O Carrasco - Oposição zangou
OPOSIÇÃO ZANGOU
Com a pérola promovida pela promotora Hortênsia Pinho através de uma tresloucada ação civil pública fadada ao insucesso, a oposição ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) anda pê da vida. Enquanto a bancada oposicionista na CMS estava ansiosa para corrigir o que ela entende como indevido mas aprovado no último PDDU soteropolitano, a cartada de Dona Hortênsia deu com os burros n’agua. Isso porque uma liminar do TJ-BA sustou o encaminhamento do projeto de lei para Câmara enquanto a Corte não se debruçar sobre as teses estapafúrdias da promotora. A “idéia” da Ruivinha jogou a tão sonhada revisão do PDDU para as calendas gregas. Dessa vez a manobra da promotora deu um belo xabu e a conta do atraso no novo PDDU é todinha dela.
QUEM VAI PAGAR POR ISSO I
Ninguém está entendendo a demora dos órgãos responsáveis da Bahia para determinar o culpado da contaminação da praia de São Tomé de Paripe. Faz mais de três meses que surgiram as primeiras manchas azuis e amarelas perto do Terminal, mas até agora nada foi feito para a reparação ambiental e a assistência aos moradores.
QUEM VAI PAGAR POR ISSO II
Inicialmente a artilharia da comunidade foi contra o Terminal Itapuã, empresa que opera o equipamento desde 2022. Mas agora ficou claro que nas manchas há a presença de cobre, material que não é operado atualmente. O Terminal Itapuã transporta basicamente os fertilizantes que abastecem a agricultura de toda a Bahia. Quem transportava cobre e outros materiais perigosos era a Gerdau, antiga operadora e que ainda é a proprietária desse porto que fica numa das mais belas áreas de nossa orla.
QUEM VAI PAGAR POR ISSO III
Inema, Ministério Público Estadual, Ministério Publico Federal, Ibama, dispõe dessas informações de que essa contaminação já era conhecida desde 2019, antes da troca de operador do Terminal. Resta saber porque tanta demora de colocar o guizo no pescoço do gato e iniciar a cobrança pela devida reparação. E pelo jeito, o nome desse gato é Gerdau.
ESTABELECENDO “PONTES” COM O GOVERNO
O projeto da ponte não avança, mas o ex-CEO sim. Não conseguiu viabilizar projetos nem licenças, mas demonstrou grande habilidade para “articular parcerias estranhas” com prestadores de serviço. Agora tenta colocar essa mesma ‘habilidade’ em prática numa secretaria de governo. A pergunta é simples: haverá quem compre essa briga e esteja disposto a aguentar o tranco? Porque a nova ponte que ele tenta construir já dá sinais de estar fazendo água.
CABEÇA NA BANDEJA
Quem achava que a soberba do CEO da Vinci Airports, Júlio Ribas, sairia impune na guerra contra o sistema Kiss & Fly, errou feio no cálculo político. Nos bastidores do aeroporto, o clima azedou de vez e a cúpula da multinacional francesa perdeu a paciência com a condução desastrosa do executivo. A cabeça de Ribas já rola na bandeja de avaliação para ser degolada do posto. O motivo? O moço simplesmente não criou pontes nem relações institucionais na capital baiana, deixando a concessionária isolada e sem blindagem diante do chumbo grosso do Legislativo Municipal. O Carrasco já tinha avisado: a Vinci até pode ficar, mas o executivo vai ter que arrumar as malas. É o preço que se paga por achar que a terra do Senhor do Bonfim é casa da Mãe Joana.
CRÉDITO SUSPEITO
Depois do escândalo do Banco Master, o mercado de direito creditório passou a ficar com um olho na missa e outro no padre. Na Bahia, a Sociedade Nordestina de Construções, hoje em recuperação judicial, vem tentando negociar um processo já em fase de formação de precatório. Especialistas de uma gestora de fundos já identificaram que o processo detém números provenientes de uma calculadora super turbinada, o que, se por um lado vem dificultando a venda desse ativo, por outro, também impede o Poder Público de meter a mão na cumbuca e fazer um bom acordo.
