CULTURA
Curta 'Borderô' tem previsão de lançamento no segundo semestre de 2023
Projeto mesclou a linguagem dos dois meios culturais e se tornou uma experiência interessante


No teatro, a magia e a imersão começam com a abertura das cortinas, já no cinema, com o apagar das luzes. Porém, como funcionaria a união das duas linguagens artísticas para contar uma história? Essa pergunta é respondida no novo projeto da Olho de Vidro Produções: o musical Borderô.
Escrito e dirigido pelos teatrólogos Hilda Lopes Pontes e Klaus Hastenreiter, o projeto mesclou a linguagem dos dois meios culturais e se tornou uma experiência interessante. Gravado no Teatro Gamboa em fevereiro deste ano, o musical se transformou em um curta-metragem que combina a linguagem do cinema com elementos e o espaço do teatro, usufruindo de elementos técnicos e visuais dos dois. Atualmente, Borderô está em fase de pós-produção e tem previsão de lançamento para o segundo semestre de 2023.
O musical acompanha um casal - formado por um diretor teatral e uma atriz - que vai estrear uma peça, porém só um deles comparece. Após conversarem se ainda iriam se apresentar ou não, decidem que a peça vai mesmo acontecer. Porém, quando a atriz sobe ao palco, o diretor começa a pesar muito a mão e, assim, inicia uma discussão na frente do espectador, que acredita estar em uma peça interativa.
“Queríamos contar uma história de amor. Não apenas o romântico, mas aquele pela arte através de um musical que brinca com um jogo entre o taciturno e o alegre”, comenta Hilda. De acordo com a artista, a construção do universo do curta-metragem durou meses, entre versões do roteiro, ensaios e filmagens.
O objetivo da equipe era transformar o mundo particular do relacionamento dos protagonistas, e suas vivências teatrais, em algo amplo, que fizesse com que o espectador se identificasse e criasse uma conexão com as personagens e com o filme também.
Para realizar tal intento, Klaus explica que o elenco foi escolhido com bastante cuidado, colocando em cena artistas do teatro e do audiovisual baiano, sendo eles Celso Júnior, Paula Lice e Leandro Villa.
“Seja na pré-produção, no set ou na pós, o mais importante no nosso trabalho é a escolha da equipe. Nosso casting foi selecionado de forma bastante precisa e eu não poderia estar mais feliz com o resultado. O nosso curta está rico artisticamente, divertido e emocionante também”, explica Klaus.
Teatro e cinema
Trabalhando juntos há dez anos, Hilda relata que o gênero musical perpassou muito a carreira e a parceria deles. A escolha de Borderô para um musical veio na releitura do roteiro para o curta, visando trazer um tom dramático maior à história.
“Klaus e eu trabalhamos fazendo musical há muito tempo. Este gênero perpassa muito por nossas carreiras e sempre fizemos essa parceria de, ou escrever a letra e Ana Vaz transformar na métrica sonora, ou de eu e Ana escrevermos a música”, conta Hilda.
“A gente tinha o roteiro deste curta desde 2019, mas por conta da pandemia não pudemos rodá-lo. Foi quando a gente estava relendo para refazer que sentiu que um musical traria uma intensidade dramática muito maior, uma musicalidade e melancolia à história”, detalha Pontes.
Porém, Borderô não é simplesmente uma apresentação de teatro que foi gravada. O que Hilda e Klaus buscaram foi trazer essa mescla que o teatro e o cinema permitem de forma simultânea. E ter essa mistura exigiu um trabalho extra, em especial em termos de atuação, culminando em um produto que mistura o real com o irreal.
“Não é exatamente uma peça que foi gravada, é um musical, mas gravado no formato de filme”, afirma Hilda. “O meio teatral vem como um complemento para o formato.”
“Tivemos um acompanhamento rigoroso com a atuação. Ensaiamos bastante e escolhemos o tom da atuação. A interpretação precisa ter coerência. O curta joga com o não real do teatro, mas com o realismo que a câmera de cinema puxa. Tem essa linguagem teatral, essa atuação levemente não-realista, um pouco mais exagerada, mas ainda bem fundada na realidade”, finaliza a escritora.
*Sob a supervisão do editor Eugênio Afonso