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CULTURA

As raízes africanas de Emicida em novo CD

Érica Fernandes
Por Érica Fernandes

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Emicida
Emicida - Foto: José de Holanda | Divulgação

O sexto álbum da carreira de Emicida, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, é fruto de uma viagem musical de 20 dias que ele fez entre Cabo Verde e Angola, na África, em março desse ano.

Além de ter realizado um antigo desejo de conhecer dois dos países africanos de língua oficial portuguesa que em 2015 fazem 40 anos de independência, é a primeira vez que o rapper se arrisca em um campo mais melódico.

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O projeto foi selecionado pelo programa Natura Musical e tem a participação de instrumentistas locais, contribuindo para que o CD tenha esse tom experimental, com novos ritmos.

"A gente sentiu que Cabo Verde tinha uma música mais tranquila, Angola já era mais pesada, mais elétrica. E aí dividiu as músicas mais calmas em Cabo Verde e as mais pesadas com o pessoal de Angola", explica Emicida sobre o processo de composição do álbum feito principalmente lá.

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa é fruto de uma viagem de autoconhecimento, uma busca de sua ancestralidade e da história que não é contada nos livros oficiais de História.

A favor da cultura negra e contra o racismo e as desigualdades sociais, o CD é uma "pedrada", no linguajar do próprio cantor, ao momento atual do país. Como escreveu o poeta Sergio Vaz a respeito, é "um rap que dói, rasga-nos a pele com sua batida que mais parece um chicote no lombo do passado sombrio da escravidão".

Emicida canta as consequências de um passado escravocrata no Brasil, mas o discurso que permeia o CD é acessível, e a mensagem é de reflexão.

"Acho que ele é o que eu gostaria de dizer para o Brasil nesse momento. A gente vive num tempo de muito radicalismo, de muita ignorância, então é bem bacana poder soltar um disco que pede para que as pessoas tenham calma e busquem conhecimento. E essa é a energia do disco. Fala de força, beleza e conhecimento", analisa o cantor.

Toda a produção do álbum foi registrada em vídeo e vai virar um documentário em breve. "Tem outras discussões também no meio. O disco já é tudo aquilo, mas as pessoas viajam pelo som. A gente vai dar agora uma coisa imagética, para que elas consigam ver realmente tudo o que aconteceu", explica.

Composições

Mãe, a música que abre o CD, é uma bonita homenagem a Dona Jacira, progenitora do rapper. Lembrada durante os anos difíceis que passaram, em versos como "Pra nós punk é quem amamenta/ enquanto enfrenta as guerra, os tanque/ As roupas suja, vida sem amaciante", ela também participa da canção, junto com Anna Tréa.

A quinta música, Mufete, nome de um prato típico de Angola, é a mais dançante e a que traduz o espírito da excursão. "Gente, só é feliz/ Quem realmente sabe, que a África não é um país / Esquece o que o livro diz, ele mente". A percussão é de João Morgado, um instrumentista de semba.

Ainda tem a participação ilustre e tímida de Caetano Veloso em Baiana. "Colocar essa música no disco foi uma maneira de dizer pra Bahia o quanto eu gosto dela. Desenhar Salvador como se ela fosse uma mulher e exaltar um amor que eu tenho, sendo de São Paulo. Tem um discurso besta e crescente, depois das eleições, de dizer que o Brasil tinha que se separar e coisa do tipo, então acho que é um soco muito gostoso de cantar Baiana num momento desse", diz Emicida a respeito da rixa entre Sudeste e Nordeste.

Vanessa da Mata participa em Passarinho, a mais pop das 14 faixas.

Boa Esperança é a mais pesada e a que teve maior repercussão até agora, depois de o clipe mostrar uma revolta de empregados contra os patrões. Embora com um final controverso, em que o rebelado negro rende e beija a filha branca do patrão, Emicida defende o roteiro. "A gente vive numa realidade tão complexa, que a unidade é uma coisa muito difícil de se alcançar. Então quando você fala de uma rebelião, a Revolta dos Malês, por exemplo, ela foi fragilizada por esse tipo de coisa, tá colocado ali de uma maneira metafórica", explica.

O clipe, dirigido por Katia Lund e João Wainer, foi indicado ao Prêmio Multishow 2015. Confira abaixo:

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