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COPA A TARDE

Quase 100 anos de Copa do Mundo nas páginas de A TARDE; veja como reportamos

Fundado em 1912, o A TARDE cobriu todas as edições de Copa do Mundo na história

Marina Branco
Por
Capas do A TARDE para as cinco Copas vencidas pelo Brasil
Capas do A TARDE para as cinco Copas vencidas pelo Brasil - Foto: Arquivo CEDOC I A TARDE I ChatGPT

O Brasil é o maior país na Copa do Mundo, sem dúvidas, pelo tamanho de sua história - e ela foi contada ao longo de quase cem anos nas páginas de A TARDE. Jornal mais antigo em circulação na Bahia, A TARDE eternizou 22 edições de Copa nas bancas, redações e capas históricas, entre títulos, derrotas traumáticas, gols inesquecíveis e, claro, as cinco estrelas do Brasil.

Agora, enquanto mais uma Copa do Mundo se aproxima, mais inúmeras histórias da Seleção Brasileira começam a ser contadas, e se unem às tantas que já preencheram as páginas do A TARDE com futebol e Brasil ao longo dos anos.

Das manchetes sobre o "Maracanazo" de 1950 às edições especiais do pentacampeonato em 2002 e até o 7 a 1, as páginas impressas acompanharam praticamente toda a evolução da seleção mais campeã do planeta.

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As páginas de A TARDE para contar o Brasil na Copa

1950 - Maracanazo

Na final contra o Uruguai, em pleno Maracanã, o Brasil precisava apenas do empate diante de quase 200 mil pessoas, mas viu o Uruguai virar a partida, conquistar a taça em solo brasileiro e levar embora o sonho da primeira estrela.

Na edição de 17 de julho de 1950, A TARDE tratou o Maracanazo como uma grande "decepção no esporte nacional", destacando o contraste entre a expectativa de consagração no Maracanã e a derrota inesperada do Brasil para o Uruguai.

A cobertura partiu do choque da torcida e da frustração coletiva, mas não reduziu o resultado a uma tragédia inexplicável - o jornal reconheceu que os uruguaios venceram "inesperada, mas merecidamente", valorizando a solidez defensiva, a marcação forte e a eficiência dos contra-ataques adversários.

Cobertura do Maracanazo
Cobertura do Maracanazo - Foto: Arquivo CEDOC I A TARDE

Assim, o foco foi explicar como o Brasil perdeu, reconstruindo a partida em detalhes da apreensão causada pelo 0 a 0 no primeiro tempo, à esperança aberta pelo gol de Friaça e o abatimento brasileiro depois dos gols de Schiaffino e Ghiggia.

A análise destacou a insegurança defensiva, a má atuação de Bigode diante de Ghiggia, as falhas de Barbosa e a dificuldade do ataque brasileiro contra a marcação uruguaia, sem concentrar toda a culpa em um único jogador.

Mesmo em tom de lamento, o jornal registrou a dor brasileira, enquanto celebrava a qualidade do futebol sul-americano e reconhecia a justiça da conquista uruguaia.

1958 - Primeira estrela

Oito anos depois, o grande momento chegou - a primeira capa de jornal estampando um Brasil campeão do mundo. Em cima da Suécia, por 5 a 2, na casa dos suecos, o Brasil conquistou seu primeiro título mundial e apresentou ao planeta um garoto de apenas 17 anos chamado Pelé.

Em 1958, A TARDE construiu a primeira conquista mundial do Brasil em dois movimentos - primeiro, como expectativa ansiosa, e depois, como consagração nacional. Na edição de 28 de junho, véspera da final, o jornal trata Brasil x Suécia como a "última etapa da memorável campanha", cercada de suspense, prognósticos e confiança.

Depois da vitória por 5 a 2, o tom mudou para celebração histórica. A capa de 30 de junho anuncia que "está em festas todo o país" e que "o Brasil é campeão do mundo", misturando relato esportivo, repercussão internacional e festa popular ao falar da alegria nas ruas, do carnaval no Rio, da salva de tiros no Forte de Copacabana, dos pracinhas torcendo na Suécia e dos elogios da imprensa estrangeira, que apresenta o Brasil como campeão legítimo, brilhante e até "o melhor conjunto de todos os tempos".

O jornal também explicou tecnicamente a conquista, destacando a estratégia de Feola, a marcação de Djalma e Nilton Santos sobre os extremos suecos, a segurança de Bellini, o papel cerebral de Didi, o brilho de Garrincha, Vavá, Zagalo e, sobretudo, Pelé, tratado como jovem fenômeno de 17 anos.