CORONELISMO DO CAPÃO
O prefeito de Palmeiras, Wilson Rocha (Avante), entrou de vez no radar deste Carrasco após o rastro de destruição na Chapada Diamantina virar caso de polícia. Documentos obtidos com exclusividade por A TARDE revelam que o Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu as comportas para investigar o verdadeiro "feirão da grilagem" que o gestor estaria operando no Vale do Capão através de sua própria imobiliária. O bafafá é tão grande que até o ex-secretário de Meio Ambiente resolveu abrir o bico após ser exonerado, confirmando o loteamento clandestino e a venda de terras sem nenhuma licença ambiental. De acordo com denúncias de moradores locais, o prefeito trata a Área de Preservação Permanente (APP) como se fosse o quintal de herança da própria casa. A ganância imobiliária corre frouxa e a inércia do município cobra o preço.
EVENTO MICADO
Por falar no AVANTE, não pegou nada positivo um evento político no qual o deputado federal Neto Carletto - aquele que votou para arquivar a CPI do INSS -, fez em Eunápolis na sexta-feira passada. Apesar de contar com a presença do senador Otto Alencar (PSD), que por lá apareceu apenas por ser pai da noiva do parlamentar, o pífio festejo com menos de 100 populares foi uma clara demonstração que Netto Carletto tem feito de tudo para se reaproximar da direita, tanto que o maior ciceroneado da festa foi o prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, um dos bolsonaristas mais fieis da Bahia. Nenhum petista ou cacique do governo Jerônimo Rodrigues deu as caras. Há quem garanta que Neto Carletto seja um bolsonarista enrustido, valendo recordar que em 2022, seu tio, Ronaldo, cabra que não é de duas palavras nem de duas ideologias, foi suplente de senador na chapa de Acm Neto mas nunca pediu votos para o ex-presidente. Apesar de Acm Neto ter ficado neutro na disputa presidencial de 2022, Carletto, o sobrinho, foi - e parece continuar sendo - um fervoroso apoiador da família Bolsonaro. Vai entender um moído desse…
EUA ROENDO UNHA
A Baía de Todos-os-Santos vai ganhar um visitante de peso e com sotaque mandarim. O Ministério da Defesa deu o aval para que o moderníssimo navio de guerra da Marinha da China, o "Chen Jingrun", atraque no Porto de Salvador entre os dias 6 e 10 de junho de 2026. Enquanto os americanos e os defensores da geopolítica tradicional roem as unhas em Brasília com a aproximação estratégica dos asiáticos em águas brasileiras, o soteropolitano só quer saber se a tripulação vai aguentar o acarajé com pimenta e o calor da nossa recepção. Brincadeiras diplomáticas à parte, as movimentações de Pequim em solo nacional andam cada vez mais ousadas no tabuleiro global. Olho vivo!
PLEITO ATENDIDO
E não é que o Sindicato dos Rodoviários de Salvador saiu do ensaio e partiu para a ação? A categoria deflagrou a greve, pegou o Palácio Thomé de Souza de surpresa e, com menos de 10 horas de paralisação total no sistema de transporte, conseguiu o reajuste salarial que exigia para encerrar o movimento. Este Carrasco já previa o teatro anual, mas dessa vez o susto foi real. O roteiro deve se repetir no ano que vem, e no meio dessa eterna birra entre empresários e trabalhadores, quem continua pagando o pato e mofando nos pontos é quem depende do "busão" para trabalhar e estudar.
