O Carrasco: Recuo? Aqui não!
RECUO? AQUI NÃO!
Quem espera um recuo estratégico do presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), sobre a guerra contra o sistema Kiss & Fly, vai cair do cavalo. O tucano segue obstinado em fazer valer o projeto de lei que proíbe a cobrança abusiva no meio-fio do Aeroporto de Salvador e promete dar à Vinci Airports o troco que ela merece por tentar sugar o dinheiro dos baianos. Muniz já avisou que não vai arredar o pé da trincheira. E a CMS, pelo jeito, vai se mostrar unida ao presidente.
AFRONTA À SOBERANIA
Em um ato completo de desespero e soberba, o CEO da Vinci Airports, Júlio Ribas, achou de bom tom provocar Muniz publicamente, chamando a reação do Legislativo de "oportunista". Se Ribas pensa que a capital baiana é terra de ninguém, onde a multinacional dita as regras e escolhe como blindar seus lucros, pode se preparar: o chumbo vai entrar pesado. A Câmara de Salvador já provou que não aceita desaforo de executivo de terno. Podem anotar: a Vinci pode até ficar mas Ribas vai ter de arrumar as malas.
ZONA CINZENTA
A discussão sobre o "meio-fio" do aeroporto entrou em uma verdadeira zona cinzenta jurídica. Ora a concessionária alega que o espaço é de concessão federal, ora juristas apontam que a área pertence ao município de Salvador e, por isso, a maldita cobrança de R$ 18 deve ser derrubada pela lei municipal. No meio dessa guerra de cegos, o Palácio Thomé de Souza já deu sinais de que respeita a atribuição do Legislativo e só irá se pronunciar caso o PL chegue para sanção ou veto. Quem tiver apostando em desarmonia entre a prefeitura e a câmara pode esperar sentado.
CEO SEmPONTE I
A novela da ponte segue revelando que o maior obstáculo da obra talvez nunca tenha sido ambiental, mas gerencial. Nos bastidores, cresce a irritação com o rastro de projetos mal elaborados, estudos frágeis e inconsistências técnicas deixadas pelo ex-CEO. O resultado já aparece na prática: atrasos sucessivos, dificuldade para obtenção da licença ambiental e um empreendimento que continua patinando entre revisões, retrabalhos e dores de cabeça para o governo.
CEO SEmPONTE II
Mas ao que parece, o ex-CEO ainda acredita que o governo “deve” tudo a ele e tenta remontar, numa secretaria do Estado, seu antigo “modelo de parceria” com prestadores de serviço. Segundo relatos, a frase atribuída ao personagem já virou folclore nos bastidores: teria dito que “pariu um Secretário e agora vai balançar”. O Carrasco segue de olho. MP e TCE que fiquem espertos, as manobras prometem ser “engenhosas”.
O RETALHAMENTO DO CAPÃO
A ganância imobiliária e a falta de fiscalização estão transformando um dos maiores patrimônios ecológicos da Bahia em balcão de negócios. O prefeito de Palmeiras, Wilson Rocha (AVANTE), virou alvo de denúncias gravíssimas de moradores e ambientalistas por permitir e chancelar o retalhamento do Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Loteamentos irregulares e condomínios clandestinos avançam sem licença ambiental sobre áreas de preservação permanente, ameaçando o abastecimento de água e a biodiversidade local. É como o Carrasco sempre diz: a inércia de um licenciamento célere e razoável é o inimigo do crescimento sustentável do país. De nada adianta o órgão ambiental inventar obstáculos inexistentes e a clandestinidade prejudicar tudo.
FREIO NOS GASTOS
O TCM acionou o freio de arrumação na Vaquejada de Formosa do Rio Preto. Atendendo a um pedido do Ministério Público, o órgão publicou uma medida cautelar que atinge em cheio o bolso da prefeitura e o cronograma dos artistas. O prefeito Manoel Afonso de Araújo (PSD) parece viver em uma economia paralela: os cachês contratados para o evento sofreram reajustes astronômicos de até 60% em relação ao ano passado. No total, a brincadeira custaria mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos, um salto de 51% no orçamento da festa. Festa com chapéu alheio tem limite!