Na página especial, a vitória aparece como o "grande sonho de 60 milhões de brasileiros", acompanhada por uma montagem visual do mapa do Brasil com rostos dos jogadores e a Taça Jules Rimet coroando um título que não pertencia só à seleção, mas ao país inteiro.

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1962 - Garrincha traz a segunda estrela

Não demorou até que a estrela solitária ganhasse companhia, com a Canarinha vencendo a Tchecoslováquia por 3 a 1 no Chile e se consagrando bicampeã mundial. Com Pelé lesionado ainda no início da competição, o protagonismo brasileiro caiu nos ombros de Garrincha, que chegou a disputar a final com febre de 38 graus e desenhou uma das campanhas individuais mais lendárias da história das Copas.

Nas páginas de A TARDE, o bicampeonato de 1962 foi a confirmação definitiva da superioridade brasileira no futebol mundial. A manchete da capa, "Brasil em festas: bicampeão!", já apresentou a conquista como um feito continental e nacional, destacando que a vitória sobre a Tchecoslováquia por 3 a 1 manteve a supremacia latino-americana sobre a Europa e reafirmando que a "coroa" estava nas mãos de quem a merecia.

Diferentemente de 1958, a cobertura de 1962 tem menos tom de descoberta e mais de ratificação - para o jornal, o Brasil já era campeão, chegou ao Chile como favorito e conseguiu defender o título mesmo sob enorme pressão, sem Pelé a partir do segundo jogo e com uma campanha invicta.

O dossiê de A TARDE valorizou a atuação coletiva, destacando que a equipe soube superar o nervosismo inicial e reagir ao gol de Masopust com gols de Amarildo, Zito e Vavá.

A análise apontou Didi e Zito como soberbos no meio-campo, Amarildo como substituto à altura de Pelé, Vavá como decisivo, Zagalo como símbolo de fôlego e entrega, e Garrincha como o grande nome da Copa, mesmo sem repetir na final as atuações anteriores.

A cobertura também deu atenção à estratégia e ao processo de montagem do elenco, lembrando as críticas à convocação, a dificuldade de escolher 22 entre 41 jogadores e a força de uma seleção que, mesmo questionada, chegou ao título sem derrota.

Ao mesmo tempo, o jornal transformou o bicampeonato em uma festa de identidade nacional, narrando o carnaval espontâneo em Salvador, com ruas tomadas, buzinas, apitos, trios elétricos, bandeiras brasileiras, batucadas e multidões na Praça da Sé, numa comemoração descrita como uma das maiores já vistas na Bahia.

A edição especial reforçou esse caráter histórico ao pedir que o leitor "faça história", guardando a imagem dos heróis do bi, enquanto a capa ilustrada apresenta o Brasil bicampeão com a bandeira, os rostos dos jogadores, a Taça Jules Rimet e a campanha completa.

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1970 - Terceira estrela

Não faltam torcedores que acreditem que a Seleção Brasileira de 1970 segue sendo a maior equipe da história do futebol. Pelé, Jairzinho, Gérson, Tostão e Rivellino transformaram a Copa em espetáculo, vencendo a Itália por 4 a 1 na final no México e consagrando o tricampeonato.

Antes da final, A TARDE tratava Brasil x Itália como "o fim da Jules Rimet", uma decisão entre dois bicampeões e dois estilos, colocando frente a frente a força tática e defensiva italiana e o "futebol arte" brasileiro.

A capa de 20 de junho reforça a confiança com a manchete "Temos tudo para vencer", mas a cobertura não ignora o peso da adversária, lembrando a tradição italiana e a dificuldade de uma final que valia a posse definitiva da taça.

Depois da vitória por 4 a 1, o tom vira consagração absoluta. A manchete "Tri sacode o Brasil" apresenta o título como uma explosão nacional, enquanto o texto principal afirma que a Copa Jules Rimet tinha "um novo dono" e que a justiça havia sido feita, porque o Brasil demonstrou superioridade sobre as "táticas rígidas dos europeus".

O jornal analisou a final como a vitória do futebol espetáculo sobre a estratégia fechada da Itália, destacando Pelé, Gérson, Jairzinho, Rivelino e Carlos Alberto como protagonistas de uma atuação especialmente brilhante no segundo tempo.

