Busca interna do iBahia
HOME > cultura > LITERATURA
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

LITERATURA

Biografia retrata vida de Roberto Civita, dono da Editora Abril

Gabriel Serravale

Por Gabriel Serravale

15/10/2016 - 8:18 h

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Roberto Civita faleceu em 2012
Roberto Civita faleceu em 2012 -

Quando o assunto é história das revistas impressas no Brasil, o nome de Roberto Civita aparece entre os destaques. Junto com o pai, Victor, fundador da Editora Abril, construiu um império editorial que traz, entre tantas criações, a emblemática revista Realidade, que circulou entre as décadas de 1960 e 1970, e a Veja, em circulação há 48 anos. Agora, a vida do empresário é esmiuçada pelo jornalista Carlos Maranhão nas páginas do recém-lançado Roberto Civita – O Dono da Banca.

Dividido em quatro partes, o livro, lançado pela Companhia das Letras, conta com detalhes a história de Roberto Civita, desde as origens da família na burguesia italiana no início do século 20, passando pelas criações e momentos de crise, até a morte dele em 2013. Algumas páginas trazem ainda material iconográfico composto por imagens do arquivo pessoal da família e amigos e raras capas de revistas.

Tudo sobre Literatura em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

A ideia de escrever a biografia só veio um tempo depois da morte do empresário. Mas a semente que daria origem ao livro foi plantada pouco antes. “Em 2012, quando eu estava à frente da Veja São Paulo, o Roberto me chamou, disse que queria fazer as memórias dele e perguntou se eu toparia. Fiquei surpreso, mas aceitei. Agendamos uma série de entrevistas. Mas seria um livro dele. Meu trabalho seria entrevistar, pesquisar e redigir”, conta Carlos Maranhão, que foi jornalista da Abril por mais de 40 anos.

“Mas, com a morte dele, o projeto do livro desapareceu. Isso porque as 16 horas de gravação que eu tinha ainda não eram o suficiente. Depois de um tempo é que amadureci a ideia de começar dali um livro meu, independente. Mas eu precisava de um sinal verde dos filhos dele até para poder ter acesso a muitas das informações. Então eles finalmente deram o ok e eu tive que tomar a difícil decisão de sair da Abril para tocar esse projeto”, acrescenta o autor.

Para dar conta da vida de um personagem tão influente e de tantas relações, foi preciso um trabalho intenso. “O maior desafio foi mergulhar numa história que parecia ser conhecida, mas à medida que eu ia me aprofundando nela eu descobria outros personagens, outras informações. Foram cerca de 100 entrevistas”, explica.

E a ideia era escrever o livro de forma que atraísse qualquer pessoa com interesse em uma boa história, além do público do meio editorial. “Eu não queria fazer algo só para funcionários da Abril e jornalistas. Fiz para o público em geral interessado em conhecer a história de um empresário editor da maior empresa de revistas da América Latina em determinado momento”, diz.

Erros e acertos

No livro, Carlos Maranhão passa pelos diversos momentos em que Roberto Civita foi bem sucedido, tomando decisões acertadas que levaram muitas das suas criações ao sucesso. Por exemplo, teve êxito na publicação de fascículos, na direção da redação da revista Realidade e na criação da revista Veja.

Por outro lado, errou na pontaria ao direcionar seus investimentos para uma área que se mostrava promissora, mas que ele não conhecia tão bem. “Ele achava que televisão era um mal necessário e por isso entrou nesse negócio. Ele demorou a perceber que a TV por assinatura exigia muito dinheiro. Isso levou a Abril a um grande endividamento no final do anos 1990 e começo dos anos 2000 que quase quebrou a empresa”, lembra Maranhão, referindo-se ao período em que Roberto Civita investiu na TVA e DirecTV.

Posição política

Carlos Maranhão também aborda no livro o forte posicionamento político e ideológico que Roberto Civita exercia, principalmente por meio da revista Veja. “Ele achava que a Veja tinha que ter posições muito claras e defender determinadas ideias. E, a partir dos governos do PT, mas sobretudo a partir do escândalo do mensalão, essas posições foram ficando cada vez mais claras e mais radicais também”, afirma.

“Mas havia uma clareza muito grande por parte do Roberto Civita sobre o que ele estava fazendo. A mesma coisa em relação à revista Exame. Sendo uma revista de economia e negócios, na ótica dele, deveria sempre defender um determinado ideário: defesa da livre iniciativa, da não interferência do Estado na vida dos cidadãos e da economia, da globalização e de outros princípios”, completa.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Roberto Civita faleceu em 2012
Play

“Flica é a mãe de todas as feiras literárias da Bahia”, diz curador

Roberto Civita faleceu em 2012
Play

Programação da Flipelô

Roberto Civita faleceu em 2012
Play

Felica: festa literária começa neste domingo de forma online e gratuita

Roberto Civita faleceu em 2012
Play

Festa Literária da Caramurê aborda o livro como instrumento de transformação

x