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COPA A TARDE

Histórico do Brasil em Copas: Maracanazo, cinco títulos e trauma em 2014

Como estava em cada ano a única seleção presente em todas as Copas do Mundo da história

Marina Branco
Por
| Atualizada em
Pelé pela Seleção Brasileira
Pelé pela Seleção Brasileira - Foto: Museu do Futebol

Dentre todos os países do mundo, apenas um deles é capaz de fazer uma retrospectiva da sua participação em todas as Copas do Mundo da história - o Brasil. De 1930, primeira edição do Mundial, a 2022, última até então, a Seleção Brasileira se tornou a única participante sempre presente e a maior campeã, com cinco títulos acumulados.

Agora, a Canarinha busca a sexta estrela no escudo, carregando em sua camisa a história de peso escrita nos últimos 96 anos de Copas.

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Do início ao Maracanazo

A história do Brasil em Copas do Mundo começou antes mesmo de o país entender o que significava disputar um torneio internacional. Entre 1930 e 1950, a seleção brasileira passou por um processo de construção marcado por improviso, conflitos internos, evolução técnica e, ao final desse ciclo, uma ferida que redefiniu completamente a relação do país com o futebol.

1930: a estreia

A primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai, em 1930, encontrou um Brasil ainda desorganizado dentro e fora de campo.

O futebol nacional era dividido por disputas políticas entre federações, principalmente entre Rio de Janeiro e São Paulo. A Federação Paulista, em conflito com a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), não liberou seus jogadores. O resultado foi uma seleção incompleta, formada majoritariamente por atletas cariocas.

A delegação brasileira viajou de navio até Montevidéu em uma jornada longa, sem qualquer estrutura de preparação física ou planejamento estratégico. O conceito de "seleção nacional organizada" ainda praticamente não existia.

Brasil, 1930 Em pé: Brilhante, Fernando, Hermógenes, Nilo, Carvalho Leite, Itália, Fausto e Santana; ajoelhados: Teóphilo, Benevenuto, Benedito, Velloso, Doca, Russinho e Preguinho.
Brasil, 1930 Em pé: Brilhante, Fernando, Hermógenes, Nilo, Carvalho Leite, Itália, Fausto e Santana; ajoelhados: Teóphilo, Benevenuto, Benedito, Velloso, Doca, Russinho e Preguinho. - Foto: Museu do Futebol

Em campo, o Brasil caiu no Grupo 2, ao lado de Iugoslávia e Bolívia. Na estreia, contra a Iugoslávia, a seleção foi derrotada por 2 a 1, com clara falta de entrosamento e organização. A equipe brasileira tinha talento individual - mas pecava em coesão coletiva, segundo relatos da época.

Na segunda partida, vitória por 4 a 0 sobre a Bolívia, com destaque para a superioridade técnica. Mas o resultado não foi suficiente: apenas o líder do grupo avançava, e o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase.

O Brasil saiu da primeira Copa da história mostrando que tinha potencial, mas ainda precisava de mais estrutura, planejamento e unidade.

1934: eliminação precoce

Quatro anos depois, na Itália, o cenário ainda era instável. A Copa de 1934 trouxe um novo formato, com mata-mata direto desde a primeira fase. Não havia margem para erro, e o Brasil não estava preparado para esse nível de exigência.

Mais uma vez, a seleção chegou sem uma preparação adequada. O futebol brasileiro ainda não havia desenvolvido um sistema profissional estruturado, e a equipe foi montada sem grande critério tático.

Na estreia, enfrentou a Espanha e foi derrotado por 3 a 1. Sem fase de grupos, isso significou eliminação imediata, cristalizando uma campanha que reforçou a percepção de que o Brasil ainda estava distante das principais potências europeias, tanto em organização quanto em competitividade.

Seleção Brasileira em 1934
Seleção Brasileira em 1934 - Foto: Museu do Futebol

1938: nasce um ídolo

A Copa de 1938, na França, marcou a primeira grande evolução da Seleção Brasileira. Diferentemente das edições anteriores, o Brasil chegou mais estruturado e com uma geração tecnicamente mais qualificada. O principal nome era Leônidas da Silva, o "Diamante Negro", um dos primeiros grandes ídolos do futebol brasileiro.

Na estreia, o Brasil enfrentou a Polônia em um dos jogos mais impressionantes da história das Copas, em que venceu
por 6 a 5 uma partida disputada sob forte chuva, com prorrogação e atuações ofensivas memoráveis. Leônidas marcou dois gols e se consolidou como protagonista.

