COPA DO MUNDO
De Maneca a Danilo: os baianos que representaram o Brasil na Copa do Mundo
Jogadores baianos estiveram presentes em quatro dos cinco titulos da Seleção Brasileira


Ao longo de quase 100 anos de Copa do Mundo, jogadores baianos foram essenciais para a Seleção Brasileira e foram integrantes do elenco brasileiro em quatro dos cinco títulos. Ao todo, 13 jogadores nascidos na Bahia já fora convocados para Copa do Mundo e sete conquistaram o grande título, chegando ao topo do futebol.
A atual geração pode lembrar de Bebeto, Dida, Vampeta, Daniel Alves ou Edilson Capetinha, mas a Bahia tem representantes na Seleção Brasileira desde 1950 e até mesmo um defensor que foi grande pilar do bicampeonato mundial de 1958 e 1962, sendo campeão mundial junto a Pelé.
O primeiro baiano na Copa do Mundo
A primeira vez que um baiano disputou a Copa do Mundo, nem precisou sair do Brasil. Em 1950, no primeiro mundial disputado em solo brasileiro, o atacante Maneca foi convocado. Nascido em Salvador, ele foi um dos grandes talentos do futebol brasileiro nas décadas de 1940 e 1950.
O soteropolitano Maneca iniciou sua trajetória no futebol atuando pelo Galícia, mas viveu seu grande momento com a camisa do Vasco da Gama, equipe por qual jogou entre 1944 e 1956. No Cruzmaltino, conquistou diversos títulos cariocas e o histórico Campeonato Sul-Americano de Campeões de 1948 (precursor da Libertadores).
Maneca era um atacante conhecido pela sua versatilidade, podendo atuar como atacante de beirada ou centroavante. Sua principal característica era o drible, sem deixar de lado a capacidade de finalizar a gol.
Maneca foi titular em quatro das seis partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e marcou um dos gols da goleada de 4 a 0 contra o México. Com uma lesão muscular, ele foi desfalque na trágica final contra o Uruguai, em que o Brasil acabou derrotado pelo Uruguai. Poderia ser o Maranazo evitado pelo baiano?

Baiano na Suiça
A Copa do Mundo de 1954 aconteceu na Suiça e a Seleção Brasileira chegou em processo de reconstrução profunda após o Maracanazo. O atacante baiano Ubaldo, nascido em Itabuna e que carregou a alcunha de "Artilheiro de Deus" pelo hábito de rezar antes das partidas.
Ubaldo atuou no Atlético Mineiro entre 1950 e 1955, retornando entre 1958 e 1960 após passagem pelo Bangu. O centroavante se tornou um dos principais artilheiros da história do Galo, tendo estimados mais de 200 gols marcados.
Apesar do grande destaque no Atlético Mineiro, com o histórico pentacampeonato estadual, Ubaldo foi um reserva de luxo na Copa do Mundo e não chegou a entrar em campo. O Brasil foi eliminado nas quartas de final para a Hungria, no confronto que ficou conhecido como a 'Batalha de Berna'.

O baiano bicampeão mundial
Depois de frustrações, o Brasil, sob o comando do ainda jovem Pelé, se tornou campeão mundial pela primeira vez em 1958 e repetiu a dose quatro anos depois. Mas para além do 'Rei do Futebol', um jogador baiano foi essencial, apesar de hoje seguir pouco lembrado.
Esse é Zózimo, que ficou reconhecido por ser um dos primeiros zagueiros a se destacar no futebol mundial pela sua técnica e sua qualidade com a bola, quebrando o padrão da época de zagueiros que priorizavam a força. Isso se explica por uma mudança de posição, já que começou a carreira como meio-campista.
Zózimo é baiano de Salvador, mas fez sucesso atuando pelo Bangu, clube em que defendeu entre 1952 e 1963. Ele é até hoje o maior ídolo da história do clube do Rio de Janeiro.
Em 1958, Zózimo foi reserva de Bellini e Orlando Peçanha, assistindo do banco a conquista do primeiro título mundial do Brasil. Já em 1962, o zagueiro baiano foi peça fundamental na campanha do bicampeonato, jogando todas as partidas e sendo considerado um dos melhores defensores do torneio.

Um dos melhores da história
Nascido em Juazeiro, Luís Pereira é considerado um dos maiores zagueiros da história do Brasil. Ele jogou a Copa do Mundo de 1974, a primeira da Seleção Brasileira depois da Era Pelé e logo depois do título de 1970 - o único sem a presença de um jogador baiano.
Aquela Seleção Brasileira não manteve o brilho da geração anterior e passou a adotar um estilo mais físico e comprometido com o tático. A prmeira fase foi com dificuldades e apenas um gol marcado, apesar de nenhum gol sofrido.

Sob o comando de Luís Pereira, aquela seleção ficou cinco jogos sem levar gol, mas acabou derrotado pela Holanda de Johan Cruyff por 2 a 0, terminando no 4º lugar. O baiano marcou história, de certo modo, já que contra a Holanda recebeu o primeiro cartão vermelho direto da história da Seleção Brasileira em Copas.
Luís Pereira jogou no Palmeiras entre 1968 e 1975, retornando entre 1981 e 1984. Ele é um dos maiores zagueiros da história do clube. Além disso, atuou por cinco temporadas no Atlético de Madrid, que o contratou justamente com o destaque pós-copa.
Brazilian break-dancing ⚽ (1974)
— MotherSoccer (@MotherSoccerNL) June 23, 2021
by Luis Pereira #brazil vs. #ddr pic.twitter.com/BNkhon2M16
Sem baiano, sem títulos
A Bahia não teve um representante na Copa do Mundo por 16 anos, até o atacante Bebeto, nascido em Vitória da Conquista, ser convocado para a Copa do Mundo de 1990, quando entrou em apenas uma partida.
Já em 1994, Bebeto esteve na Copa do Mundo e teve o zagueiro Aldair, nascido em Ilhéus, como colega baiano no elenco. Os dois baianos foram titulares daquele seleção que conquistou o tetracampeonato, com o atacante revelado pelo Vitória como destaque, com 3 gols e 2 assistências.

