CUIDADOS
Fuga de pet: plaquinha, microchip ou rastreador é o mais seguro?
Veterinários explicam as diferenças entre os métodos que custam a partir de R$ 30 e ajudam no reencontro rápido do bicho


O que parece ser, para muita gente, um pequeno luxo pode salvar a vida de um pet. Uma plaquinha presa à coleira da caramelo Sariguê, de 5 anos, com os contatos da bancária Ana Luiza Nascimento Pedro no verso levou a cachorrinha de volta para casa após uma fuga durante um passeio.
“Bingo e Sariguê usam pingente com meu contato e o de Darlene Vidal (proprietária do Caninos Lar Temporário). Eu sempre aconselho todos do meu entorno que possuem pet a identificá-los; é segurança para todos”, conta Ana Luiza, referindo-se às plaquinhas que usa nos seus animais.
“A identificação, no caso de uma fuga, vai garantir que a pessoa que achar esse animal na rua localize o responsável com brevidade”, explica o médico veterinário comportamentalista Luis Carlos Souza”, explica.
Foi o que aconteceu com Ana Luiza e Sariguê, já que a cachorrinha foi localizada na Pituba, mesmo bairro onde se perdeu da responsável, e levada de volta para casa após ter sido atropelada. Felizmente, o choque com o veículo não causou ferimentos graves e hoje ela está bem.

“É terrível essa sensação (de perda do animal) mesmo sabendo que estava com a plaquinha de identificação, quando Paulinho ligou, que alivio”, conta. Segundo o comportamentalista Luis Sousa, além das plaquinhas, também são importantes os microchips e os rastreadores.
Ele alerta também para a necessidade do treinamento prévio do animal, além do cuidado com o uso correto da guia. E reforça que os animais ansiosos, agitados e medrosos são mais propensos à fuga, sobretudo no passeio. “Agora, no período dos festejos juninos, costumam ocorrer muitas fugas por causa dos fogos e é ainda mais importante esta identificação”, explica.
Métodos
O médico veterinário comportamentalista Rafael Ramos, 40 anos, orienta os responsáveis por animais a combinar métodos de identificação. “A coleira com plaquinha é excelente porque facilita o contato imediato, o microchip é uma identificação permanente e muito segura. Já os rastreadores ajudam principalmente em animais com histórico de fuga”, explica.
Segundo ele, a combinação entre identificação visível e o microchip costuma ser uma das estratégias mais eficazes. As plaquinhas personalizadas e os rastreadores podem ser adquiridos em lojas de produtos pet ou plataformas de vendas on line e têm custo variado, com valores a partir de R$ 30.

Já os rastreadores de pet utilizam três tecnologias: GPS (rede celular própria) e Bluetooth (uso de rede colaborativa de celulares) . Eles oferecem monitoramento em tempo real, alertas de fuga e histórico de rotas diretamente no celular.
Os microchips, por sua vez, custam um pouco mais caro, são uma identificação permanente e precisam de serviço especializado. O dispositivo é implantado no dorso do animal e a identificação por meio dele só pode ser feita através de um leitor específico, em clínicas veterinárias.
“ Muitas pessoas ainda enxergam identificação como algo opcional, quando na verdade deveria ser considerada um item básico de segurança. Felizmente, a conscientização vem aumentando, mas ainda existe bastante desinformação sobre prevenção de fugas e segurança animal”, explica Rafael Ramos.
Ramos alerta que a identificação não deve ser vista apenas como um acessório, mas como uma medida de responsabilidade e proteção. “Muitas histórias de reencontro só acontecem porque aquele animal estava devidamente identificado”, orienta, ressaltando que prevenir ainda é sempre a melhor forma de cuidado.
E foi o que fez Ana Luiza ter a sua caramelo de volta, em cerca de 40 minutos, depois de um susto durante o passeio com guia. “Foi alívio imediato”, diz.
DR. PET
Veja as principais orientações do especialista
Por que a identificação do pet é considerada uma medida essencial para a segurança do animal?
A identificação é uma das formas mais importantes de proteção para cães e gatos. Mesmo animais dóceis, acostumados ao ambiente ou muito ligados aos tutores podem fugir em situações inesperadas, como sustos, fogos, portões abertos ou acidentes. Um pet identificado aumenta muito as chances de retorno rápido e seguro para casa.
A identificação também ajuda em situações de acidentes ou emergências? De que forma?
Sem dúvida. Em casos de acidentes, atropelamentos ou emergências médicas, a identificação permite que a equipe veterinária ou qualquer pessoa consiga localizar rapidamente os tutores. Isso agiliza atendimento, autorizações e aumenta as chances de um desfecho positivo.
Quais orientações básicas para reforçar a prevenção contra perdas??
Manter identificação atualizada, revisar portões e acessos, utilizar guia em passeios, trabalhar obediência básica e evitar exposição a situações de medo sem preparo adequado. Além disso, é importante que o animal tenha uma rotina equilibrada e supervisão adequada.
Fonte: Rafael Ramos, médico e veterinário comportamentalista