TEATRO
Teatro baiano vê dificuldades e incertezas em 2014

O abrir das cortinas para as artes cênicas em 2014 conserva as incertezas que marcaram o ano anterior. Com a Copa do Mundo e as eleições no papel de grandes protagonistas, diretores e produtores lidam com a insegurança em relação a financiamentos e esperam o desenrolar de projetos.
"Vai ser um ano difícil para o teatro, porque a atenção vai estar virada para outras coisas. Por outro lado, é um ano importante para se posicionar, discutir problemas sociais", afirma Marcio Meirelles, diretor do Bando de Teatro Olodum e diretor artístico do Teatro Vila Velha, que comemora 50 anos em 2014.
Diante das dificuldades de captação, Meirelles tem dois planos para as celebrações do aniversário do TVV, em julho. "O plano A, com dinheiro, é fazer um grande evento multilinguagem, que mostre a história do Vila inserida na história do Brasil e da Bahia. O B, sem dinheiro, é fazer o que for possível", diz.
O aniversário de 450 de nascimento de William Shakespeare perpassa a programação do Vila, a partir da montagem de Hamlet, com o ator Rafael Medrado, e de outro texto. O Bando de Teatro Olodum planeja montar um novo espetáculo, que, segundo Márcio, também pode ser de Shakespeare. "Como é um ano muito complexo, a gente vai escolher algum texto que tenha a ver com o momento".
Em maio, o Vila Velha recebe Esperando Godot, texto de Samuel Beckett, em um projeto de Celso Jr.
O diretor Paulo Dourado é outro que depende "da ajuda dos orixás", como diz, para executar as montagens que planeja. A Paixão de Cristo, que integra o Festival Artes do Sagrado, em abril, espera definição de local. A ideia é realizá-la na Itaipava Arena Fonte Nova, mas o contrato ainda não foi assinado.
"É um grande desafio artístico montar A Paixão de Cristo na Fonte Nova. Estamos em negociação, na expectativa fazer uma coisa histórica no estádio, para 12 mil pessoas. Pensamos em montar o palco juntinho da plateia, com opções de arquibancada e camarote". Nos anos anteriores, o espetáculo aconteceu na Concha Acústica do TCA, agora fechada para reforma e requalificação.
Dando seguimento ao projeto de teatro popular contemporâneo no qual tem se engajado há 20 anos, Dourado também pretende montar A Ópera da Independência - Dois de Julho e fazer uma releitura de A Conspiração dos Alfaiates (1992), com participação do Olodum, em novembro.
"Ainda estamos resolvendo A Paixão de Cristo, daí vamos atacar o Dois de Julho. Como não teremos Concha, a gente vai ter que se virar. Ano passado a gente fez na rua, que tem um custo maior com montagem de palco, luz e som", analisa.
A reforma do TCA vai ser abordada em um dos trabalhos da companhia de dança sediada no complexo cultural. Embora ainda precise definir sua programação, o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) já tem dois projetos acertados para o primeiro semestre: um com o coreógrafo Alex Soares e a técnica de animação stop motion sobre a reconstrução; e Greta, com Ivani Santana e a linguagem telemática.
"A reforma altera questões físicas e também o pensamento curatorial, caminhando no sentido de uma reconstrução de novos conceitos", diz Jorge Vermelho, diretor artístico do BTCA.
Já a Companhia Baiana de Patifaria prepara para julho Fora da Ordem, solo escrito por Lelo FIlho e Vinnícius Morais, autores de Siricotico, uma Comédia do Balacobaco.
Para Lelo Filho, o maior entrave do teatro no estado é "a falta de diálogo entre os que ocupam gabinetes e os artistas que estão lutando para continuar em cena".
Aquecendo a cena do verão, a nova safra de atores da Escola de Teatro da Ufba encena em fevereiro, no Martim Gonçalves, Morte e Vida Severina, baseado no texto de João Cabral de Melo Neto e dirigido por Érico José.

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