Na sua carreira, Bebeto fez história pelo Flamengo, se tornando ídolo, e também brilhou quando rumou ao rival Vasco. Ainda atuou no futebol espanhol e retornou ao Vitória em 1997 para brilhar com 17 gols. O atacanta disputou três Copas do Mundo, sendo o baiano recordista de participações junto a Daniel Alves e Aldair.
Aldair, por sua vez, começou sua carreira no Flamengo, passou por Benfica e fez história na Roma, equipe italiana em que atuou por 13 temporadas e quase 500 jogos. Pela Seleção Brasileira foram três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998), além de três Copas América (1989, 1995 e 1997), uma Copa das Confederações (1997) e uma Olimpíadas (1996).
1998-2022 sempre com baianos
Desde a Copa do Mundo de 1998, sempre há pelo menos um jogador baiano no elenco da Seleção Brasileira. Em 1998, além de Bebeto e Aldair, o goleiro Dida (nascido em Irará) e o zagueiro Júnior Baiano (Feira de Santana) estiveram no grupo convocado pelo técnico Zagallo.
A dupla de zaga foi baiana, com Júnior Baiano se juntanto ao já experiente Aldair. A campanha do Brasil, que foi vice-campeão para a França, foi de 7 jogos, com 4 vitórias, 1 empate e 2 derrotas.
Também revelado pelo Flamengo, Júnior Baiano passou por São Paulo, Werder Bremen e defendia o Palmeiras em 1998. A carreira ainda teve outros clubes grandes do Brasil e terminou com 13 títulos importantes, para além dos estaduais.

Dos baianos do elenco, Dida foi o único reserva em 1998. Revelado pelo Vitória, ele chegou a Copa do Mundo como grande destaque do Cruzeiro. Ainda jogou por Corinthians e Lugano até chegar ao Milan em 2002 e atuar por sete temporadas, sendo um dos ídolos do clube italiano. Dida ainda foi convocado para Copa do Mundo de 2002, novamente sem jogar, e foi o titular na Copa de 2006.

Em 2002, no ano do penta, outros baianos que estiveram no elenco foram o meia Vampeta, nascido em Nazaré das Farinhas, e Edilson Capetinha, de Salvador. A Seleção Brasileira conquistou o pentacampeonato naquele ano, mas sem grande destaque dos baianos, que foram reservas.

Foram 20 anos entre 2002 e 2022 e o Brasil não foi mais campeão do mundo. Toda as Copas do Mundo nesse período tiveram baianos, com destaque especial para Daniel Alves (Juazeiro) presente em 2010, 2014 e 2018. Em 2014, ele teve a companhia do zagueiro Dante (Salvador) em 2014 - ano do fatidico 7 a 1. Em 2022, o único brasileiro foi o zagueiro Bremer (Itapitanga), que disputou duas partidas.
Mais baianos para 2026
O técnico Carlo Ancelotti anunciou na última segunda-feira, 18, a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026. Entre os 26 jogadores convocados, o meia Danilo, do Botafogo e natural de Salvador, além do zagueiro Bremer, mantêm o histórico de baianos em Copas do Mundo.

Bremer tem 29 anos e 6 jogos pela seleção. Ele disputou a Copa do Mundo de 2022, mas foi reserva e entrou em campo em dois jogos. O zagueiro da Juventus sofreu com lesões nesse ciclo e pouco atuou, mas retornou em tempo de ser convocado por Ancelotti.
Já Danilo vai estrear em Copa do Mundo. O meia de 25 anos, natural de Salvador, passou pela base de Bahia, Jacuipense e PFC Cajazeiras, mas estreou profissionalmente pelo Palmeiras, onde conquistou duas Libertadores. Após passagem na Inglaterra, retornou ao Brasil para jogar no Botafogo e soma 10 gols em 23 jogos na temporada. Pela seleção disputou apenas 2 partidas, mas o suficiente para carimbar sua vaga na copa.
Baianos por outras seleções
Além dos 13 baianos que defenderam a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo, outros dois baianos também disputaram a competição, mas como naturalizados por seleções de outros países. Esse é o caso de Liédson e Sammir.
Natural da cidade de Valença, na Bahia, Liédson jogou a Copa do Mundo de 2010 por Portugal e marcou um gol em três jogos. O centroavante foi naturalizado após sete anos atuando no Sporting, de Lisboa, clube em que foi multiartilheiro e considerado ídolo. No Brasil, o baiano ainda defendeu Corinthians, Flamengo e Coritiba.
Na Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, um baiano entrou em campo defendendo outra pátria e enfrentando a Seleção Brasileira. Foi o caso de Sammir, meia nascido em Itabuna e que defendeu o Dínamo Zagreb, da Croácia, entre 2006 e 2013. Ele se naturalizou e atuou pela seleção croata em sete jogos ao todo, um deles na Copa.



