Nas quartas de final, o adversário foi a Tchecoslováquia. O primeiro jogo terminou empatado e violento, com expulsões e lesões. Foi necessária uma partida de desempate, vencida pelo Brasil por 2 a 1.

Seleção Brasileira em 1938
Seleção Brasileira em 1938 - Foto: Museu do Futebol

Na semifinal, contra a Itália, que viria a ser campeã, o Brasil tomou uma decisão que entraria para a história ao poupar Leônidas, acreditando que a equipe poderia vencer sem seu principal jogador.

A estratégia não funcionou, levando à d
errota por 2 a 1 e eliminação. Na disputa pelo terceiro lugar, veio a vitória por 4 a 2 sobre a Suécia.

Assim, o Brasil terminava em terceiro, sua melhor campanha até então e, pela primeira vez, mostrava ao mundo um estilo de jogo ofensivo, técnico e criativo que começava a definir sua identidade.

1950: o Maracanazo

Após a interrupção das Copas por causa da Segunda Guerra Mundial, o torneio voltou em 1950, e o Brasil foi escolhido como sede. Era uma oportunidade histórica - reconstruir o futebol mundial e, ao mesmo tempo, afirmar o país como potência esportiva.

O Brasil investiu pesado na organização. O Maracanã foi construído como símbolo dessa ambição, tornando-se o maior estádio do mundo, e d
entro de campo, a Seleção Brasileira chegou como favorita.

Sob o comando de Flávio Costa, o time tinha nomes como Zizinho, Ademir, Jair e Barbosa. Era uma equipe ofensiva, dominante e extremamente confiante.

Na fase inicial, o Brasil goleou o México por 4 a 0. Depois, empatou com a Suíça por 2 a 2 em um jogo inesperadamente complicado. Na última rodada, venceu a Iugoslávia por 2 a 0 e avançou.

Seleção Brasileira em 1950
Seleção Brasileira em 1950 - Foto: Museu do Futebol

Na fase final, um quadrangular decisivo, o Brasil foi avassalador. Venceu a Suécia por 7 a 1, em uma das maiores atuações da história das Copas. Depois, goleou a Espanha por 6 a 1.

A imprensa já tratava o Brasil como campeão antes da última rodada.
O jogo decisivo, contra o Uruguai, no Maracanã, entrou para a história como um dos maiores eventos esportivos já realizados. Mais de 170 mil pessoas estavam no estádio.

O Brasil precisava apenas de um empate para conquistar o título.
No segundo tempo, Friaça abriu o placar, levando o país inteiro a acreditar que o título estava garantido.

No entanto, o Uruguai reagiu. Schiaffino empatou e, aos 34 minutos, Ghiggia virou o jogo para 2 a 1.

A derrota regada à quebra de expectativas ficou conhecida como "Maracanazo" e se tornou o maior trauma da história do futebol brasileiro, com o goleiro Barbosa marcado como símbolo da derrota por décadas.

A partir dali, o Brasil entendeu que talento não bastava. Era preciso organização, preparo psicológico e estrutura para a seleção que foi de favorita a totalmente desacreditada na Copa seguinte.

Recuperação e primeiras estrelas

Depois do trauma irreparável de 1950, o futebol brasileiro entrou em um processo de reconstrução profunda. A busca pelo primeiro título mundial virou obsessão nacional e, nesse caminho, o Brasil enfrentou derrotas duras, amadurecimento tático e, por fim, uma queda abrupta após atingir o topo.

Entre 1954 e 1966, a seleção viveu três momentos distintos, entre o impacto físico do futebol europeu, o nascimento de uma nova geração e, por fim, o colapso de um modelo que parecia imbatível.

1954: a Batalha de Berna

A Copa do Mundo de 1954, na Suíça, foi a primeira tentativa real de o Brasil se reerguer após o Maracanazo. A Seleção Brasileira chegou mais estruturada, com maior preocupação tática e física, mas ainda carregava cicatrizes emocionais profundas.

O elenco contava com jogadores talentosos como Didi, Julinho Botelho e Nilton Santos, além de uma base mais disciplinada do que a de 1950. Ainda assim, o Brasil estava longe de ser considerado favorito, já que o futebol europeu, especialmente o da Hungria, dominava o cenário mundial.

Na fase de grupos, o Brasil estreou com uma vitória tranquila por 5 a 0 sobre o México, mostrando força ofensiva e recuperação de confiança. No segundo jogo, empate em 1 a 1 com a Iugoslávia, suficiente para garantir a classificação.

