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LITERATURA

HQ reúne tiras de jornal de criador de Os Simpsons

Chico Castro Jr.

Por Chico Castro Jr.

31/08/2016 - 7:19 h

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Matt Groening
Matt Groening -

Marco da TV mundial - e da cultura ocidental, defendem muitos -, Os Simpsons não surgiram do nada. Mais de uma década antes de chegar às telas, o humor ácido do criador Matt Groening já era apreciado pelos leitores de centenas de jornais, na série de tiras Vida no Inferno, que agora chegam às livrarias pela Ed. Veneta.

O material, desnecessário dizer, é obrigatório para os fãs ferrenhos d'Os Simpsons. Não apenas pela alta taxa de acidez presente nas tiras, mas também por trazer, aqui e ali, vislumbres dos futuros habitantes da Springfield que os fãs conhecem tão bem - não como os personagens prontos, claro, mas como coadjuvantes silenciosos.

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Mas isso é só a cereja do bolo. Em Vida no Inferno, acompanhamos as tribulações, questionamentos e inquietações de um punhado de personagens. O principal é Binky, um coelhão alter-ego do próprio Groening, completamente loser, inseguro e cheio de neuroses.

Sua namorada, Sheba, é basicamente igual a Binky, sendo sua versão feminina. Bongo é o filho de Binky, fruto de uma relação fortuita após uma noite de bebedeira com Hulga, que anos depois deixou o menino em sua porta e foi tentar a sorte em Nova York.

Há ainda a dupla Jeff & Akbar, dois meninos/rapazes exatamente iguais, que podem ser irmãos, mas também são amantes, usam camisas estilo Charlie Brown e nunca tiram seus chapeuzinhos fez.

Nas tiras, que Groening desenhou até 2012, mesmo após o sucesso avassalador d'Os Simpsons, o autor dava vazão a todos os seus traumas, dúvidas existenciais e medos - sempre com aquele toque de autodepreciação bem típico dos humoristas americanos.

Primórdios do Inferno

Groening criou Vida no Inferno em 1977, para descrever aos amigos como era morar em Los Angeles. Quase punk, ele fazia cópias em xerox da revistinha artesanal e vendia os exemplares em uma esquina da famosa Sunset Boulevard, enquanto trabalhava em uma série de subempregos.

Em pouco tempo, a tira começou a sair em publicações alternativas locais, como a revista Wet e o semanário Los Angeles Reader. Os anos passaram e, um dia, suas tiras foram parar nas mãos do produtor de cinema e TV James L. Brooks, que adorou o material. Brooks convidou Groening para animar Vida no Inferno em pequenos esquetes, para o programa The Tracey Ullman Show.

Quando percebeu que teria que abrir mão dos direitos sobre Vida no Inferno para a Fox, Groening preferiu partir do zero e criar novos personagens para a TV. Nasceu aí uma certa família amarela. Vida no Inferno seguiu sua trajetória no mundo 2D preto & branco dos jornais. No auge, chegou a ser publicada em 250 periódicos.

Cria do underground

Quase sempre verborrágico, o humor de Groening nas tiras deve muito ao quadrinho underground/marginal de autores surgidos nos anos 1960, como Robert Crumb (Fritz The Cat) e Gilbert Shelton (Os Fabulosos Freak Brothers).

Não a toa, Groening tem em Vida no Inferno os mesmos alvos dos autores citados: o establishment e a sociedade consumista, aqui representados pela escola, pelas relações familiares convencionais e, claro, pelos governos.

Especialmente saborosas são as séries, presentes nesta coletânea, em que Groening explorava seus alvos: O Amor é Um Inferno, O Trabalho é Um Inferno, A Escola etc. Também eram recorrentes guias e manuais de instruções como, por exemplo, o Guia de Crime e Castigo Adolescente para os Pais, Experimentos Científicos Infantis e outros.

Vida no Inferno vai fazer os fãs se sentirem no paraíso.

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