VOO CEGO
O prefeito de Prado, Gilvan da Silva Santos (PSD), entrou no radar do Tribunal de Contas por uma gestão de milhagens nada republicana. O tribunal julgou parcialmente procedente uma denúncia sobre a farra das passagens aéreas entre 2021 e 2022. Agora, Gilvan terá que tirar do próprio bolso quase R$ 100 mil para ressarcir o erário, além de encarar multa. A auditoria nos contratos com a Gava Turismo revelou um verdadeiro "Triângulo das Bermudas" administrativo: pagamentos sem cartões de embarque, ausência de notas fiscais e relatórios de viagem sumidos.
CENTRAL DO ERRO
A gestão do prefeito de Santo Estêvão, Tiago da Central, sofreu um curto-circuito judicial. A Justiça determinou a suspensão imediata de editais que buscavam contratar professores temporários de forma precária, ignorando solenemente os aprovados em concurso público válido. A liminar foi concedida após mandado de segurança movido por uma concursada. Insistir em contratos de gaveta nessas circunstâncias é um tapa na cara da meritocracia e da profissionalização do serviço público.
MAKING OF DA CORRUPÇÃO
A conta chegou para o esquema que drenou os cofres de Cansanção, no nordeste baiano. O Ministério Público Federal (MPF) deu um xeque-mate nas apelações criminais da Operação Making Off, defendendo a manutenção das condenações de quem transformou a prefeitura em balcão de negócios. Sob a batuta da gestão de Ranulfo Gomes, o MPF diz que a organização criminosa operou um esquema sistêmico que evaporou R$ 26 milhões entre 2011 e 2015 por meio de fraudes em licitações e superfaturamento de preços. A justiça tarda mas não falha.
ACESSO RESTRITO
Não satisfeito em cobrar uma taxa salgada de R$ 30 para quem deseja visitar a Cachoeira dos Prazeres, o prefeito de Jiquiriçá, Lucas de Deraldo (PSB), resolveu inovar no absurdo. O gestor decidiu restringir o acesso a um dos cartões-postais mais emblemáticos do Vale do Jiquiriçá, permitindo a entrada de visitantes apenas aos sábados, domingos e feriados. A medida, claro, gerou revolta imediata na população local e nos comerciantes que dependem do turismo. Esse "pedágio da natureza" e o fechamento dos portões públicos já estão sendo observados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Privatizar o visual tem limite, prefeito!
BOM SENSO
O Ministério Público da Bahia está marcando em cima dos prefeitos que tentam driblar as recomendações de austeridade e ultrapassar o teto de R$ 700 mil na contratação de artistas para o São João. A bola da vez seria o município de Paramirim, que após os esclarecimentos prestados, teve o reconhecimento de que não houve superfaturamento ou outra ilegalidade. Ponto positivo para o MP-BA e principalmente para o promotor local, que atuaram com a parcimônia devida.
WAGNER, A FÊNIX
Depois de ser jogado aos leões por "aliados" de véspera, o senador Jaques Wagner ressurgiu das cinzas no Congresso Nacional. Havia quem colocasse na conta do líder do governo a rejeição histórica de Jorge Messias ao STF, chegando a pedir a sua cabeça em bandeja de prata. Contudo, bastou a bomba envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro explodir para o "Galego" ir à forra. Com um discurso contundente no plenário, Wagner recuperou o protagonismo e injetou ânimo na liderança, que andava cabisbaixa. Quem achava que ele estava politicamente enterrado errou o cálculo.
CHEFE POR CHEFE
Por falar em Jaques Wagner, seu nome foi alvo de um bate-papo descontraído na Assembleia Legislativa na semana passada. Três deputados da oposição e dois do governo dialogavam sobre o desejo inusitado de Rui Costa, em “querer porque querer” debater com o pré-candidato a governador Acm Neto. Ao invés de discutir propostas com os postulantes ao Senado pela oposição, Rui, obsedado, vive dizendo para João Roma e Ângelo Coronel que só debate “com seu chefe”. E foi por isso que no bate-papo entre os cinco deputados estaduais, um deles, integrante da oposição, saiu com uma pérola positiva digna de nota: “se Rui acha que o debate tem de ser entre chefes, ao invés de candidato versus candidato, ele precisa convocar o chefe dele, Jaques Wagner”. A concordância foi unânime e a gargalhada foi geral.