Seleção Brasileira em 1954
Seleção Brasileira em 1954 - Foto: Museu do Futebol

Mas o verdadeiro teste viria nas quartas de final. O adversário era a Hungria, considerada a melhor seleção do mundo naquele momento, liderada por Ferenc Puskás e dona de um futebol extremamente moderno para a época.

O confronto ficou conhecido como a "Batalha de Berna", por ter sido um jogo marcado por extrema violência, tensão e descontrole emocional. O Brasil abriu o placar, mas rapidamente perdeu o controle da partida. A Hungria virou o jogo e venceu por 4 a 2.

Ao final, a partida terminou em pancadaria generalizada, com jogadores brigando dentro e fora de campo, inclusive nos vestiários. Expulsões, agressões e confusão marcaram o jogo e a mudança de mentalidade que passou a ser pedida dos brasileiros.

1958: o primeiro título e o nascimento de uma potência

A resposta ao fracasso de 1954 veio de forma histórica na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Pela primeira vez, o Brasil se preparou de maneira científica e organizada. A comissão técnica contou com psicólogos, médicos e planejamento detalhado, uma revolução para a época.

O elenco reunia uma geração brilhante, com Didi, Nilton Santos, Garrincha, Vavá e um jovem de apenas 17 anos chamado Pelé.
A estreia foi segura - vitória por 3 a 0 sobre a Áustria.

No segundo jogo, empate sem gols com a Inglaterra, marcando a primeira vez em que uma partida de Copa terminou 0 a 0, gerando críticas e levou a mudanças importantes.

Seleção Brasileira em 1958
Seleção Brasileira em 1958 - Foto: Museu do Futebol

Na terceira rodada, contra a União Soviética, o Brasil promoveu a entrada de Garrincha e Pelé. Nos primeiros minutos, Garrincha protagonizou uma sequência de jogadas desconcertantes que mudaram o ritmo da seleção. O Brasil venceu por 2 a 0, e nunca mais seria o mesmo.

Nas quartas de final, vitória por 1 a 0 sobre o País de Gales, com gol de Pelé, marcando seu primeiro em Copas dentre os muitos que viriam ainda em breve. Já na semifinal, contra a França de Just Fontaine, goleada por 5 a 2. Pelé marcou três gols.

A final, contra a Suécia, anfitriã, começou com susto. O Brasil saiu atrás, mas reagiu com autoridade e venceu por 5 a 2. Pelé marcou dois gols, Garrincha foi decisivo e o Brasil conquistou seu primeiro título mundial.

1962: o auge da Seleção Brasileira

Na Copa de 1962, no Chile, o Brasil chegou como campeão mundial e, pela primeira vez, com a responsabilidade de defender o título. A base do time era a mesma de 1958, mas mais madura e experiente. Garrincha, Didi, Nilton Santos e companhia formavam um conjunto sólido.

A estreia foi com vitória por 2 a 0 sobre o México, seguida pelo
segundo jogo, um empate por 0 a 0 com a Tchecoslováquia marcado pela lesão de Pelé, que o tirou do restante do torneio.

Seleção Brasileira em 1962
Seleção Brasileira em 1962 - Foto: Museu do Futebol

Sem seu principal jogador, o Brasil precisou se reinventar, e foi Garrincha quem assumiu o protagonismo. Nas quartas de final, vitória por 3 a 1 sobre a Inglaterra, com atuação dominante de Garrincha.

Na semifinal, contra o Chile, nova vitória por 4 a 2, novamente com Garrincha decisivo. Na final, o Brasil reencontrou a Tchecoslováquia e saiu atrás no placar, mas virou o jogo com autoridade, vencendo por 3 a 1.

O Brasil conquistava o bicampeonato mundial, tornando-se a segunda seleção da história a alcançar esse feito mesmo sem contar com Pelé na fase decisiva.

1966: colapso da hegemonia

Assim, a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, parecia o cenário perfeito para o Brasil buscar o tricampeonato consecutivo. Mas, antes mesmo da bola rolar, o projeto já estava comprometido.

A preparação foi um desastre.
O técnico Vicente Feola convocou inicialmente 45 jogadores, número que chegou a 47, criando uma rotatividade absurda de equipes e impedindo qualquer definição de time titular.

A seleção passou por diversas cidades durante a preparação, em uma espécie de "turnê", mais preocupada com exposição do que com treinamento.