ENZO TORCEDOR
O brasileiro pode parecer que não gosta de nada, mas ele deve admitir que já entrou no clima de Copa do Mundo. O Nordeste por inteiro já tem a imensa vantagem de assistir ao mundial comendo bolo de aipim e milho assado em pleno São João, causando uma dó nos sulistas (Será?). Mas convenhamos, ninguém aguentava mais o sofrimento de assistir a essa palhaçada da preparação antes da convocação final. A melhor parte foi quando acabou aquela patifaria e apareceu até "Enzo" torcedor da seleção brasileira jurando amor à camisa. E o técnico Carlo Ancelotti, hein? Cedeu à pressão e acabou convocando o atacante Neymar, que para ser chamado atualmente precisa estar "nem bem" fisicamente. Resta torcer para que ele jogue nos gramados tanto quanto joga nas polêmicas de bastidores.
ALVARÁ DE SOLTURA
O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, tem motivos de sobra para comemorar a derrubada do veto presidencial na LDO de 2026. A decisão do Congresso Nacional funciona como um verdadeiro alvará de soltura financeira: garante que municípios com até 65 mil habitantes, mesmo inadimplentes e sem certidões negativas de débito, possam assinar convênios e receber verbas federais. Na Bahia, o impacto é avassalador, beneficiando cerca de 370 das 417 cidades. Se por um lado Cardoso celebra o fôlego imediato para o emprego local, por outro, os órgãos de controle vão precisar redobrar a atenção com a farra dos prefeitos caloteiros.
PRA ONTEM
Em Lauro de Freitas, a prefeita Débora Régis (União Brasil), nem esperou a poeira das malas baixar e já correu direto do aeroporto de Brasília para a Esplanada dos Ministérios na caça por recursos federais para a mobilidade urbana. Aproveitando a Marcha dos Prefeitos, a gestora bateu na porta do governo Lula avisando que resolver o trânsito caótico nos horários de pico é missão impossível para o orçamento municipal sozinho. O nó viário da Região Metropolitana é um problema herdado que virou prioridade máxima. Essa Débora tem se mostrado uma ótima gestora. Futuro promissor.
INCOMPATÍVEL
A Prefeitura de Laje, no Recôncavo Baiano, entrou na mira do MP-BA por conta de uma matemática financeira que desafia a lógica. O município, que tem pouco mais de 20 mil habitantes, torrou impressionantes R$ 4,5 milhões na contratação de apenas seis das 15 atrações previstas para o São João local, o que abocanha surreais 97,2% do orçamento total da festa. No Diário Oficial, os contratos de Silvano Salles, Pablo, Netto Brito, Buscapé Arreio de Ouro e Gabriel Fidelis acenderam o alerta vermelho dos órgãos de controle. Gastar o que não tem para fazer micareta junina é a certeza de que a conta vai quebrar na saúde e na educação.
SONHO ACORDADO
O deputado estadual Roberto Carlos (PV) mandou bem ao sugerir a criação de um "esquema corujão" no sistema de ferry-boat da Bahia. A iniciativa de colocar as embarcações funcionando na madrugada é até louvável no papel, mas virou motivo de descrédito imediato nos terminais de São Joaquim e Bom Despacho. O sistema operado pela Internacional Travessias mal consegue cumprir a grade regular de horários e vem definhando à luz do sol, com filas quilométricas e sucateamento visível, quanto mais aderir à sugestão do deputado que, apesar da boa intenção, esqueceu de combinar com a realidade caótica da Baía de Todos-os-Santos.
CHÁ DE CADEIRA
O deputado federal Charles Fernandes (PSD) resolveu botar a boca no trombone contra o tratamento recebido em Brasília. O parlamentar reclamou publicamente que está há quase três anos tentando uma audiência com o governo federal para levar prefeitos e destravar demandas urgentes do Sertão Produtivo. Fiel escudeiro de Otto Alencar e Antônio Brito, Charles mandou avisar que lealdade merece contrapartida e que o Poder Executivo precisa ouvir mais a bancada federal, que hoje se sente isolada. Em ano de articulações pesadas, dar chá de cadeira em aliado é pedir para o motor enguiçar. A oposição nacional e estadual agradecem.
