Vale a pena assinar Netflix? Veja os prós e os contras

Escrevo a coluna desta semana inspirado numa conversa que tive com minha editora aqui em A TARDE, Simone Ribeiro. Em vez de notinhas ou críticas, hoje vamos prestar serviço a vocês, leitores. Vou ajudá-los a decidir se vale ou não a pena assinar o tal serviço Netflix.
O Netflix é um serviço que oferece milhares de filmes, programas, shows por meio de streaming via internet. O streaming (pronuncia-se mais ou menos "estruiming") é uma forma de transmissão de vídeo ou som que ocorre sem que seja necessário baixar o arquivo. Também serve para transmissões ao vivo.
Grosso modo, é como se o arquivo "caísse" sobre o seu computador ou dispositivo de uma nuvem (cloud) em tempo real.
Dito isso, um dos argumentos que você mais deve ouvir ultimamente é: "Ah, você tem que assinar o Netflix porque é baratinho". De fato, as assinaturas custam de R$ 19,90 (uma tela, sem HD) a R$ 29,90 - com direito a ver filmes em mais de um aparelho ao mesmo tempo e com qualidade HD.
O problema é que para você ter o serviço não adianta pagar "só" R$ 29,90 ao mês. Isso não basta. Você tem de ter também um bom serviço de internet (mais de 10 Mega, no mínimo), seja móvel ou em sua casa. Por isso você terá de pagar no mínimo uns R$ 70 mensais.
Agora saiba que, se tiver assinatura Netflix básica, e também uma internet básica (tipo 1 Mega), pode acabar irritado. O acesso aos filmes pode demorar, a transmissão pode congelar por segundos (ou minutos), o filme pode parar no meio e você ficar "assistindo" a um ícone na tela informando que, seja lá o que você estava assistindo, agora está sendo recarregado.
Então, concluimos que aqueles "baratinhos" R$ 29,90 vão custar, na verdade, R$ 100 mensais.
Aí o leitor raciocina: bom, sr. Feltrin, mas ter em casa uma assinatura de TV paga supimpa me custa uns R$ 140 por mês. Se cancelar minha TV paga e assinar o Netflix vou economizar uns R$ 40 por mês, certo? Certo.
Então a leitora, fazendo beicinho, ainda completa: "E o streamiing tem a vantagem de não ter aqueles comerciais insuportáveis da TV paga a cada cinco minutos, certo? Certo de novo.
Só tem um problema, e ele deve ser ponderado: o conteúdo do Netflix é bem diferente e tem muito, mas muito menos variedade que a TV paga.
Se você gosta de assistir ao noticiário, de ver coberturas ao vivo, de assistir ao seu futebolzinho no meio da semana ou aos domingos; se gosta de reality shows culinários ou aqueles sobre carros envenenados; se adora ver o dia a dia em lojas de penhores ou acompanhar seriados ou reconstituições de crimes, casos de fantasmas e de paranormalidade, pode esquecer o Netflix.
E pode esquecer mais ainda, caso você goste de filmes clássicos, de obras-primas, da nouvelle vague, do cinema britânico, do asiático e até mesmo grandes filmes recentes de Hollywood; se você quer ver os últimos shows da sua banda preferida ou gosta de documentários sobre música, músicos, arte, engenharia ou arquitetura, também pode ir tirando o equino da intempérie. O acervo do Netflix não tem nada - ou muito pouco - disso.
Porém, se seu negócio é dar risada com comédias, se emocionar com dramas com Richard Gere, seriados da Disney ou romances fofos com a Rachel McAdams ou Cameron Diaz; se gosta de novelinhas espanholas e mexicanas ou quer rever Os Dez Mandamentos na íntegra; se gosta de filmes de ação com Vin Diesel, então vá em frente.
Claro, o Netflix também tem produções exclusivas de garbo, mas até certo ponto algumas são bem superestimadas pela crítica. Por exemplo, a badalada Narcos, de José Padilha, não é tão boa (opinião minha) quanto Pablo Escobar, o Senhor do Tráfico - que também está disponível no acervo, mas também pode ser vista no canal +Globosat.
House of Cards, com Kevin Spacey, tem de fato uma primeira temporada brilhante e inovadora. Mas a segunda começa a entediar, e a terceira já vira clichê de si mesma.
Por fim, vale dizer que, ao contrário da TV paga comum, o Netflix lhe dá poder de mobilidade. Você pode acessar seus programas preferidos do laptop, celular ou tablet e de qualquer lugar, seja numa viagem de fim de semana ou nas férias.
Espero que a coluna tenha ajudado você com subsídios. Porém, se eu fosse você, e tivesse condições financeiras, diria que o melhor dos mundos é ter os dois: TV paga e streaming. Mas, claro, haja orçamento familiar...
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