Outro erro grave foi a mudança na preparação física. O método adotado não era adequado ao futebol, e a equipe apresentava queda de rendimento durante os jogos.

Seleção Brasileira em 1966
Seleção Brasileira em 1966 - Foto: Museu do Futebol

A definição do time titular só aconteceu às vésperas da Copa, misturando veteranos campeões (Pelé, Garrincha, Gilmar, Bellini) com novos talentos (Gérson, Tostão), mas sem coesão.

Na estreia, vitória por 2 a 0 sobre a Bulgária, com gols de Garrincha e Pelé. Foi a última vez que os dois atuaram juntos - e o Brasil nunca perdeu com ambos em campo.

Mas o torneio rapidamente desmoronou.
Pelé sofreu entradas violentas e ficou fora do segundo jogo, contra a Hungria. Mais uma vez sem seu principal jogador, o Brasil foi derrotado por 3 a 1, encerrando uma invencibilidade de 13 partidas em Copas.

Na decisão da vaga, contra Portugal de Eusébio, Pelé voltou, mas novamente foi alvo de faltas duras. Sem substituições permitidas na época, o Brasil ficou praticamente com um jogador a menos.

Derrotado por 3 a 1 e eliminado ainda na fase de grupos, o Brasil usou 20 de 22 jogadores e terminou em 11º lugar, uma das piores posições da sua história.

O "maior time da história"

Após o fracasso de 1966, a Seleção Brasileira passou por uma reformulação profunda. Mais do que trocar jogadores, foi uma mudança de mentalidade, buscando organização, preparo físico, planejamento e, ao mesmo tempo, preservação da identidade ofensiva - tudo aquilo que, desde 1930, tanto era comentado como necessidade para o Brasil.

O resultado foi um ciclo que começou com o auge absoluto do futebol mundial e terminou com uma das maiores contradições da história do esporte, trazendo times brilhantes que encantavam, mas não ganhavam.

1970: o maior time da história do futebol

A Copa do Mundo de 1970, no México, marcou o renascimento definitivo do Brasil após o colapso de 1966, consolidando a Seleção como a maior potência do futebol mundial.

O contexto já era especial. Era a primeira Copa transmitida em cores para o mundo inteiro, e o Brasil levou para o torneio um time que unia talento individual, organização tática e maturidade coletiva.

Sob comando de Mário Zagallo, o Brasil montou um time revolucionário com cinco camisas 10 em campo - Pelé, Jairzinho, Tostão, Gérson e Rivellino.

A estreia foi contra a Tchecoslováquia, levando a uma vitória por 4 a 1, com direito a um dos gols mais icônicos da história, quando Pelé tentou marcar do meio-campo.

Seleção Brasileira em 1970
Seleção Brasileira em 1970 - Foto: Museu do Futebol

Na segunda rodada, vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra, em um jogo histórico. O goleiro Gordon Banks fez uma defesa considerada até hoje uma das maiores de todos os tempos, após cabeceio de Pelé. No mesmo jogo, Tostão deu uma assistência genial para Jairzinho marcar.

Na terceira rodada, vitória por 3 a 2 sobre a Romênia, garantindo a liderança do grupo.
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o Peru e venceu por 4 a 2, com grande atuação coletiva.

A semifinal contra o Uruguai teve clima de revanche de 1950. O Brasil saiu atrás, mas virou para 3 a 1, com destaque para o famoso "drible sem bola" de Pelé no goleiro Mazurkiewicz em um lance que não virou gol, mas virou símbolo.

A final, contra a Itália, foi a consagração definitiva, com vitória por 4 a 1 e gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. O quarto gol, construído com uma sequência de passes perfeita e finalização do capitão, é considerado até hoje o mais bonito da história das Copas.

O Brasil conquistava o tricampeonato mundial e ficava definitivamente com a Taça Jules Rimet, com um time que se tornava uma
referência eterna do que é jogar futebol.

1974: pós-Pelé

Depois do auge absoluto de 1970, o Brasil chegou à Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, em um momento de transição. Pelé havia se aposentado da Seleção, e o time buscava uma nova identidade.

Sem o brilho técnico da geração anterior, a equipe passou a adotar um estilo mais físico e competitivo, refletindo também a evolução do futebol europeu, que se tornava mais tático e intenso.

Na primeira fase, o Brasil avançou com dificuldade, fazendo um empate sem gols com a Iugoslávia, conseguindo uma vitória por 1 a 0 sobre o Zaire e um novo empate em 0 a 0 com a Escócia.