SAÍDA HONROSA
Sob o risco real de enfrentar dificuldades para se reeleger deputada federal, a experiente Lídice da Mata (PSB) pode ganhar uma saída honrosa e estratégica do grupo governista. O desenho de bastidor consiste em cacifar a parlamentar como a primeira suplente na chapa de reeleição do senador Jaques Wagner (PT). Caso o plano se concretize e o "Galego" seja alçado novamente à Esplanada dos Ministérios em um eventual novo mandato de Lula, a ex-prefeita de Salvador garante um passaporte de volta para a Câmara Alta do Congresso Nacional, em Brasília. O PSD, entretanto, vem torcendo o pescoço e promete não abrir mão da vaga, que hoje estaria pré-reservada ao jurista Edvaldo Brito, mas também no horizonte de duas deputadas pessedistas.
CAIXA-PRETA DO TRANSPORTE
O desfecho relâmpago da greve dos rodoviários de Salvador, que durou apenas oito horas, reacendeu a pressão na Câmara Municipal (CMS) para a abertura da "caixa-preta" do transporte público. A oposição e a bancada independente tentam desengasgar o debate sobre a transparência das planilhas de custos das empresas que operam na capital, um tema travado nos bastidores da Casa há mais de uma década.
DEIXA ISSO QUIETO, RAPAZ
A velha máxima de Brasília segue mais viva do que nunca: se cavar demais, fede. Seguindo esse manual de sobrevivência de todos, o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil), decidiu ignorar os “apelos” e tem evitado ler os requerimentos para a instalação da CPMI do Banco Master. O motivo do "esquecimento" cirúrgico de Alcolumbre não é apenas blindagem partidária: no fundo o habilidoso Davi sabe que as entranhas do caso Master atinge a direita, o centrão, mas principalmente o PT, que é considerado o DNA do Banco Master.
DOIS PULOS EM SOLO BAIANO
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), deve dar dois pulos na Bahia no próximo mês em sua ofensiva pelo Nordeste. A primeira tentativa de furar a bolha regional promete ser fácil: o destino é Luís Eduardo Magalhães, no Oeste baiano, durante a Bahia Farm Show, um dos maiores redutos da direita conservadora e do agronegócio no estado. O segundo compromisso, contudo, será um teste de fogo em Cruz das Almas, durante as festas de São João.
TRUMP É A SALVAÇÃO
O que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) têm em comum? Diante das cordas, ambos recorreram ao presidente dos EUA, Donald Trump, para estancar crises domésticas. O governo petista parecia nas últimas após a rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrota na PEC da Dosimetria. Bastou Lula voar para Washington e ser recebido com pompas pelo líder americano para a imagem de fracasso evaporar. Agora, o "Zero Um" aplica a mesmíssima cartilha: acoado pelas revelações do escândalo do Banco Master e sua ligação com Daniel Vorcaro, Flávio correu atrás de Trump em busca de uma agenda positiva que desviasse o foco da Polícia Federal. Quem diria que o "Laranjão", outrora temido pela esquerda e idolatrado pela direita, viraria a tábua de salvação oficial do xadrez político brasileiro.
ENQUADRADA
Lá vai o selo semanal do Centenário para um ex-secretário de indústria e comércio da Bahia. Além de enquadrado pelo Carrasco, o Back-Trunk foi enquadrado pela Justiça e foi condenado à pena de prisão. Se quiser escapar de ver o sol nascer quadrado, o moçoilo terá que lavar banheiro de escola pública, como pena restritiva de direito. Na casa do Back-Trunk, nesse final de semana, a playlist mais ouvida foi a de Gabriel, o Pensador: “Maresia, sente a maresia, uh. Apaga a fumaça do revólver, da pistola. Manda a fumaça do cachimbo pra cachola. Acende, puxa, prende, passa. Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça.”
