Molina e as polêmicas da gravação de Temer
Nas faculdades de jornalismo e de direito muito se discute sobre o uso de gravações para a publicização ou para efeitos jurídicos.
Em síntese, se diz que, se quem grava está na gravação, em áudio ou imagem, não tem maiores delongas, é legal. O agente produtor do fato está claramente identificado.
Se a gravação é feita com terceiros, com o agente gravador fora, é discutível. Gravar uma pessoa, sem conhecimento dela, em colóquios íntimos, por exemplo, ou conversas privadas, pode ser invasão de privacidade. Mas se o fato gravado for um crime, ou a trama dele, aí o caso muda.
Ressalvadas tais circunstâncias, no jornalismo tem-se como praxe publicizar e nunca houve questionamentos em contrário.
Ora, no caso de Joesley Batista e Temer é a primeira situação com ingredientes da segunda. Aí aparece o perito Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer, para desdizer tudo e afirmar que a gravação não serve como prova por ter muito baixa qualidade técnica. Não cola. Nem juridicamente e muito menos politicamente.
Molina, Molina, te cuida.
Boicote parlamentar
Há seis semanas a Assembleia não vota absolutamente nada. Motivo: a bancada do governo, que tem 42 dos 63 parlamentares, não comparece. Intramuros, fazem queixas do governo, que não são atendidos por secretários e as emendas parlamentares do ano passado ainda não foram pagas.
Irônico é que, quando as sessões caem, o deputado Zé Neto (PT) apresenta pedidos de reabertura com 21 assinaturas. Semana passada, o deputado Sandro Régis (DEM), primeiro-secretário, indeferiu o pedido alegando que 16 dos signatários estavam ausentes. Ontem, Ângelo Coronel (PSD) também indeferiu. Seis dos 21 estavam ausentes.
Se eu chego no momento, eu iria arrancá-lo do trio e, se caso fosse eu, iria fazê-lo engolir aquele microfone
Qual a novidade de ver o playboy Aécio Neves pedindo propina e mandando um primo ir receber o dinheiro?
Ignorância preciosa
O deputado Adolfo Menezes (PSD), que lapida e vende esmeraldas, lembrou ontem que o fato de a mídia bater e repetir que foi encontrada em Carnaíba, Pindobaçu, uma esmeralda de 360 quilos (a maior do mundo, no Museu de Teerã, no Irã, tem seis gramas), corrobora uma ignorância nacional que muito colabora para o Brasil ser roubado, sem saber:
– Os fiscais do governo não conhecem pedras preciosas. O resultado é que muita coisa valiosa sai do país quase de graça.
Samba no metrô
Rui Costa postou vídeo no Face em que ele, ao lado de baianas, está sambando numa das estações do metrô da Paralela, ontem entregues ao público (até Pituaçu).
Evoluiu muito. Do início do governo para cá, melhorou muito o passo.
Mui amigo
Com o cantor Igor Kannário (PHS), um cantor controverso agora vereador em Salvador, ACM Neto está ganhando um poderoso cabo eleitoral contra. Antes de ter aprontado em Feira de Santana, domingo, quando disse a uma PF que era mais autoridade do que ela, por ser vereador, ele aprontou em Irará, em fevereiro último, na festa da padroeira.
Lá, ele também atacou a PM, e de graça, quando disse que os policiais não precisavam ficar na praça, 'que é do povo'.
Riscado do mapa - Em Feira, o prefeito Zé Ronaldo é do DEM, partido de Neto. Em Irará, o prefeito Juscelino dos Santos, mais do que ser do DEM, é amigo de Neto.
Auxiliares de ambos dizem que eles hoje fogem de Kannário como o diabo da cruz.
Baixo-astral - Coincidiu que ontem a sessão da Câmara de Feira foi suspensa. Motivo: o vereador Ronaldo Caribé, o Ron do Povo, denunciou que o assessor de um vereador lhe ofereceu drogas dentro da Câmara.
Em fevereiro, no Carnaval, Kannário já foi alvo de polêmica ao dizer que o crime organizado está na Câmara de Salvador. Será que quer contaminar a de Feira?
POUCAS & BOAS
A secção baiana da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular realiza amanhã no Boi Preto (19h30) a sua reunião científica com o tema Desafio vascular: discussão de casos complexos de aorta. A doença, silenciosa, foi a que matou o cantor Belchior. As empresas Medicicor e Bolton Medical bancam o evento.
Antologia poética de Sosígenes Costa é mais um livro da coletânea Mestres da Literatura Bahiana que a Assembleia patrocina e será lançado hoje (17h) na Academia de Letras da Bahia. Os presidentes Ângelo Coronel (Assembleia) e Evelina Hoisel (ALB) são os anfitriões da vez.
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