Os catedráticos

Gostei do nível técnico da primeira rodada. Nada excepcional. Notei a pouca pressão em quem está com a bola. As equipes preferem recuar e fechar os espaços, para contra-atacar. A Espanha foi o melhor time, e a Arábia Saudita, o pior. Espanha e Portugal fizeram o jogo mais agradável, e Croácia e Nigéria, o mais desagradável. Cristiano Ronaldo foi o cara, e Coutinho fez o gol, tecnicamente, mais brilhante. A Islândia mostrou o melhor sistema defensivo, e o México, o melhor contra-ataque. A Alemanha foi a maior decepção.
A dificuldade das grandes seleções, diante de equipes inferiores, não foi surpresa, pois, nos últimos anos, estes, em todo o mundo, aprenderam a como se posicionar defensivamente. Achei excessivas as duras críticas à Argentina e ao Brasil, já que Islândia e Suíça marcaram muito bem. Messi e Neymar tiveram grandes dificuldades. Das principais seleções, a Bélgica foi a única que ganhou com facilidade, porém, contra o fraquíssimo Panamá.
Com exceção de Bélgica, Inglaterra e Costa Rica, que iniciaram as partidas com três zagueiros, todos os outros jogaram com dois. A Bélgica, com três defensores, foi a equipe mais ofensiva, pois coloca três em seu campo e sete no do adversário. De Bruyne, o craque do time, brilha de uma área à outra. É o tipo de armador que falta ao Brasil. Falo isso há mil anos.
A Alemanha, além de carecer de um ótimo jogador de ataque, teve uma atuação defensiva desastrosa. Um time com dois zagueiros não pode atuar com o lateral-direito como ponta e com os dois armadores (Khedira e Kroos) no campo adversário. As equipes, de todo o mundo, que jogam com dois zagueiros, possuem um volante mais centralizado, que marca e inicia as jogadas ofensivas, como Casemiro, no Brasil, Busquets, na Espanha, Kanté, na França. A Alemanha só não levou uma goleada porque o México não tem ótimos atacantes.
Bastou o Brasil não atuar bem e empatar contra o bom time da Suíça para muitos torcedores e jornalistas esportivos passarem da euforia, do oba-oba, para a depressão, como se a atuação tivesse sido horrível. Pediram até a saída de Neymar, e surgiram enormes deficiências no trabalho do técnico. Tite passou de santo a mortal.
Na Copa, aumenta bastante o número de analistas e convidados famosos, que não acompanham o futebol internacional e que se acham os catedráticos.
Jogos de ontem
Três minutos de jogo, o volante Sánchez faz uma lambança, dá a bola ao atacante japonês, que, livre, chuta. A bola bate no goleiro, volta para outro japonês, que finaliza. Sánchez, no impulso, coloca o braço na bola. Ele é expulso, e o árbitro marca pênalti. O Japão faz 1 a 0 e fica com um a mais. A Colômbia, que, teoricamente, era a favorita, perde e, agora, está em uma situação complicada. O lance mostrou como um detalhe, um imprevisto, pode mudar a história de um jogo, de um campeonato e até de um campeão.
Com a vitória merecida de Senegal sobre a Polônia, os quatro times do grupo têm chances. A da Polônia é menor, pois a Colômbia perdeu, mas fica a impressão de que, quando tiver os 11 durante todo o jogo, terá boas chances de vencer os dois próximos jogos.
Hoje, veremos, novamente, Espanha e Portugal, dois candidatos ao título, favoritos contra Irã e Marrocos. O Irã criou fama de ter uma excepcional defesa.
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