Ateliê de Coreógrafos Baianos apresenta Outro Céu, com entrada gratuita

Publicado quarta-feira, 27 de outubro de 2021 às 06:06 h | Atualizado em 26/10/2021, 21:04 | Autor: Júlia Lobo*

Após o primeiro espetáculo em formato online nos mês de abril, o Ateliê de Coreógrafos Baianos estreia no esquema presencial com o espetáculo de dança Outro Céu. Convocando a todos para um retorno à coletividade, a primeira sessão acontecerá nesta quinta-feira, 28, às 20h, na Sala de Coro do Teatro Castro Alves. Também haverá exibições no dia 29, sexta-feira, no mesmo horário, e no sábado, 30, às 16h e 20h, todas gratuitas.

A primeira etapa do Ateliê, que aconteceu em abril deste ano, contou com a temática da obra de Carybé e foi coreografada por três profissionais. Neste novo espetáculo, o coreógrafo convidado pela diretora artística e gestora cultural do projeto, Eliana Pedroso, é Guego Anunciação, 29.

Com formação e mestrado em dança pela Universidade Federal da Bahia, ele teve o desafio de montar um corpo de baile de seis dançarinos, com os quais nunca havia trabalhado antes.

“É desafiador por causa do tempo de conhecer como move cada bailarino, o tempo dele de compreender minha linguagem de dança, isso é bem difícil, porque precisa de pesquisa, de maturação. Mas eu tive a ideia de chamar dois grupos independentes de Salvador que tivessem durante o momento da pandemia com as suas atividades acontecendo, e eu disse que precisava de três bailarinos de cada para compor essa apresentação”, conta Anunciação.

Estudante de dança desde os 13 anos, Guego assumiu a face de coreógrafo em 2011, quando lançou a Reforma Cia de Dança. Com a experiência adquirida nesses dez anos, o profissional também é responsável pela concepção temática do espetáculo.

“Pensei muito como esse momento mudou nossas formas de organização e interação, e de como estar ao lado do outro era algo que não podíamos fazer porque fazia com que o vírus se disseminasse. Então Outro Céu é esse mundo que vai surgindo para como um desejo de aguçar a coletividade, como a gente convoca o outro para guerrear, viver o êxtase”, avalia.

Segundo a bailarina e idealizadora do Ateliê de Coreógrafos Baianos, Eliana Pedroso, a escolha de quem irá coreografar é feita depois de uma pesquisa sobre o trabalho do artista de dança. Para ela, o projeto sempre busca trazer profissionais com talento para se consolidar no mercado.

Retorno coreografado

Inspirado no Ateliê de Coreógrafos Brasileiros (2002 a 2006), a célula criada exclusivamente para a Bahia por Eliana foi desenvolvida através da Lei Aldir Blanc, que vem auxiliando financeiramente o setor cultural na pandemia.

“O primeiro núcleo acabou pela mudança política e cultural da cidade, que não prestigiou o Ateliê, que era uma grande movimentação conhecida nacionalmente, que promovia uma audição para 250 bailarinos e causou muita agitação no mundo da dança e principalmente na Bahia”, explica Pedroso.

Além dos espetáculos Outro Céu e Carybé em Três Linhas, o projeto baiano engloba o livro Traços da Memória da Dança Contemporânea em Salvador - 2000 a 2010, escrito por Eliana Pedroso e lançado em abril. A obra foi indicada como livro de cabeceira da Bienal de Dança do Sesc-São Paulo.

Nesta quinta, a estreia da apresentação Outro Céu em formato presencial também marcará a volta do elenco aos palcos após quase dois anos.

Composto pelos seis bailarinos Cami Carvalho, Joely Pereira, Ícaro Ramos, Alice Rodrigues, Marcos Ferreira e Ruan Wills, o espetáculo será um reencontro entre artistas e público.

Dançarina há 18 anos, Joely Pereira conheceu o Ateliê enquanto plateia. “E agora poder fazer parte dele está sendo uma experiência única e cheia de recordações e vontades antigas que contribui muito para esse fazer atual. E agora mais ainda, pois depois de um ano e meio sem plateia e sem a troca presencial vai ser uma montanha russa de emoções repleta de sensações inigualáveis”, avalia.

A apresentação tem trilha sonora dirigida pelo músico Paulo Roberto Pitta. Toda a parte de equipe técnica, coreografia, figurino e direção foi levantada no período de trinta dias. Para Guego, Outro Céu vai vir para reanimar a dança.

“A materialização desse encontro nos deixa feliz de saber que tem muita potência na dança e na arte, e mesmo depois desse momento caótico ainda somos uma potência para comunicar esperança”, acredita o coreógrafo.

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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