Como de costume, a cobertura também transformou o tri em memória coletiva e festa popular. Em Salvador, o "delírio do tri" foi um carnaval fora de época, com ruas tomadas, fogos, balões, bandeiras, carros pintados, trios elétricos, blocos improvisados e gritos de "Brasil" pela Rua Chile.

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1994 - É teeeeetra!

O famoso grito do "é tetra" finalmente soou depois de um jejum de 24 longos anos sem título. Na primeira final de Copa decidida nos pênaltis na história, o Brasil fez 3 a 2 em cima da Itália e conseguiu a tão sonhada quarta estrela.

O tetracampeonato de 1994 foi o fim de uma espera longa e angustiante. Antes da final, a capa de A TARDE em 17 de julho anunciava que "Chegou o dia do tetra", retomando o reencontro entre Brasil e Itália 24 anos depois da decisão de 1970, mas agora com outro peso - a chance de um título inédito para qualquer seleção.

O jornal destacou o favoritismo brasileiro, mas também tratou a partida como uma "batalha final", marcada pelo duelo simbólico entre Romário e Roberto Baggio, pela possível volta de Baresi, confiança de Parreira e união de um grupo que carregava o sonho de 160 milhões de brasileiros.

A manchete "O Brasil é tetra!" veio acompanhada da ideia de "ressaca" de uma conquista histórica, sofrida e inédita. O jornal enfatizou que o Brasil dominou a final, mas precisou suportar 120 minutos sem gol, até que a decisão fosse para os pênaltis.

Nesse enquadramento, Taffarel aparece como o grande herói, sobretudo pela defesa na cobrança de Massaro, enquanto o erro de Roberto Baggio selava a explosão nacional. A narrativa também recuperou a memória de 1982 - vencer a Itália significava, para o jornal, vingar a eliminação de Sarriá e encerrar um jejum de 24 anos desde o tri.

Em Salvador, a festa apareceu como mais um carnaval em pleno inverno, com chuva, trios elétricos, telões, clubes lotados, bares cheios, promessas ao Senhor do Bonfim e até italianos integrados à comemoração depois da derrota.

O jornal também dedicou espaço à campanha inteira, aos perfis dos campeões, às estatísticas que sustentam a ideia de "campeão com méritos", à consagração de Romário como craque da Copa e à liderança de Dunga.

Em comparação com 1970, a cobertura de 1994 é menos focada no "futebol arte" e mais marcada pela superação, pela eficiência, pela tensão dos pênaltis e pela reconstrução do orgulho nacional depois de duas décadas de frustrações.

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2002 - Penta de Fenômeno

A última Copa do Mundo do Brasil veio ainda nesse século, em 2002. Com o arco de redenção histórico de Ronaldo "Fenômeno" Nazário, o Brasil emplacou 2 a 0 na Alemanha na Copa do Japão e da Coreia, se tornando o maior campeão da história das copas.

Antes da final, a capa de 30 de junho trouxe o chamado "É hoje, Brasil!", apresentando Brasil x Alemanha como uma decisão inédita entre duas potências e como a chance de apagar a frustração de 1998.

Depois da vitória por 2 a 0, a manchete "O penta é nosso!" destacou os "sete jogos e sete vitórias", a liderança de Cafu, a segurança de Roberto Carlos, a força da defesa, o brilho de Kléberson e, acima de tudo, as lágrimas e a emoção de Ronaldo como símbolo de um povo que supera desafios.

O foco esportivo da cobertura de A TARDE foi justamente nele - Ronaldo Fenômeno. O jornal enquadrou o atacante como o personagem central da Copa, tendo sido figurante em 1994, vilão em 1998 e protagonista absoluto em 2002.

A página "Fenômeno decide" trata os dois gols contra a Alemanha como a conclusão de uma trajetória de volta por cima, depois de lesões, desconfiança e do trauma da final anterior.

Ao mesmo tempo, o jornal valoriza a queda simbólica de Oliver Kahn, o melhor goleiro do mundo, na página "Caiu a muralha", mostrando que a vitória brasileira também foi a derrota da frieza e da solidez alemã diante da eficiência ofensiva do Brasil.

Pelo olhar do povo, o jornal descreveu o Pelourinho tomado por cerca de 20 mil pessoas, com Olodum, Didá, Filhos de Gandhy, trios na Barra, promessas no Bonfim e comemorações no interior.

Assim, diferente do tetra, marcado pela tensão dos pênaltis, o penta apareceu como uma conquista mais afirmativa - invicta, dominante, estatística e emocionalmente construída como a restauração plena da hegemonia brasileira no futebol mundial.

