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MÚSICA

Banda baiana Sertanília anuncia volta aos palcos

Rosário de Luas veio acompanhado de um minidocumentário sobre a criação da música e os bastidores da gravação

Júlia Lobo*
Por Júlia Lobo*

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Sertanília: Diogo Florez (percussão), Aiace Félix (voz) e Anderson Cunha (violão)
Sertanília: Diogo Florez (percussão), Aiace Félix (voz) e Anderson Cunha (violão) -

Após uma pausa de cinco anos, o grupo Sertanília retorna com canção nova, mini documentário e em busca por um espaço no atual cenário musical. Reconhecida por resgatar a tradição da música do sertão a partir do coco, maracatu, sambadas e terno de reis, a banda lançou no final do mês de março o single Rosário de Luas, que fala sobre espera e saudade.

No início, o intervalo seria apenas para reorganizar o grupo, mas por conta de questões pessoais e a chegada da pandemia, o tempo da separação acabou sendo maior do que Aiace, Anderson Cunha e Diogo Flórez esperavam. Os três baianos, que respectivamente ocupam voz, violão e percussão no Sertanília, voltam com uma canção que retrata os sentimentos durante a distância.

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Composta por Anderson, Rosário de Luas estava programada para sair no álbum Gratia (2017, indicado ao Prêmio da Música Brasileira), último lançado pelo grupo antes do hiato. No entanto, a melodia não ganhou letra a tempo. Segundo ele, o processo pode ser difícil quando o som chega antes dos versos.

“É uma letra de saudade, vem do Terno de Reis, da região do alto sertão, em que eles saem na meia noite do dia primeiro e só voltam para casa no dia seis. A gente fala de quem espera, de contar o tempo pela Lua, de um sertão profundo, antigo. Tem toda metáfora de que o coração é um rio que secou quando vai falar da saudade que tá ali no peito”, conta o autor.

Disponível na plataforma de streaming musical, a canção também expressa a transição musical da banda de volta à formação original. Antes do hiato, três percussões os acompanhavam – agora é uma.

“A gente se apresentava com um som mais pesado, era um show bem movimentado, mas complicado de executar ao vivo por conta da quantidade de instrumentos. Voltamos com uma tendência de músicas mais leves, introspectivas, líricas. Continuamos no tema do sertão, mas no formato mais de câmara”, explica Cunha.

Sertão conectado

O lançamento de Rosário de Luas veio acompanhado de um mini documentário sobre o processo de criação da música e os bastidores da gravação. Divulgado no canal do Youtube do Sertanília (youtube.com/sertanilia), o vídeo de cinco minutos foi lançado dois dias antes da canção para introduzir o ouvinte no universo do grupo, que retorna com o desafio de se adaptar às mudanças do cenário musical.

Como acontece com outros artistas independentes, que deixam de lançar discos físicos diante do custo, é uma perda significativa para o Sertanília. O primeiro álbum, Ancestral (2012), continha um livreto com textos de historiadores sobre o mundo ‘sertanês’, que inspira a musicalidade da banda, vinda do cantor e compositor Elomar Figueira Mello e da cantora Renata Rosa.

Os dois álbuns lançados estão nas plataformas de música, mas segundo Aiace e Anderson, eles vêm de outro mercado digital, e agora precisam aprender a lidar com as redes sociais.

“A forma de se comunicar com as pessoas, o tempo das músicas, tudo mudou completamente, isso é algo que a gente está entendendo. A maioria das pessoas não tem mais paciência para ouvir um disco, um single de quatro, três minutos, isso é muito louco. Para gente que não só produz, mas gosta de música, viemos de uma outra escola, gostamos de apreciar o tempo da música, e hoje, se encaixar dentro disso é difícil", confessa Aiace, voz do Sertanília.

Os integrantes ainda reiteram que a velocidade com que a comunicação é feita nos últimos anos vai de encontro a proposta da banda. A própria Rosário de Luas aborda uma pessoa que conta o tempo pela Lua, sem nem utilizar o relógio.

“A gente trata da relação com sagrado, com a Lua, com as crianças, com a cidade, com a vila, tudo a gente lida de uma forma muito lenta, que é justamente o tempo do sertão, o tempo do lugar que a gente canta, então todo esse cenário hoje é um desafio”, diz Anderson.

Saudade recíproca

Um desafio que estão dispostos a enfrentar. Mesmo com características que divergem do conceito do Sertanília, as redes sociais estão aí e não deixam de ser uma forma de se reconectar com o público. Em novembro de 2021 ocorreu a primeira postagem da banda depois de quatro anos, e os comentários não poderiam ser mais reconfortantes para quem estava prestes a anunciar a volta aos palcos.

O primeiro show após a pausa aconteceu no ano passado, na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), e os seguidores já escreviam: “Por favor, me digam que vai ter mais shows!”, “Já esperando o novo sucesso” até “Ouvi o Gratia inteiro ontem, aí vem hoje essa foto. O coração da gente chega lateja”.

Para Aiace, a relação com o público é o que motiva o retorno do grupo.

“As pessoas vão comentando que estavam sentindo essa falta da gente cantando esse nosso sertão baiano, muitas vezes, esquecido, por todas as produções litorâneas”, diz.

“É muito gostoso receber esse carinho novamente, estávamos meio temerosos sem saber como seria depois de cinco anos sem lançar nada”, afirma a cantora.

Como próximos passos, o Sertanília pretende continuar em contato com o público, fazer shows e já se encontra na pré-produção de singles. Para quem anseia um novo disco, pode esperar que também está nos planos.


Serviço

O quê: Rosário de Luas / Sertanília / Independente / Disponível nas principais plataformas digitais de música

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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