Seleção Brasileira em 1974
Seleção Brasileira em 1974 - Foto: Museu do Futebol

Na segunda fase, caiu em um grupo duríssimo, com Alemanha Oriental, Argentina e Holanda. A Canarinha venceu a Alemanha Oriental por 1 a 0, empatou sem gols com a Argentina, mas acabou derrotado pela Holanda de Johan Cruyff por 2 a 0.

A "Laranja Mecânica", com seu futebol total, mostrou um nível tático e coletivo que o Brasil ainda não acompanhava. Assim, s
em chegar à final, o Brasil terminou em 4º lugar após perder para a Polônia na disputa pelo terceiro lugar, terminando a era iniciada em 1958.

1978: invicto e eliminado

Na Copa de 1978, na Argentina, o Brasil voltou mais competitivo e consistente. Sem o brilho de 1970, mas com uma estrutura mais sólida, o time comandado por Cláudio Coutinho apostava em organização e equilíbrio.

A campanha começou bem, com um empate sem gols com a Suécia, uma vitória por 3 a 0 sobre o Peru e outra por 1 a 0 sobre a Áustria.
Na segunda fase, o Brasil manteve a invencibilidade, vencendo o Peru por 3 a 0, a Polônia por 3 a 1 e empatando sem gols com a Argentina.

Seleção Brasileira em 1978
Seleção Brasileira em 1978 - Foto: Museu do Futebol

Mas o regulamento previa que apenas o líder do grupo avançaria à final. A Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença, e venceu por 6 a 0, em um jogo cercado de suspeitas até hoje.

Com isso, o Brasil foi eliminado mesmo invicto.
Na disputa pelo terceiro lugar, venceu a Itália por 2 a 1 e terminou a competição sem derrotas.

Foi um dos episódios mais controversos da história das Copas, e um trauma diferente, não técnico, mas político.

1982: anos de frustração e o futebol que não venceu

A Copa do Mundo de 1982, na Espanha, marcou uma virada estética na história da Seleção. Sob comando de Telê Santana, o Brasil montou um time que resgatava o futebol arte em sua essência.

Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo e Júnior formavam um meio-campo técnico, criativo e ofensivo como poucos na história.
A campanha começou com espetáculo na vitória por 2 a 1 sobre a União Soviética, com virada no fim.

Depois, goleada por 4 a 1 sobre a Escócia e 4 a 0 sobre a Nova Zelândia.
Na segunda fase, vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, em um dos jogos mais marcantes da geração.

Seleção Brasileira em 1982
Seleção Brasileira em 1982 - Foto: Museu do Futebol

Mas tudo se decidiu contra a Itália. O Brasil jogava pelo empate, e a Itália, comandada por Paolo Rossi, explorou os erros defensivos brasileiros. Rossi marcou três gols e o Brasil perdeu por 3 a 2 na eliminação mais dolorosa da história até então não pela derrota em si, mas pelo contexto - o melhor futebol da Copa, derrotado por pragmatismo.

Nascia, assim, o mito do "futebol que encanta, mas não vence".

1986: o último suspiro de uma geração

Na Copa de 1986, no México, o Brasil chegou com uma versão modificada da geração de 1982. Zico ainda era o grande nome, mas já enfrentava problemas físicos, enquanto Sócrates, Falcão e companhia tentavam manter o nível técnico.

Na primeira fase, o Brasil teve desempenho sólido, vencendo a Espanha por 1 a 0, a Argélia pelo mesmo placar e a Irlanda do Norte por 3 a 0.
Nas oitavas, goleou a Polônia por 4 a 0.

Mas nas quartas de final, veio o confronto contra a França de Platini e
um dos maiores jogos da história das Copas, empatado por 1 a 1 no tempo normal. Zico perdeu um pênalti durante o jogo e, na decisão por pênaltis, o Brasil acabou eliminado, marcando o fim definitivo daquela geração.

Seleção Brasileira em 1986
Seleção Brasileira em 1986 - Foto: Museu do Futebol

Renascimento improvável

Depois das eliminações dolorosas de 1982 e 1986, o futebol brasileiro passou a conviver com uma pressão crescente por resultados. O discurso mudou - já não bastava jogar bonito, era preciso vencer.

Esse período marca uma virada de chave histórica em que o Brasil deixa de ser apenas símbolo de espetáculo e passa a buscar eficiência, mesmo que isso significasse abrir mão de parte da sua identidade.