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2014 - 7 a 1

A próxima capa histórica do Brasil em Copas, no entanto, chegou na Copa do Brasil de 2014, quando a Canarinha foi eliminada para a Alemanha com o traumatizante 7 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte. No dia seguinte, as capas estampavam a dor dos brasileiros, que viam o sonho do título em casa escapar como no Maracanazo.

No 7 a 1, A TARDE abandonou qualquer tom de consolo e construiu a cobertura como luto, vergonha e ruptura histórica. A capa já resume essa leitura com a frase "Aqui jaz o sonho do hexa", tratando a derrota como morte simbólica da campanha brasileira em casa.

No caderno especial, a manchete "Humilhação" ocupava a página com a imagem de um torcedor mirim chorando, enquanto o texto afirmava que o Brasil acordava com "200 milhões de humilhados".

A cobertura, então, explicou o vexame como consequência de falhas profundas, não como acaso. As páginas internas falam em "Pior que o Maracanazo", destacando que a goleada por 7 a 1 foi a pior derrota da história do Brasil e fez o trauma de 1950 parecer menor.

A análise apontou o descontrole emocional, a escolha de Bernard, o meio-campo desguarnecido, a pressão da Copa em casa e a superioridade tática alemã como elementos centrais da tragédia.

A cobertura também acompanhou a reação popular em Salvador, repetindo uma lógica presente nas conquistas, mas agora de forma oposta - em vez de carnaval, foi registrado silêncio, choro, brigas e abandono dos espaços públicos.

Na Fan Fest do Farol da Barra, o jornal registrou cerca de 50 mil pessoas, mas descreveu a passagem da euforia para a tristeza, com torcedores deixando o local ainda no primeiro tempo, aplausos irônicos aos gols alemães e cancelamento do show de Leo Santana por causa das confusões.

Visualmente, a página "A humilhação em imagens" sintetizou a cobertura em rostos pintados de verde e amarelo chorando, crianças em lágrimas, torcedores escondendo o rosto e Felipão devastado.

O 7 a 1, assim, aparece em como o avesso das páginas festivas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 - não a celebração da identidade brasileira pelo futebol, mas a exposição pública de sua crise.

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Extra - Mil gols de Pelé

É impossível falar de Seleção Brasileira ou de Copa do Mundo sem falar de Pelé - e o maior marco dele não deixou de ser noticiado. O milésimo gol de Pelé aconteceu em 19 de novembro de 1969, às 23h23, no Maracanã, durante uma vitória do Santos por 2 a 1 contra o Vasco, válida pela Taça de Prata. O gol foi marcado de pênalti, chutado no canto esquerdo do goleiro argentino Andrada, após Pelé ter sofrido a falta aos 33 minutos do segundo tempo.

A TARDE cobriu o milésimo gol de Pelé como um acontecimento esportivo de dimensão histórica, mas também como um momento de forte carga humana. A capa de 20 de novembro de 1969, com a chamada "Rei fez 1.000", destacou a imagem de Pelé buscando a bola no fundo da rede após marcar de pênalti contra o Vasco, no Maracanã, e apresentou o lance como uma consagração do Rei do Futebol.

Cobertura do gol mil de Pelé
Cobertura do gol mil de Pelé - Foto: Arquivo CEDOC I A TARDE

Já a página esportiva ampliou esse tom com a manchete "Pelé faz gol 1000 lembrando a criança pobre que ele foi", transformando o feito técnico em emocional para o jogador que, logo após o gol, pediu ajuda para crianças pobres e instituições de caridade.

O jornal descreveu o Maracanã em clima de expectativa, com o público torcendo veladamente para que o gol histórico acontecesse ali, diante da torcida carioca. A narrativa valoriza o suspense, uma vez que Pelé já havia acertado a trave, participado de lance que terminou em gol contra de René e tentado várias vezes superar Andrada, até que o pênalti, aos 33 minutos do segundo tempo, abriu caminho para o milésimo.

Cobertura do gol mil de Pelé
Cobertura do gol mil de Pelé - Foto: Arquivo CEDOC I A TARDE

O texto assinado por Genésio Ramos, "A nobreza do gênio Pelé", afirmou que sua genialidade não estava somente em "manejar a pelota", mas também no gesto de lembrar das crianças pobres justamente no auge da própria glória.

Agora, o Brasil e A TARDE seguem rumo a mais uma Copa do Mundo, torcendo pela capa que o país todo tanto sente falta e, enfim, pela adição da sonhada sexta estrela no escudo da maior seleção da história das Copas.

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