MÚSICA
Trio de feras da música brasileira faz show no Vila Velha


Três dos melhores músicos brasileiros surgidos nos últimos 20 anos, o pianista André Mehmari, o violonista e cantor Sérgio Santos e o guitarrista Chico Pinheiro começam, por Salvador, a turnê do disco Triz, com composições e concepção em conjunto. Eles fazem show nesta quarta-feira, 16, às 20 horas, no Teatro Vila Velha.
A capital baiana foi privilegiada por essa passagem do trio, que, além da grande trajetória individual de seus integrantes, oferece, com o Triz, um trabalho de extrema sutileza e beleza musical. A turnê percorrerá apenas quatro estados e o Distrito Federal e é patrocinada pelo projeto Natura Musical.
Triz parece ser, como explica o próprio Saraiva, "um quarto elemento resultante da conjunção entre os três". Cada um com suas características distintas, porém muitas afinidades, eles conseguiram desfilar uma série de belas composições, praticamente todas instrumentais, e arranjos, que surgiram em três dias, entre sessões de ensaios e gravação.
"É legal, porque são três compositores com personalidades marcantes, mas que se encontram nessa linguagem comum que conseguimos encontrar", explica Mehmari.
O show tem tudo para ter o mesmo peso-pesado do CD, que teve as bases gravadas ao vivo no estúdio Monteverdi, de Mehmari, em Mairiporã, São Paulo. Somente as vozes foram colocadas depois.
"O disco foi gravado nos moldes do Canteiros (álbum duplo de canções de Mehmari, lançado em 2011). Saiu todo pronto daqui e foi feito numa sessão de estúdio", conta o pianista, que também toca flauta no disco e pega a sanfona em faixas como a que fez para o amigo clarinetista Gabriele Mirabassi, Mirabolante.
Mirabassi é um dos que participam e enriquecem o álbum. Além dele, estão lá o impecável Edu Ribeiro, na bateria, o contrabaixista Neymar Dias e o percussionista Guelo, todos velhos companheiros de vários projetos dos componentes do trio.
"Foi tudo como na velha escola. Eu acho que essa coisa da espontaneidade é diferente quando você grava junto", avalia Pinheiro. Fato é que o álbum é extremamente rico sonoramente e prazeroso pelo encontro instrumental.
O processo de criação do CD nasceu de um sugestão de Sérgio Santos. Os três já se conhecem há tempo e se encontraram em diversos projetos musicais, mas nunca assinaram algo que fosse dos três.
A ideia de Sérgio era que eles dividissem as melodias das composições, coisa que não havia ocorrido antes. Sérgio e Mehmari têm parcerias, como a fantástica Vento Bom, mas sempre com letra do primeiro e música do segundo. Agora, foi diferente.
"Como viajamos muito, não tínhamos como estar próximos. Mandávamos um pedaço da música por e-mail para o outro fazer a segunda parte", revela Pinheiro.
Coletividade autoral
Esse trabalho à distância resultou em 13 músicas, sendo que oito delas assinadas por ao menos dois deles. Nas outras cinco, com apenas um autor, ainda assim fica a sensação de coletividade autoral, devido à mão de cada um nos arranjos. A impactante Arabesca, de Pinheiro, por exemplo, confunde-se com as coisas de Mehmari, por conta da presença forte do piano.
O choro-canção Sim, única assinada pelos três e que abre o CD, e a bossa Não (Mehmari e Santos) são as duas canções do disco. Segundo Mehmari, os títulos aconteceram naturalmente, e mais ainda a contraposição de um choro e uma bossa, ambos de grande riqueza melódica e harmônica.
"O que esse disco tem demais é uma linguagem harmônica e melódica trabalhada. Isso é uma preocupação comum na obra dos três", explicita Mehmari, parceiro de Santos em Zonzo, um baião de melodia ligeira que exibe a exuberante técnica deste último como intérprete.
Apesar de Sérgio assumir a maior parte dos vocais, as vozes de André e Chico também surgem em algumas faixas, a exemplo da misteriosa e bela Sumidouro, que Chico divide com Sérgio na parceria e no canto.
Triz, que tem como faixa-título um baião maravilhoso, é um disco de tirar o fôlego. O show ainda pode ser melhor.
Ouça uma canção do trio