O resultado foi uma trajetória que começou com um dos piores momentos da Seleção, e terminou com o quinto título mundial.

1990: o fundo do poço

A Copa do Mundo de 1990, na Itália, representa um dos momentos mais criticados da história da Seleção Brasileira. Sob comando de Sebastião Lazaroni, o Brasil adotou um sistema tático pouco usual para sua tradição, o 3-5-2, inspirado no futebol europeu.

A proposta era tornar o time mais competitivo e equilibrado defensivamente, mas o resultado foi um futebol engessado, previsível e pouco criativo.
Na fase de grupos, o Brasil venceu os três jogos, sendo 2 a 1 sobre a Suécia, 1 a 0 sobre a Costa Rica e 1 a 0 sobre a Escócia. Mas, apesar dos resultados, o desempenho não convencia.

Seleção Brasileira em 1990
Seleção Brasileira em 1990 - Foto: Museu do Futebol

O time tinha dificuldade de criação e dependia de jogadas individuais. Nas oitavas de final, contra a Argentina, o Brasil dominou completamente a partida, criou diversas chances, mas não marcou.

Em um contra-ataque, Maradona encontrou Caniggia, que driblou o goleiro Taffarel e fez o gol da vitória argentina por 1 a 0, marcando mais uma e
liminação precoce do Brasil, apesar da superioridade em campo.

A Copa de 1990 consolidou a percepção de que o Brasil havia perdido sua identidade, e nem sequer havia ganho eficiência em troca.

1994: a volta ao topo do mundo

Quatro anos depois, nos Estados Unidos, o Brasil voltou com uma proposta completamente diferente. Sob comando de Carlos Alberto Parreira, a Seleção assumiu de vez um estilo mais pragmático: defesa sólida, meio-campo disciplinado e eficiência no ataque.

Era o oposto do que se via em 1982. O time tinha nomes como Taffarel, Cafu, Dunga, Mauro Silva, Romário e Bebeto, e já começou bem, com vitória por 2 a 0 sobre a Rússia.

Depois, vieram o empate por 0 a 0 com a Suécia e a vitória por 3 a 0 sobre Camarões.
Nas oitavas de final, vitória por 1 a 0 sobre os Estados Unidos, em jogo marcado pela expulsão de Leonardo.

Seleção Brasileira em 1994
Seleção Brasileira em 1994 - Foto: Museu do Futebol

Nas quartas, vitória por 3 a 2 sobre a Holanda, em uma das partidas mais emocionantes da campanha e na semifinal, vitória por 1 a 0 sobre a Suécia, com gol de Romário.

A final foi contra a Itália. Com e
mpate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a decisão foi para os pênaltis, marcando a primeira final de Copa decidida dessa forma na história.

Lá, o
Brasil venceu por 3 a 2, com o erro decisivo de Roberto Baggio que entraria para a história. Assim, depois de 24 anos, o Brasil voltava a ser campeão do mundo. O tetra foi conquistado com um futebol eficiente, competitivo e muito criticado por não ser "bonito", mas que conseguiu o que a beleza não tinha conseguido - vencer.

1998: Ronaldo Fenômeno

Na Copa do Mundo de 1998, na França, o Brasil chegou como favorito. O time era liderado por Ronaldo, então o melhor jogador do mundo, além de Rivaldo, Bebeto e Roberto Carlos.

A campanha começou com vitória por 2 a 1 sobre a Escócia, seguida de
vitória por 3 a 0 sobre o Marrocos e derrota por 2 a 1 para a Noruega, ainda na fase de grupos.

Nas oitavas, vitória por 4 a 1 sobre o Chile, n
as quartas, empate por 1 a 1 com a Holanda e classificação nos pênaltis e na semifinal, vitória por 1 a 1 contra a Holanda novamente, também decidida nos pênaltis, com Taffarel sendo decisivo.

Seleção Brasileira em 1998
Seleção Brasileira em 1998 - Foto: Museu do Futebol

O Brasil chegou à final contra a França, dona da casa. No entanto, horas antes do jogo, um episódio mudou completamente o cenário.

Ronaldo sofreu uma convulsão no hotel da Seleção. Inicialmente, foi cortado da partida. Depois, voltou à escalação minutos antes do jogo, em decisão cercada de dúvidas e controvérsias até hoje.

