a dança das cadeiras no TSE, que será presidido por Kássio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro. Em 2022, "Xandão" passou o rodo em postagens polêmicas; resta saber se, sob nova direção, o rigor será o mesmo ou se o "liberou geral" vai ditar o ritmo dos algoritmos.

FORAGIDO OU IMIGRANTE?

Senadores bolsonaristas estão montando uma força-tarefa para pedir asilo político ao ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão pelos atos do 8 de janeiro. Preso em Orlando, na Flórida, por situação migratória irregular, Ramagem virou o centro de um cabo de guerra diplomático. Enquanto o ICE o liberava, a Polícia Federal brasileira agendava a extradição. Para os aliados, ele é um "perseguido político"; para o governo, um foragido. Resta saber se a diplomacia brasileira vai assistir de braços cruzados a essa tentativa de transformar um problema de imigração em salvo-conduto ideológico. Quem perder esse embate sai desmoralizado.

O CREPÚSCULO DE FHC

A política brasileira assiste, com respeito e melancolia, ao capítulo mais delicado da história de Fernando Henrique Cardoso. Aos 94 anos, o "Pai do Real" foi formalmente interditado pela Justiça de São Paulo devido ao avanço do Alzheimer. O primogênito, Paulo Henrique Cardoso, assume a curatela oficial. Para quem dominou a oratória e a estratégia por décadas, o recolhimento ao silêncio marca o fim de uma era de protagonismo ativo no debate nacional. Um desfecho que toca aliados e adversários.

PONTE DO RIO QUE CAI

A queda do CEO da ponte, num primeiro momento, tratada como mais um caso clássico de incompetência de alto padrão: anos no cargo, salários de fazer inveja e entregou um projeto desorganizado, sem licença ambiental, sem solução técnica para o IPHAN, sem projeto executivo digno do nome. Um currículo de frustrações que, por si só, já justificaria a porta da rua. Mas o enredo ganhou outra camada quando os concessionários estrangeiros resolveram olhar com lupa o que acontecia por trás da cortina. O que parecia apenas incapacidade começou a levantar suspeitas mais pesadas: relações pouco transparentes com prestadores de serviço e contratos que, segundo relatos de bastidores, tinham mais do que simples prestação técnica envolvida. Na gíria local, teria rolado “uma ponta” aqui e ali, sempre bem longe dos olhos chineses.

ENQUADRADA

Ele leva o Carrasco da Semana. Lula assinou o "bilhete azul" de Gilberto Waller Júnior e nomeou a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira para a presidência do INSS. Waller assumiu com a missão inglória de sanear o instituto após o escândalo dos descontos indevidos, mas os números não perdoam: a fila de espera, que Lula prometeu zerar, saltou de 1 milhão para 3 milhões em fevereiro. Atualmente em 2,7 milhões, a fila ainda é uma mancha no discurso oficial. A ordem agora é correr para entregar uma demanda menor do que a herdada, antes que o tempo e a paciência dos aposentados se esgote.

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