CASSA TÍTULO
O pré-candidato a deputado estadual Kleber Rosa (PSOL) resolveu comprar briga com a bancada conservadora da Câmara de Salvador. O psolista exigiu a revogação do título de cidadão soteropolitano concedido a Flávio Bolsonaro (PL), honraria viabilizada por meio de uma manobra regimental do vereador Cezar Leite. O pretexto para a ofensiva foi o vazamento de áudios que envolvem o senador em um pedido de fundos ao banqueiro Daniel Vorcaro. Classificando a premiação como um "escárnio" e disparando que a CMS "não é a casa da Mãe Joana", Kleber quer usar o episódio para emparedar a base governista da cidade. Em Salvador, a disputa pela narrativa nacional continua rendendo faíscas. Pelo visto, Kleber Rosa não aceita a derrota e padece do adjetivo “minoria com complexo de maioria”.
NEM ELE ACREDITOU
Um dia após negar qualquer participação financeira no documentário Dark Horse, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) viu o roteiro de sua defesa desmoronar. Documentos revelados pelo The Intercept Brasil colocam o "Zero Três" justamente como produtor-executivo da obra sobre o pai, Jair Bolsonaro. Eduardo assinou contrato e participou diretamente de decisões sobre captação de recursos, investidores, patrocínios e até incentivos fiscais. Ou seja, no set de filmagens da família, só faltou ele segurar a claquete.
LULA PREFERE O SILÊNCIO?
A fraude financeira envolvendo o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, transformou-se em uma teia que avança rapidamente pelas diferentes camadas do poder em Brasília. Após vir à tona a ligação explosiva do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), com o caso, o presidente Lula (PT) foi questionado sobre o assunto durante agenda na Bahia. Raposa velha do xadrez político, o petista preferiu silenciar e deixar qualquer comentário sob a responsabilidade da Polícia Federal. Lula sabe que, em escândalos desse calibre, falar pouco é sinal de sobrevivência. Afinal, nesse tipo de ventilador, a lama costuma voar para todos os lados. Além disso, Lula já foi avisado que a farra da fraude nos aposentados e pensionistas do INSS, bem como a renovação gratuita das concessionárias estaduais de energia elétrica podem atingir gente de sua família. E um detalhe deixa o presidente sempre em alerta: o relator de ambos os inquéritos no STF é o ministro André Mendonça, que não vai deixar a sujeira ir para debaixo do tapete. Até a eleição muita bomba tende a explodir, ainda que no colo do governo. A conferir.
BIRRO DOIDO
As páginas policiais tende a ganhar um novo episódio, desta vez envolvendo uma empresa que já prestou seus serviços em solo baiano e hoje tenta se equilibrar junto ao Estado do Rio Grande do Norte. Prometendo voar como uma NAVE no ramo de REFEIÇÕES, o tal do Juninho deu um calote em fornecedores de Salvador e mudou suas malas para Natal. Arrotando o discurso de picareta “devo não nego, pago quando puder”, o danadinho se diz sócio de um astro da música sertaneja, amigo da governadora e parceiro de integrante do PCC. Não demora a cair do cavalo, literalmente falando.
ENQUADRADA
O selo semanal do Carrasco vai para o ex-prefeito de Irecê e pré-candidato a deputado federal, Elmo Vaz (Avante), que ganhou uma dor de cabeça das grandes e entrou na mira do Parquet. Isso porque o MP-BA acionou a Justiça com uma ação de improbidade administrativa que aponta um verdadeiro "negócio da China", mas contra o interesse público e contra as contas do município. Segundo o órgão, Elmo permutou um terreno público de 4 mil m², avaliado em R$ 1,6 milhão, em troca de serviços de pavimentação que custaram apenas R$ 491 mil. Para azedar ainda mais o pirão do cacique do Avante, o MP afirma que a empresa contratada não tinha funcionários nem maquinário. O pedido é pesado: suspensão dos direitos políticos e ressarcimento integral do rombo de quase R$ 1 milhão. Se houver compartilhamento de provas com órgão de persecução criminal a coisa pode feder ainda mais.