Em campo, abalado com as dores de seu protagonista, o Brasil foi irreconhecível, e a partida terminou em d
errota por 3 a 0 para a França, com dois gols de Zidane. Assim, a final de 1998 virou um dos maiores mistérios da história do futebol, e um trauma profundo para a Seleção.

2002: o penta

A Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, começou sob desconfiança. O Brasil vinha de uma campanha irregular nas Eliminatórias e trocou de técnico às vésperas do torneio, com Luiz Felipe Scolari assumindo o comando.

Mas o time tinha algo especial - o chamado "trio R", formado por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Com eles, a
campanha começou com vitória por 2 a 1 sobre a Turquia, e se seguiu com vitória por 4 a 0 sobre a China e 5 a 2 sobre a Costa Rica.

Seleção Brasileira em 2002
Seleção Brasileira em 2002 - Foto: Museu do Futebol

Nas oitavas, vitória por 2 a 0 sobre a Bélgica, em jogo polêmico com gol anulado dos europeus. Nas quartas, vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, com gol histórico de Ronaldinho Gaúcho por cobertura.

Na semifinal, vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, chegando à
final contra a Alemanha. Agora, finalmente, Ronaldo, que vinha de anos difíceis após lesões graves, foi o protagonista.

Foi Fenômeno quem marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 e levou o Brasil ao
pentacampeonato mundial, se redimindo e devolvendo o Brasil ao topo do futebol mundial.

Sem estrelas, com 7 a 1

Quem nasceu depois de 2002 não pôde, no entanto, viver esse Brasil tão bonito que a história conta. Depois do pentacampeonato em 2002, o Brasil passou a chegar às Copas como favorito, com elencos estrelados e expectativa máxima, mas sem conseguir jamais transformar isso em títulos.

2006: o "quadrado mágico"

A Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, começou com um cenário de otimismo absoluto. O Brasil era o atual campeão mundial, vinha de títulos importantes com as conquistas da Copa América em 2004 e da Copa das Confederações em 2005 e tinha um elenco estrelado.

O grande símbolo daquele time era o chamado "quadrado mágico" de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano. A preparação, no entanto, já dava sinais de problema.

A Seleção ficou concentrada em Weggis, na Suíça, em um ambiente mais festivo do que competitivo. Treinos abertos, eventos comerciais e falta de intensidade marcaram o período.

Seleção Brasileira em 2006
Seleção Brasileira em 2006 - Foto: Museu do Futebol

Fisicamente, vários jogadores chegaram abaixo do ideal. Ronaldo, por exemplo, tinha o maior índice de massa corporal entre todos os atletas da Copa.

Na estreia, vitória por 1 a 0 sobre a Croácia, com gol de Kaká, mas uma atuação já criticada pela lentidão do time.
Contra a Austrália, vitória por 2 a 0, novamente com desempenho irregular.

Na última rodada da fase de grupos, vitória por 4 a 1 sobre o Japão, a melhor atuação do Brasil no torneio, com mais mobilidade e leveza.
Nas oitavas de final, vitória por 3 a 0 sobre Gana, com Ronaldo se tornando o maior artilheiro da história das Copas naquele momento, com 15 gols.

Mas nas quartas de final, veio o confronto com a França.
O Brasil entrou em campo com alterações táticas, abrindo mão de um atacante para reforçar o meio, e do outro lado, Zidane fez uma atuação histórica.

A França dominou o jogo, e Thierry Henry marcou o gol da vitória por 1 a 0, sacramentando uma e
liminação precoce e uma sensação clara de que o time mais talentoso não era o mais organizado. Assim, o "quadrado mágico" virou símbolo de um projeto que não funcionou.

2010: queda previsível

Na Copa de 2010, na África do Sul, o Brasil voltou com uma proposta mais pragmática, sob comando de Dunga. O time era baseado em solidez defensiva, velocidade e transição rápida.

Sem grandes estrelas midiáticas, mas com jogadores como Kaká, Robinho, Luís Fabiano, Maicon e Lúcio, o Brasil venceu a Coreia do Norte por 2 a 1, goleou a Costa do Marfim por 3 a 1 e empatou em 0 a 0 com Portugal na fase de grupos.

Nas oitavas, vitória por 3 a 0 sobre o Chile.
Mas nas quartas de final, contra a Holanda, o roteiro mudou. O Brasil saiu na frente, mas sofreu a virada no segundo tempo, perdendo por 2 a 1.

Um dos momentos mais marcantes foi a expulsão de Felipe Melo, símbolo do descontrole emocional de uma seleção competitiva
, mas com grande dificuldade de reagir quando pressionada.

