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MÚSICA

A delicadeza cosmopolita do canto de Mayra Andrade

Marcos Dias

Por Marcos Dias

17/06/2014 - 12:49 h

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Mayra Andrade
Mayra Andrade -

No novo disco de Mayra Andrade, Lovely Difficult, em que ela canta em quatro línguas, a impressão é a de que se ouve um sonho. Uma experiência sem fronteiras geográficas, musicais e mesmo entre a vida quando se sonha ou se está em vigília.

"É uma virada dentro da minha música, não é uma ruptura, mas uma virada muito acentuada em direção a uma sonoridade mais contemporânea e mais cosmopolita", diz a cantora e compositora.

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Muito disso tem a ver com sua vivência nos últimos 12 anos em Paris: "Pude ter encontros e trocas com pessoas que são incríveis e muito talentosas, e eu quis criar um espaço na minha música para que isso existisse também".

Essa intenção se expressa não apenas em músicas como Le Jour se Léve, de Yann Walcker e Yaël Naïm (em que as raízes cabo-verdianas estão lá, mas é uma canção aérea), ou em Simplement (de Benjamin Biolay), que conta com percussão eletrônica.

"As coisas aconteceram de uma forma muito natural. A coesão era uma preocupação muito grande também por ter várias línguas para que o disco tivesse uma unidade, um fio condutor, que seria minha voz e o som", reconhece.

Síntese

A produção de Mike Pelanconi (que já trabalhou com Lily Alen e Graham Coxon) consegue essa síntese até flertando com uma sonoridade folk, como 96 Days (Hugh Coltman) ou Build it Up (Krystle Warren).

Mas quando se trata de composições da cantora, essa integridade radical se acentua. É como se a língua dos sonhos fosse, em nacionalidade, uma espécie de creole cósmico.

"A música é que decide e conta seus segredos. Geralmente começa pela música e ela já fala de alguma coisa; não que eu componha pensando em alguma coisa, é mais uma intuição do que uma ideia e essa intuição já traz uma mensagem, uma cor, uma evocação a algo. Não sei, é um processo que me ultrapassa um pouco".

Foi assim, por exemplo, em Meu Farol, cantada em português. A música foi uma parceria com o guitarrista brasileiro Munir Hossn feita durante a passagem de som de um show. Depois ela fez a letra.

"Durante o tempo que eu cantava eu só conseguia pensar em minha mãe, até tentei escrever sobre outras coisas, mas não consegui. Foi uma evidência para mim que o que eu tinha para escrever era mesmo sobre a minha mãe", diz ela, que contou nesta música com o cello de Jaques Morelenbaum.

É como se o amor estivesse na base do que ela canta, podendo se voltar para outras pessoas e lugares, como em Ilha de Santiago, Trés Mininu, Rosa, e a pura delicadeza de A-mi N Kre-u Txeu.

O creole também aparece, sedutor, em We Used to Call It Love, parceria com Pascal Danaë, em inglês, que fala de alguém que foi abandonado. Num trecho, diz que "nem Mãe Oxum poderia aliviar a dor".


A referência acrescenta outra dimensão para a sensibilidade musical de Mayra. De família católica, ela também criou seus credos. "Na verdade, a minha espiritualidade é muito parecida com a minha música. Eu acredito em muita coisa que nos ultrapassa, em coisas que têm nomes muitos diferentes. Funciono muito com intuição, tenho minhas próprias orações, falo as coisas como sinto".

Obviamente, o que ela alcança em Lovely Difficult é trabalho de uma vida inteira. Aos 29 anos, ela afirma belamente em Ténpu ki Bai que "o mundo é mais Tempo que História".

A música guarda a memória de quando ela descobriu a morte, quando tinha três anos. Mas o que se ouve é mesmo o tempo passando e a mudança das formas. Lovely Difficult é um daqueles 10 discos para ouvir para se sentir vivo.

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