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Palpite: Salve Jorge chega ao fim cumprindo bem papel social

Murilo Melo
Por Murilo Melo
| Atualizada em

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Palpite: Salve jorge cumpriu muito bem seu papel social
Palpite: Salve jorge cumpriu muito bem seu papel social -

Durante os quase sete meses em que a novela Salve Jorge esteve no ar, a autora Glória Perez suou para tentar manter a verossimilhança na trama das 21h, exibida pela rede Globo. De outubro para cá, não raro, o folhetim foi alvo do público e da crítica televisiva, que volta e meia alardeavam os erros da novela em manchetes de jornais, sites, revistas e redes sociais. Pudera, Salve Jorge colecionou furos no roteiro, incoerência na continuidade e deslizes muito graves de edição, como a cena em que acontece o lapso de memória nos personagens Mustafá (Antonio Calloni) e da protagonista Morena (Nanda Costa), o sumiço sem explicação de alguns atores por conta do elenco superlotado, além da polêmica reação de Aisha (Dani Morena) ao encontrar a mãe biológica Delzuíte (Susana Badin), só para citar alguns exemplos.

Embora a novela tenha fracassado em muitos aspectos e pouco tenha empolgado com personagens secundários, agora, na reta final, prevista para esta sexta-feira, 17, é válido reconhecer que a sua função social, a da denúncia de tráfico internacional de pessoas, foi cumprida inteiramente, trazendo à tona para a sociedade um assunto que merece ser conhecido. Glória criou uma sinopse baseada num problema real e gravíssimo, que embora pareça ser coisa de novela, vai além da ficção e afeta milhares de pessoas. Ela juntou um assunto que é caso de polícia, o tráfico de mulheres, com o cenário que lhe interessava explorar, a Turquia. Uniu estes pontos a um romance central - com vilanias e mal-entendidos - fórmula primordial das novelas, e mostrou ao telespectador, após estudo com a Polícia Federal, como age uma quadrilha especializada neste tipo de crime, o que serviu como alerta à população que sonha com um emprego fácil fora do país.

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O resultado foi visto nos quase 170 capítulos da trama. O público acompanhou a saga da carioca Morena, personagem inspirada na empregada doméstica Ana Lúcia Furtado, que na vida real foi traficada por aliciadores. Na história criada por Glória, Morena leva uma vida complicada. Mãe solteira, cria sozinha o filho que teve aos 14 anos, não consegue emprego e teme perder a casa em que vive ao lado da mãe Lucimar (Dira Paes), se apaixona por Théo, um capitão do exército, mas passa por maus bocados com a mãe dele, dona Áurea (Suzana Faini), que acha a moça "favelada demais" para o filho dela. É nessa fase conturbada que ela conhece Wanda (Totia Meireles), uma mulher sofisticada, inteligente, simpática, amiga, interessada em ajudar as pessoas, acima de qualquer suspeita.

Wanda, após se aproximar da mocinha, a convence a trabalhar como garçonete no exterior, o que promete resolver os problemas financeiros que enfrenta. Morena então parte do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para a Turquia, com a promessa de receber US$ 1.500 por mês - para ela, uma diferença significativa em sua conta bancária. Ao chegar a Istambul, a moça percebe que foi enganada e é forçada a se prostituir. É confinada por capangas, passa a ser mantida em um quarto insalubre, perde autonomia e sofre violências degradantes. Igual às outras aprisionadas, Morena tem celular, identidade e passaporte confiscados, o que impede a comunicação com a família e, principalmente, com a polícia. Como uma boa heroína de Glória Perez, não abaixa a cabeça, passa a lutar pela liberdade e tenta, de todas as formas, desbaratar a quadrilha de tráfico humano chefiada por Lívia Marini (Cláudia Raia) e comandada por Russo (Adriano Garib) e Irina (Vera Fischer).

Fatos reais - Fora da novela, segundo a Polícia Federal, as histórias são bem parecidas. O primeiro estudo sobre esse tipo de crime foi apresentado pelo Ministério da Justiça no dia 4 de março deste ano. Ele revela que, uma parte dessas moças (e rapazes também), não embarcam para o exterior na mais completa inocência, como a Morena. Alguns já se prostituíam no Brasil e vão para o exterior na esperança de aumentar o faturamento. Inocentes ou não, de acordo com o Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (Unodc), estima-se que 800 mil a 2,4 milhões de pessoas vivam traficadas hoje no mundo - um negócio que rende anualmente bons lucros para seus aliciadores, cerca de US$ 32 bilhões. Para se ter ideia do tamanho do problema, a Polícia Federal abriu entre 2005 e 2011, 514 inquéritos relacionados ao tráfico de pessoas, neste número estão casos que vão desde a exploração sexual até trabalho escravo. Conforme a Unodc, na Espanha, ou em cidades como Madri e Milão, não se passa um único dia sem que uma vítima do tráfico procure ajuda para voltar ao seu país de origem.

Glória Perez, velha conhecida na teledramaturgia por trazer à tona em suas novelas o merchandising social, movimentou só na semana de estreia da novela De Corpo e Alma (1992), o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, que estava há dois meses sem uma única doação. Com a trama abordando doação, a Incor recebeu nove órgãos para transplante, o que fez mudar a vida de pacientes desenganados na fila de espera do hospital. Agora, com Salve Jorge, ela consegue uma nova faceta: o governo federal, após a novela abordar a triste realidade das vítimas, traça um Plano de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Com investimentos previstos de quase R$ 6 milhões nos próximos quatro anos, o plano pretende combater o crime treinando policiais, procuradores e servidores da justiça. No total, conforme a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, são 115 metas até 2016, que vão desde 17 ministérios envolvidos até a modificação no Código Penal.

Em Salve Jorge, Morena pode até ter final feliz no último capítulo, só depende da vontade da autora. Mas, na vida real, esse "feliz para sempre" está à mercê da ação das autoridades e da lei e, para tanto, vai muito além de projetos no papel e discursos bem articulados.

Audiência - Salve Jorge, apesar de todos os tumultos e com a difícil missão de suceder o fenômeno Avenida Brasil, termina nesta semana com boa audiência e grande repercussão nas redes sociais. Até agora, o maior recorde da trama, segundo o Ibope, foi registrado no dia 6 de maio. A cena em que Morena dá uma surra em Lívia fez a trama marcar 45 pontos com picos de 47. Avenida Brasil, no entanto, fechou o último capítulo com 51 pontos de audiência, com picos de 53. Os números são prévios e cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.

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