Seleção Brasileira em 2010
Seleção Brasileira em 2010 - Foto: Museu do Futebol

2014: o maior trauma da história da Seleção

A Copa do Mundo de 2014, no Brasil, carregava um peso gigantesco. Era a chance de apagar o trauma de 1950 dentro de casa. e dar fim a uma sequência de já doze anos sem uma nova estrela.

Sob comando de Felipão, o Brasil apostava em um time emocionalmente forte, com Neymar como grande estrela.
A campanha começou com vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, com dois pênaltis marcados.

Depois, empate em 0 a 0 com o México e vitória por 4 a 1 sobre Camarões.
Nas oitavas, empate por 1 a 1 com o Chile e classificação nos pênaltis, com Júlio César decisivo.

Nas quartas, vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia, mas com um custo altíssimo - tal qual Pelé e Ronaldo, que um dia deixaram as seleções onde eram protagonistas, Neymar sofreu uma lesão nas costas e foi cortado da Copa.

Seleção Brasileira em 2014
Seleção Brasileira em 2014 - Foto: Museu do Futebol

Na semifinal, contra a Alemanha, o Brasil entrou em campo sem Neymar e sem Thiago Silva, e dali em diante, tudo foi trauma.

Em 30 minutos, a Alemanha abriu 5 a 0, terminando o jogo em 7 a 1 com um tímido gol de Oscar na
maior derrota da história da Seleção em meio a desorganização total, colapso emocional e incapacidade de reação.

Na disputa pelo terceiro lugar, nova derrota por 3 a 0 para a Holanda.
O Brasil terminou em quarto lugar, mas com a sensação de ter vivido o maior trauma esportivo da sua história.

Seleção Brasileira em 2014
Seleção Brasileira em 2014 - Foto: Museu do Futebol

2018: reconstrução interrompida

Na Copa de 2018, na Rússia, o Brasil chegou mais organizado. Sob comando de Tite, a equipe apresentava equilíbrio, padrão tático e confiança. Neymar era novamente o protagonista, ao lado de jogadores como Coutinho, Casemiro e Marcelo.

Na estreia, empatou por 1 a 1 com a Suíça, seguindo com vitórias
por 2 a 0 sobre a Costa Rica e 2 a 0 sobre a Sérvia, e nas oitavas, mais uma por 2 a 0 sobre o México.

No entanto, nas quartas, veio a derrota por 2 a 1 para a Bélgica. O Brasil até reagiu no jogo, mas parou na eficiência europeia, caindo em mais uma eliminação precoce e confirmando um padrão que começava a se repetir.

Seleção Brasileira em 2018
Seleção Brasileira em 2018 - Foto: Museu do Futebol

2022: só quatro minutos

Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, o Brasil chegou como um dos grandes favoritos, vindo do ciclo mais sólido desde 2002 com um time organizado, elenco profundo e opções em todas as posições.

Na fase de grupos, começou com vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia, com show de Richarlison. Depois, vitória por 1 a 0 sobre a Suíça e derrota por 1 a 0 para Camarões, já com time alternativo.

Seleção Brasileira em 2022
Seleção Brasileira em 2022 - Foto: CBF

Nas oitavas, goleada por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, com atuação dominante. No entanto, mais uma vez nas quartas de final, contra a Croácia, veio mais uma queda traumática.

O Brasil abriu o placar na prorrogação, com Neymar, m
as sofreu o empate no fim do jogo, faltando apenas quatro minutos para o apito final. Assim, vieram os pênaltis e, então, a derrota em um jogo que parecia controlado. Mais uma vez, o Brasil caiu sem ser inferior tecnicamente.

E 2026?

Hoje, o Brasil vive um momento de transição. Apesar de ainda ser visto como um dos favoritos globais, ainda revelar talentos, ainda ser amplamente respeitado e ainda carregar o peso de ser o maior campeão da história, ainda falta muito para conseguir vencer.

Com Ancelotti na Copa dos Estados Unidos, México e Canadá, o Brasil precisa descobrir
como voltar a vencer no futebol moderno, equilibrar talento e consistência e lidar com a pressão histórica, buscando mais uma recuperação para um time hoje desacreditado.

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  • Brasil, 1930 Em pé: Brilhante, Fernando, Hermógenes, Nilo, Carvalho Leite, Itália, Fausto e Santana; ajoelhados: Teóphilo, Benevenuto, Benedito, Velloso, Doca, Russinho e Preguinho.
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